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Miketz Primeira Leitura — Bereshit 41:1–14

4–6 minutos

E sucedeu, passados dous annos de dias, que Par‘ô, rei do Egipto, teve hum sonho portentoso e de mui alta significação. Eis que estava elle em pé junto ao rio Ye’or, e do seio das águas subiam sete vaccas gordas, mui formosas de vista e de carnes abundantes, que pastavam brandamente entre os juncos do rio [Bereshit 41:1–2].

E após ellas, do mesmo rio, emergiram sete vaccas magras, feias de rosto e esquálidas de corpo, que devoraram as vaccas gordas, e Par‘ô despertou, perturbado em seu espírito [Bereshit 41:3–4].

E dormindo novamente, sonhou outra vez: eis que sete espigas de trigo, cheias e boas, cresciam num só talo; e eis que detrás dellas brotavam sete espigas mirradas e queimadas pelo vento oriental (ruaḥ kadim), e as espigas mirradas devoraram as cheias. E despertando Par‘ô, viu que era sonho [Bereshit 41:5–7].

Pela manhã, agitou-se-lhe a alma, e mandou chamar todos os magos (chartumei Mitzrayim) e os sábios do Egipto, e narrou-lhes seus sonhos, mas nenhum pôde dar-lhe interpretação que satisfizesse o seu coração [Bereshit 41:8].

Então o sar hamashqim, copeiro-mór, ergueu a voz diante de Par‘ô, e disse: “Recordo hoje as minhas culpas. Quando o Rei se indignou contra seus servos, lançou-me a mim e ao padeiro-mór na prisão da casa do capitão da guarda. E alli estava connosco hum jovem hebreu (na‘ar ‘ivri), servo do capitão da guarda; contámos-lhe nossos sonhos, e elle os interpretou a cada um segundo o seu sonho. E aconteceu que, conforme nos interpretou, assim foi: eu fui restituído ao meu posto, e o outro foi suspenso na forca.” [Bereshit 41:9–13]

Então Par‘ô apressadamente mandou chamar Yosêf, e o fizeram sair das masmorras. E barbeando-se e trocando suas vestes, apresentou-se elle diante de Par‘ô, o Rei do Egipto [Bereshit 41:14].

Assim se conclui a primeira leitura.

A Guemará testifica que a expressão “dous annos de dias (yamim)” significa dous annos completos e inteiros [Talmud Bavli, Rosh Hashaná 11a].
E o Midrash perguntou: “Que novidade há em dizer ‘Par‘ô sonhou’, se todo homem sonha?” Respondeu o Midrash: “Porque o sonho de hum rei é presságio para todo o mundo, pois das resoluções dos reis dependem as sortes das nações” [Bereshit Rabá 89:1].

Disseram os Sábios: “Hum sonho é huma sexagésima parte da profecia” [Talmud Bavli, Berachot 57b].
E Rabi Ḥanan ensinou: “Ainda que o Mestre dos Sonhos diga a hum homem que morrerá no dia seguinte, não cesse elle de orar, pois está escrito: ‘Na multidão dos sonhos há vaidades e muitas palavras; mas teme tu a D’us’” [Kohelet 5:6; Berachot 55a].

Rabi Shmuel bar Naḥmani, em nome de Rabi Yonatan, declarou: “O homem não vê em sonho senão o que revolve em seu coração quando desperto”, como está escrito: “Os teus pensamentos vieram à tua mente, estando deitado… para que conheças os pensamentos do teu coração” [Daniel 2:29–30; Berachot 55b].

Quando Shmuel tinha hum pesadelo, dizia: “Os sonhos falam falsamente” [Zekharia 10:2]; mas quando sonhava bom sonho, recordava a palavra divina: “Falo com elle em sonho” [Bamidbar 12:6].
E Rava resolveu esta aparente contradição, ensinando que o versículo de Bamidbar fala dos sonhos que vêm por meio de hum anjo, e o de Zekharia, dos sonhos inspirados por espírito impuro [Berachot 55b].

Rabi Yoḥanan disse: “Os ímpios põem-se sobre seus deuses, como Par‘ô, que estava em pé sobre o rio; mas o Santo, bendito seja, põe-Se sobre os justos, como está escrito: ‘E eis que HaShem estava sobre elle’” [Bereshit 28:13; Bereshit Rabá 89:1].
Pois os idólatras velam por seus ídolos, e o Altíssimo vela por Seu povo.

