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Leitura diária para 8 Shevat 5786

6–10 minutos

Parashat Beshalach – 2ª Alyá (Êxodo 14:9–14:14)

(14:9) E os Mitsrim os perseguiram, e todos os cavalos e carros de Par‘oh, seus cavaleiros e seu exército, alcançaram-nos acampados junto ao mar, junto a Pi-Hachirot, diante de Ba‘al-Tsefon; (14:10) e Par‘oh se aproximou, e os filhos de Yisrael levantaram os seus olhos, e eis que Mitsrayim marchava atrás deles, e temeram muito, e os filhos de Yisrael clamaram a Hashem; (14:11) e disseram a Moshe: “Foi por não haver sepulturas em Mitsrayim que nos tomaste para morrer no deserto? Que é isto que nos fizeste, fazendo-nos sair de Mitsrayim?; (14:12) não é esta a palavra que te falamos em