Outro Midrash diz que, nas palavras: “Eis que subiam do rio sete vaccas”, D’us já revelava a Par‘ô o sentido do sonho — que a abundância e a fome viriam por meio do Ye’or [Bereshit Rabá 89:2].
Rabi Yehudá explicou que o “espírito perturbado” de Par‘ô [Bereshit 41:8] significa que elle ardia em desejo de conhecer a verdadeira interpretação [Tanchuma, Miketz 3].
E o Midrash Tanchuma esclarece que os magos do Egipto (chartumei Mitzrayim) eram homens que consultavam os mortos (doresh el ha-meitim) [Tanchuma, Miketz 4].

Rabi Yehoshua de Siknin, em nome de Rabi Levi, ensinou que havia intérpretes em abundância, porém nenhum agradou a Par‘ô. Disseram-lhe que as sete vaccas boas eram sete filhas que teria, e as sete feias, sete filhas que morreriam; ou que as sete espigas boas eram sete províncias conquistadas, e as mirradas, sete que se rebelariam.
Mas não encontrou contentamento o Rei nestas palavras, e assim se cumpriu: “O escarnecedor busca sabedoria e não a acha; mas o entendimento é fácil ao prudente” [Mishlei 14:6; Bereshit Rabá 89:6].

E o Midrash conclui que o Altíssimo dispôs tudo isto para elevar Yosêf, pois se este fora chamado de começo, menor louvor receberia. Porém, vindo por fim, achou graça e foi engrandecido perante todos [Bereshit Rabá 89:7].

O Zôhar haKadosh ensina que “hum sonho é huma sexagésima parte da profecia”, pertencendo ao grau do anjo Gavri’el, supervisor dos sonhos.
E porquanto todo sonho é mistura de verdade e falsidade, cumpre-se segundo a boca que o interpreta, como está escrito: “E aconteceu que, como nos interpretou, assim foi” [Bereshit 41:13; Zôhar, Vayeishev 184a].

O Ramban (Naḥmanides) comenta que as vaccas significam a lavoura, e as espigas, a ceifa, conforme: “Não haverá lavoura nem colheita” [Bereshit 45:6]. O ruaḥ kadim, vento oriental, é o sopro abrasador que trará fome e esterilidade [Hoshea 13:15; Comentário do Ramban sobre Bereshit 41:2].

E Rabi Avraham ibn ‘Ezra advertiu que, no dizer “E recolheu toda a comida” [Bereshit 47:48], não se deve entender “toda” em sentido absoluto, pois Yosêf não poderia ter tomado tudo sem causar fome ao povo; tomou elle o necessário para a subsistência da terra. Mas o Ramban discorda, afirmando que Yosêf, homem de prudência divina, centralizou o sustento de todo o Egipto, repartindo-o com equidade, segundo a medida de cada um [Comentário do Ramban ad loc.].


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Biografia de Dinah bat Leah

3–5 minutos

Diná (דִּינָה) é a única filha mencionada nominalmente entre os filhos de Yaakov (Jacó) e Leá, nascida após seis filhos homens (Bereshit/Gênesis 30:21). Seu nome vem da raiz hebraica din (דִּין), que significa “juízo” ou “justiça”. O Midrash Bereshit Rabbah (72:1) ensina que Leá, ao ver que dera seis filhos a Yaakov, orou para que o próximo filho fosse uma menina, para que Rachel também pudesse ter um número igual de tribos. Em resposta à sua oração, o feto de Yosef e o de Diná foram trocados milagrosamente no ventre, e assim nasceu Diná — um ato de misericórdia divina e justiça maternal.


Os comentaristas, como Rashi (Bereshit 34:1), descrevem Diná como uma jovem curiosa e sociável, “uma filha que saía para ver as filhas da terra” — uma expressão que o Midrash interpreta como herança do caráter aberto e ativo de sua mãe, Leá, que também “saiu” ao encontro de Yaakov (Bereshit 30:16). Essa curiosidade, porém, foi interpretada pelos sábios como um traço neutro: a mesma qualidade de iniciativa que pode ser sagrada se direcionada ao bem, mas perigosa se exposta a más influências.


O relato mais conhecido sobre Diná encontra-se em Bereshit 34. Ao visitar as jovens de Shechem, foi raptada e violentada por Siquém ben Chamor, príncipe da cidade. O texto diz que Siquém “se apegou a Diná e falou-lhe com ternura”, sugerindo que ele desejava legitimá-la por meio do casamento.

Os irmãos de Diná — Shimon e Levi, filhos de Leá — reagiram com indignação e planejaram vingança. Fingiram aceitar a proposta de casamento com a condição de que todos os homens da cidade se circuncidassem. No terceiro dia, quando estavam enfraquecidos, os dois irmãos entraram na cidade e mataram todos os homens, libertando Diná (Bereshit 34:25-26).

Rashi, citando Bereshit Rabbah 80:10, explica que Diná foi levada à casa de Siquém e mantida em cativeiro até ser resgatada por seus irmãos. O Midrash Tanchuma (Vayishlach 8) enfatiza que Shimon a tirou pessoalmente e prometeu protegê-la, chegando a casar-se com ela posteriormente, para restaurar sua dignidade — um ato de responsabilidade familiar e expiação moral.


O Zôhar (Vayishlach 177b) vê uma dimensão mística nesse episódio: Diná representa a Shechiná, a presença divina exposta às forças impuras, e sua libertação simboliza a restauração da santidade de Israel. Por isso, o ato de Shimon e Levi não é somente vingança, mas também uma reparação espiritual — um tikun (retificação) contra a corrupção moral das nações de Canaã.

Outros comentaristas, como Ramban (Nachmânides), analisam o episódio sob um prisma ético e político: o erro de Siquém não foi somente individual, mas coletivo, pois toda a cidade consentiu com o crime, e por isso a punição foi coletiva.


O destino de Diná após o episódio é envolto em tradições variadas:

  • Midrash Bereshit Rabbah (80:11) relata que Diná teve uma filha de Siquém, chamado Asenat (Osnat). Quando Diná temeu a vergonha, Yaakov colocou a criança sob um arbusto fora do acampamento. Um anjo a levou para o Egito, onde foi adotada por Potifera, sacerdote de On. Mais tarde, essa mesma Asenat se casaria com Yosef (José) (Bereshit 41:45), seu meio-irmão por parte de mãe, unindo assim a linhagem de Diná com a futura liderança espiritual de Israel.
    → Assim, Diná é ancestral direta de Efraim e Menashé, tribos de Yosef, e portanto participa indiretamente na formação das Doze Tribos de Israel.
  • Seder Olam Rabbah e o Midrash HaGadol sugerem que Diná viveu longamente, permanecendo sob a proteção da família e sendo respeitada por sua piedade e força moral.

Na tradição judaica, Diná se tornou símbolo da mulher vulnerável diante da corrupção moral do mundo, mas também da possibilidade de redenção. Seu nome — “juízo” — é visto como reflexo da justiça divina que age através da história, mesmo em meio à dor. Os sábios ensinam que a tragédia de Diná advertiu Yaakov sobre os perigos da assimilação e reforçou a necessidade de proteger a santidade do lar israelita.

O Midrash Lekach Tov interpreta o episódio como uma lição sobre a responsabilidade coletiva: quando uma filha de Israel é profanada, todo o povo deve sentir a dor e buscar reparação — não pela violência, mas pela santificação dos valores.


Diná representa, para os mestres chassídicos, a alma judia que sai em busca de revelar santidade no mundo exterior. O Baal Shem Tov ensina que “cada Diná” em nós é a parte sensível e pura que precisa ser resgatada e reintegrada ao serviço de D’us (avodá). Sua história, portanto, não termina na tragédia, mas na transformação: a partir de sua descendência virá a continuidade do povo que revelará a luz divina até os confins da terra.


Fontes principais:

  • Tanach: Bereshit/Gênesis 30:21; 34:1–31; 41:45.
  • Rashi ad loc.
  • Bereshit Rabbah 72:1; 80:10–11.
  • Midrash Tanchuma, Vayishlach 8.
  • Ramban sobre Bereshit 34.
  • Zôhar, Vayishlach 177b.
  • Lekach Tov, Vayishlach.
  • Seder Olam Rabbah.

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Leitura Diária para 15 Iyar 5785

10–16 minutos

Chumash com Rebe

Parashá Emor, 3ª Alyah (Vayikra (Levítico) 22:17-22:33) 

Desqualificação de Sacrifícios por Causa de Defeitos

Terceira Leitura17 Deus falou a Moisés, dizendo:

18 “Fale a Arão, a seus filhos e a todos os israelitas e diga-lhes: ‘ Como vocês foram ensinados (Acima, 1:3, 10) a respeito de qualquer pessoa da casa de Israel ou dos convertidos entre Israel que oferece seu sacrifício por qualquer um de seus votos de sacrifício ou por qualquer uma de suas dedicações de sacrifício (Veja em 7:16, acima) para que ele possa oferecer a Deus como uma oferta de ascensão ,

19Ele oferecerá um animal que lhe trará o favor de Deus : o animal deverá ser um macho sem defeito, seja de gado bovino, ovino ou caprino. Se for uma ave, porém, não precisa ser macho nem sem defeito, mas sim que não tenha nenhum membro. (Acima, 1:14.)

20 Não ofereçam nenhum animal que tenha defeito, pois tal animal não alcançará o favor de Deus para com vocês.

21Também fostes ensinados (Acima, 3:1, 6) que, se um homem oferece uma oferta pacífica a Deus depois de fazer um voto de sacrifício ou como cumprimento de uma dedicação sacrificial , seja de gado ou de rebanho, então, para alcançar o favor de Deus , ela deve ser imaculada quando for consagrada ; não deve ter nenhuma mancha. E uma vez que o animal tenha sido consagrado, é proibido manchá-lo propositalmente, desqualificando-o assim para ser oferecido. (Rashi em Deuteronômio 14:3 ; Likutei Sichot , vol. 29, pág. 88, nota 2. Mishneh Torá , Isurei Mizbeiach 1:7.)

22Contudo, ainda não vos foi ensinado quais são os defeitos corporais que são considerados defeitos para esses fins. São os seguintes:

Quanto a um animal cego, que tenha um osso quebrado , uma pálpebra ou lábio fendido , verrugas, feridas secas ou feridas purulentas: (Rashi em 21:20, acima) você não deve oferecer nada disso a Deus, nem colocar nada disso sobre o altar como oferta queimada a Deus.

23 Quanto a um boi ou ovelha que tenha membros desiguais (por exemplo, um olho maior que o outro ou uma perna mais longa que a outra) ou cascos não fendidos (ou seja, anormalmente, já que bois e ovelhas normalmente têm cascos fendidos) , você pode usá-lo para cumprir uma dedicação sacrificial , doando-o ao Tabernáculo para que ele possa ser vendido e o lucro da venda seja usado para a manutenção ou reparo do Tabernáculo , mas ele não será aceito para cumprir um voto sacrificial .

24 Não ofereçam a Deus nenhum animal cujos testículos ou órgão reprodutor tenham sido esmagados à mão , totalmente esmagados à mão , desconectados dos canais seminais à mão ou cortados dos canais seminais com um instrumento , mesmo que o escroto ainda esteja intacto . Além disso, não façam nada que possa mutilar qualquer animal em sua terra (ou fora dela) dessa maneira, ou seja, castrá-lo .

25Os não judeus podem oferecer animais com defeito a Deus nos altares que eles mesmos erguerem, desde que esses animais não estejam sem nenhum membro. No entanto, se um não judeu desejar oferecer um sacrifício como voto ou dedicação, você não deverá oferecer nenhum animal com defeito desses tipos como “alimento” para o seu Deus, vindo de um gentio, pois tais animais são defeituosos por serem com defeito e, portanto, não serão eficazes para o gentio, assim como não alcançariam o favor de Deus para você se os oferecesse . Você pode, no entanto, aceitar animais sem defeito deles, como votos ou dedicações, para oferecer em seu favor no Tabernáculo.

A proibição de oferecer animais com defeitos inclui designar tais animais como sacrifícios, abatê-los como sacrifícios e aspergir seu sangue no Altar. ” (Rashi no v. 22, acima)

Tratamento de animais jovens

26 Deus falou a Moisés, dizendo:

27 “Quando um boi, uma ovelha ou uma cabra nasce, deve permanecer sob os cuidados de sua mãe por sete dias; será aceito como sacrifício para oferta queimada a Deus somente a partir do oitavo dia de vida . Esta regra não se aplica a animais nascidos por cesariana.

28Quanto ao equivalente feminino de um boi — ou seja, uma vaca — ou uma ovelha ou cabra fêmea: você não deve abatê-la e seus descendentes no mesmo dia , quer você abata a mãe ou seus filhotes primeiro . Isso se aplica independentemente de um dos animais ser abatido como sacrifício ou não. (Chulin 78a; Mishnê Torá , Shechitá 12:1-2. Cf. Deuteronômio 22:6-7)

A Oferta de Ação de Graças, continuação

29Vocês foram ensinados (Acima, 7:15) que uma oferta de ação de graças deve ser comida durante o dia em que é oferecida e/ou na noite seguinte. Além disso, quando vocês sacrificarem uma oferta de ação de graças a Deus, vocês devem abatê-la de tal forma que ela alcance o favor de Deus para vocês, ou seja,

30com a intenção de que seja comido naquele dia ou na noite seguinte ; não o mate com a intenção de deixá-lo para amanhã. Lembre-se de que eu , que estou lhe dando ordens sobre isso, sou Deus ; portanto, leve a sério as minhas instruções .

Martírio

31 Você deve guardar os Meus mandamentos , estudando-os cuidadosamente, e então os cumprir. Eu sou Deus , em quem se pode confiar para recompensá-lo por cumprir a Minha vontade (Rashi sobre Êxodo 6:2)

32 Não deves profanar o Meu santo Nome — isto é, menosprezar-Me na estima dos outros israelitas, consentindo em desobedecer aos Meus mandamentos — mesmo sob pena de morte . Se Eu achar conveniente, posso livrá-lo milagrosamente do martírio e, é verdade, fazer isso aumentaria a Minha estima ainda mais do que a tua disposição de morrer em vez de transgredir a Minha vontade. Mas não deves oferecer a tua vida com tal esperança, (Veja Daniel 3: 17-18) pois fazê-lo mancha a sinceridade da tua devoção e, portanto, não te resgatarei se ofereceres a tua vida na esperança de uma libertação milagrosa. Portanto, oferece a tua vida sem esperança de libertação para que Eu possa de facto resgatá-lo milagrosamente — se Eu achar conveniente — e, assim, ser santificado na estima dos observadores (Likutei Sichot, vol. 27, pp. 167-175)

Esta diretiva é obrigatória apenas quando você estiver entre outros israelitas — ou seja, na presença de dez judeus adultos do sexo masculino (Sanhedrin 74b) — e não quando estiver sendo ameaçado dessa forma em particular . Eu sou Deus, que vos santifica para serdes o Meu povo a todo custo , e

33 que vos tirou do Egito para que me aceiteis como vosso Deus incondicionalmente, mesmo que isso exija que entregueis a vossa vida . Eu sou Deus , em quem se pode confiar para vos punir por não cumprirdes este mandamento .”


Tehillim do Dia – Salmos

Capítulos 77-78

Salmo 77

O objetivo do nosso longo e doloroso exílio é nos castigar e levar ao arrependimento completo. Quando formos realmente dignos, Deus intervirá outra vez e nos libertará, como nos libertou do Egito.

  1. Ao mestre do canto, com “Iedutun”, um salmo de Assaf.
  2. Minha voz, em clamor, levarei ao Eterno; sim, minha voz alçarei e Ele me ouvirá.
  3. No dia de minha aflição, ao Eterno busquei; por toda a noite, sem cansar, estendi minhas mãos em súplica, e consolo recusa minha alma.
  4. Recordo, ó Eterno, dos tempos felizes de outrora, e geme meu coração e desfalece meu espírito.
  5. Manténs abertos meus olhos e, em minha aflição, não consigo falar.
  6. Reflito sobre os dias que já se foram, sobre os anos passados.
  7. Lembro melodias de canções, medito em meu íntimo e meu espírito inquire:
  8. “Irá Eterno nos desprezar para sempre? Não voltará a Se reconciliar?
  9. Acaso esgotou-se Sua misericórdia para sempre? Porventura anulou Sua promessa às gerações vindouras?
  10. Terá o Eterno olvidado da compaixão? Terá Sua ira bloqueado Sua benevolência?”
  11. E me respondo: “É minha a culpa por ter o Eterno mudado a posição de Sua Destra!.”
  12. Lembro os feitos do Eterno, recordo os atos maravilhosos do passado.
  13. Medito sobre Tuas obras e relato o que fizeste.
  14. Ó Eterno, santo é o Teu caminho; quem, como Tu, pode ser tão poderoso?
  15. Tu és o Deus que opera maravilhas e a todos os povos anuncias Teu poder.
  16. Com Teu braço redimiste Teu povo, os filhos de Jacob e José.
  17. As águas Te perceberam, ó Deus; elas Te viram e tremeram. Até os abismos fremiram.
  18. As nuvens despejaram suas águas, os céus trovejaram, foram lançadas Tuas setas.
  19. Propagou-se o som de Teu trovão, relâmpagos iluminaram o mundo, abalou-se e estremeceu a terra.
  20. No mar abriste Teu caminho, Tua trilha em meio as águas caudalosas, sem que Teus passos fossem percebidos.
  21. E, triunfalmente, pela mão de Moisés e Aarão, conduziste como um rebanho Teu povo da escravidão para a liberdade.

Salmo 78

O amor e a preocupação de Deus nos milagres de nossa história estão sempre presentes. Devemos preservar viva a memória destes eventos para sentir Sua proximidade, mesmo quando não está tão clara. Deixar de fazê-lo é origem de muitos pecados.

  1. Um “Maskil” de Assaf. Escuta, meu povo, a minha Torá; inclina teu ouvido às palavras que pronuncia minha boca.
  2. Contarei uma parábola e enunciarei enigmas de tempos que já passaram há muito.
  3. O que ouvimos e aprendemos, exposto por nossos pais,
  4. não ocultaremos a seus descendentes, até as mais longínquas gerações, relatando o louvor do Eterno e os atos maravilhosos que praticou em Seu poder.
  5. Um testemunho Ele estabeleceu para Jacob e uma Torá (Lei) para Israel, e ordenou que os transmitissem a seus filhos.
  6. Para que possam conhecê-los os componentes da última geração – para que os filhos que ainda não nasceram venham em seu tempo narrá-los a seus filhos.
  7. Assim saberão depositar suas esperanças no Eterno, não esquecerão os prodígios de Suas obras e saberão cumprir Seus mandamentos.
  8. Eles não se comportarão como seus pais, uma geração contumaz e rebelde, uma geração que não soube dedicar a Deus seu coração e cujo espírito não manteve fidelidade ao Eterno.
  9. Os filhos de Efraim, destros arqueiros, recuaram no decisivo dia da batalha,
  10. não guardaram o pacto com o Eterno e, sob Seus ensinamentos, se recusaram a andar,
  11. esquecendo Suas façanhas e as maravilhas que lhes mostrou.
  12. Diante de seus pais havia realizado prodígios nas terras do Egito, nos campos de Tsôan.
  13. Fendeu o mar e fê-los passar através dele, ergueu as águas, com elas formando muralhas.
  14. Conduziu-os com uma nuvem durante o dia e com uma coluna de fogo durante a noite.
  15. As rochas do deserto fendeu e dessedentou-os à satisfação.
  16. Fez com que do rochedo jorrasse água, abundante como a de um rio.
  17. Tornaram porém a pecar, rebelando-os contra o Altíssimo no deserto.
  18. Ousaram em seus corações submeter a testes o Eterno, pedindo a comida pela qual ansiavam,
  19. dizendo: “Poderá Ele prover uma mesa no deserto?
  20. De fato, feriu a rocha e dela fez jorrar água como um rio caudaloso. Entretanto, poderá prover pão e preparar carne para Seu povo?”
  21. Irou-Se o Eterno ao ouvi-los e um fogo acendeu-se contra Jacob, e Sua ira fez fluir contra Israel;
  22. porquanto Nele não creram e em Sua salvação não confiaram.
  23. Entretanto, deu às nuvens instruções e abriu as portas do céu,
  24. fazendo sobre eles chover o maná para comer, provendo-os com grãos celestes.
  25. Puderam comer o manjar dos céus; provisões em abundância Ele lhes enviou.
  26. Desencadeou no céu o vento do Oriente; com Seu poder fez soprar o vento do sul.
  27. Como se fora pó, fez sobre eles chover carne, e como areia dos mares, aves em quantidades intermináveis.
  28. Ao redor de suas moradas no meio do acampamento fê-las cair.
  29. Comeram, então, e muito se fartaram com o que Ele lhes trouxe, atendendo seu desejo.
  30. Ainda não se haviam saciado e comida havia ainda em suas bocas,
  31. quando contra eles se ergueu a ira do Eterno e causou a morte dos mais fortes entre eles, e aos escolhidos de Israel fez prostrar.
  32. Apesar disto, voltaram a pecar, descrendo em Suas maravilhas.
  33. Então Ele fez seus dias serem vãos e seus anos envoltos em terror.
  34. Somente quando já os fazia findar seus dias, O buscavam, se arrependiam e oravam ao Eterno.
  35. Recordavam então que o Eterno era sua Rocha, o Deus Altíssimo seu redentor.
  36. Mas tentavam seduzi-lo com suas palavras, Lhe mentiam com suas línguas.
  37. Não Lhe era dedicado seu coração, nem a Seu pacto eram fiéis.
  38. Mas Ele, o Misericordioso, perdoou a iniqüidade e não os destruiu; reteve muitas vezes Sua cólera, não acendendo contra eles toda Sua ira.
  39. Pois lembrou que eram apenas carne frágil, um sopro de vida que passa e acaba.
  40. Quantas vezes O provocaram no deserto e Lhe trouxeram dor e aflição!
  41. Vez por vez continuaram a pô-Lo à prova; do Santo de Israel exigiram sinais.
  42. Não se lembraram de Sua mão poderosa nem do dia em que os redimiu do atormentador,
  43. quando milagres realizou no Egito e Suas maravilhas praticou em Tsôan.
  44. Em como transformou em sangue os seus rios e fez suas torrentes de água não poderem ser bebidas;
  45. contra eles enviou bestas que devoravam e que os infestavam.
  46. Deu suas colheitas aos insetos, o fruto de seu trabalho ao gafanhoto;
  47. destruiu com granizo suas vinhas, e suas figueiras com a geada.
  48. Com granizo exterminou suas crias e com raios seus rebanhos;
  49. desfechou contra eles Sua cólera ardente, indignação e atribulações, uma legião de mortais mensageiros.
  50. Deu livre curso à Sua fúria; não poupou da morte sua alma, e seus corpos castigou com a peste.
  51. Abateu todos os primogênitos do Egito, as primícias das tendas de Chám.
  52. Conduziu então em jornada Seu povo, guiando-os através do deserto como se fossem um rebanho.
  53. Inspirou-lhes seguir para que não temessem, enquanto o mar cobria seus inimigos,
  54. e os trouxe à Sua santa terra, à montanha que Sua Destra conquistou.
  55. Expulsou ante eles vários povos, e acomodou as tribos de Israel em suas tendas, atribuindo a cada uma seu quinhão.
  56. Entretanto, novamente, se rebelaram contra o Altíssimo, e não cumpriram Seus preceitos.
  57. Afastaram-se de Seu caminho e foram rebeldes como seus pais; se deformaram como um arco empenado.
  58. Provocaram Sua ira com seus altares erigidos para idolatria, despertaram seu zelo com seus ídolos.
  59. Ante isto acendeu-se a ira do Eterno, e Ele rejeitou a Israel.
  60. Abandonou o tabernáculo de Shiló, a tenda que era Sua morada entre os homens.
  61. Permitiu que cativo se tornasse Seu poder – seus eleitos – e nas mãos de malévolos estivesse Sua glória.
  62. À espada entregou Sua nação, indignou-Se com o povo de Sua herança.
  63. O fogo consumiu Seus jovens, e Suas donzelas não tiveram cantos nupciais.
  64. Seus sacerdotes tombaram à espada, suas viúvas não entoaram lamentações.
  65. Então despertou o Eterno como de um sonho, como um guerreiro que o vinho impulsiona.
  66. Fez Seus inimigos baterem em retirada e sobre eles lançou desgraça eterna.
  67. Desprezou a tenda de José e não escolheu a tribo de Efraim.
  68. Escolheu, sim, a tribo de Judá, e o Monte Tsión que Ele tanto ama.
  69. E construiu Seu templo, elevado como os céus e firme como a terra, a que Ele assegurou a existência.
  70. Escolheu David, Seu servo, e o retirou de seu aprisco.
  71. Fez com que abandonasse as crias de seu rebanho e viesse pastorear a Jacob, Sua nação, a Israel, Sua possessão.
  72. Ele os governou com a retidão de seu coração, e com habilidade os passou a dirigir.

Deuteronômio 1:1-11 | O Mishnê Torá de Moisés

Por Antonio Marcio Braga Silva | Leitura: 3 Minutos

Estamos agora começando o quinto livro da Torá, Devarim! Este livro é diferente dos outros quatro! Ele é chamado de “Mishneh Torah”, que significa revisar a Torá, já que Moisés nosso mestre (que a paz esteja com ele) está revisando os mandamentos que os judeus aprenderam e os lembrando sobre o que aconteceu no deserto.

Todo esse livro é como um longo farbrengen (Ou seja, uma reunião chassídica) com os judeus, inspirando-os a fazer o que Hashem quer deles quando eles entrarem em na Terra de Yisrael. Mesmo que o próprio Moisés, nosso mestre (que a paz esteja com ele) não possa entrar, ele quer ter certeza de que os judeus estejam prontos para os novos desafios de viver na terra de Israel.

Moisés nosso mestre primeiro lembra os judeus sobre os erros que eles cometeram no deserto, para que eles não os cometam novamente.

A Torá nos diz onde Moisés disse isso — entre Paran e Tofel e Lavan e Chatzeirot e Di- Zahav. Esses parecem nomes de lugares — mas, na verdade eles estão sugerindo transgressões que os judeus fizeram no deserto. Em vez de envergonhá-los dizendo as transgressões claramente na leitura, eles são apenas sugeridos nesses “nomes”.

Por exemplo, dois dos lugares que o versículo diz são “Tofel e Lavan”. Mas realmente NÃO HÁ lugares com esses nomes! Esses lugares nos dão uma dica sobre como os judeus“ Taflu” — fez reclamações tolas sobre o Mahn, que era“ Lavan” — branco.

Então Moisés relembra como quando eles estavam no Monte Sinai, Hashem disse a eles para irem para Terra de Yisrael! Mas devido às coisas que eles fizeram, somente agora, 40 anos depois, os judeus estão prontos para ir para Terra de Yisrael. (Se os judeus não tivessem enviado os espiões, eles teriam conseguido entrar imediatamente, e nem precisariam lutar com os povos lá.)

Moisés também analisa com os judeus como o sistema de juízes começou.

Moisés percebeu que não pode ser o único juiz sobre os judeus. Hashem espera que os líderes garantam que cada judeu se comporte adequadamente e pune os líderes se eles não o fizerem. Moisés, nosso mestre(que a paz esteja com ele) percebeu que seria incapaz de fazer todo o trabalho sozinho — ele precisava ter mais juízes para ajudar CADA um dos judeus a fazer o que Hashem quer.

Ainda assim, Moisés está feliz que havia tantos judeus que eles não podem ser julgados por apenas uma pessoa. Moisés nosso mestre (Que a paz esteja com ele) dá aos judeus uma benção para que os judeus aumentem muito!


אַחֲרֵי הַכֹּתוֹ אֵת סִיחֹן מֶלֶךְ הָאֱמֹרִי . . . וְאֵת עוֹג מֶלֶךְ הַבָּשָׁן וגו’: (דברים א:ד)

[Moisés repreendeu o povo judeu] depois que ele feriu Sichon, rei dos amorreus . . . e Og, rei de Basã. Deuteronômio 1:4

As pessoas aceitam a repreensão mais prontamente após terem recebido algum benefício material da pessoa que deu a repreensão. Ao repreender alguém, estamos fazendo a ele um favor espiritual, então, ao preceder esse favor espiritual com um favor material, garantimos que ambas as partes se relacionem com a repreensão na luz adequada – em vez de considerá-la um ato de má vontade.

Por seu exemplo, Moisés nos mostrou que esse princípio se aplica mesmo quando o indivíduo ou grupo precisa de repreensão por um pecado tão grave quanto o de fazer o Bezerro de Ouro. Do exemplo de Moisés, aprendemos que devemos estender aos outros nossa ajuda mais completa – tanto material quanto espiritual – para colocá-los de volta no caminho correto da vida.

Ao ajudar os outros dessa forma, ganhamos a ajuda de D’us para encontrar nosso próprio caminho na vida, bem como Sua assistência para prover as necessidades materiais de nós mesmos e de nossos entes queridos. 

Fonte: Likutei Sichot, vol. 1, pp. 133–134; Sichot Kodesh 5737, vol. 1, pp. 155–161, pp. 367–369

Povo judeu e noaítas: sociedade moral e evitando o ódio

Por Rabino Moshe Bernstein

2–3 minutos

Na porção Matot Torah, D’us ordena que Moisés vá à guerra contra Midiã. “E D’us falou a Moisés, dizendo: ‘Vingue-se pelos Filhos de Israel contra os Midianitas, Moisés falou ao povo, dizendo que eles têm que lutar contra Midiã e executar a vingança de D’us contra Midiã. Esta guerra tinha que ser feita especificamente por meio de Moisés, e era necessário que ele fizesse isso. Por que a guerra contra Midiã está conectada a Moisés? A tribo de Levi geralmente era isenta de ir à guerra porque estava a serviço de D’us, mas nesta guerra, eles participaram. Por que era tão importante?

A palavra Midiã vem da raiz madon em hebraico, que significa “conflito”. Midiã é a essência do ódio de separação e da divisão. O ódio deles é sem razão e sem sentido algum. Eles simplesmente não suportam o outro, e a mera existência do outro é um insulto à existência de Midiã.

Enquanto as sete nações de Canaã representam as sete emoções negativas, Midiã é diferente delas. As sete emoções negativas são conquistáveis, como alguém que tem um motivo para não gostar de outro. No entanto, com Midiã, é uma história diferente, não há motivo — é puro ódio. Elas representam a essência e o cerne de todo o mal e ódio. Portanto, somente o poder de Moisés pode resistir a tal mal.

Em porções anteriores da Torá, é dito que os israelitas estavam atravessando o deserto, e alguns deles começaram a se envolver em comportamento imoral com as mulheres moabitas e midianitas. Esse ato de imoralidade resultou em muitas mortes entre os israelitas. O desvio do comportamento moral os levou ao erro. Esse evento serve como um aviso, ilustrando as consequências destrutivas da conduta imoral.

Portanto, não apenas o povo judeu, mas também os noaítas são obrigados a manter uma sociedade moral e evitar ações imorais, além de evitar o ódio e seus efeitos destrutivos, como podemos aprender com o evento da guerra contra Midiã.


Por Rabino Moshe Bernstein

O Rabino Moshe Bernstein é um escritor e um Rabino Comunitário em Netanya, Israel. Ele acredita em fazer conexões entre o Povo Judeu e os Noahides em todo o mundo para compartilhar e aumentar o conhecimento do Código Universal da Torá para a Humanidade e cumprir a Profecia de Isaías 11:9 “E o mundo será preenchido com o conhecimento de D’us como as águas cobrem os oceanos”.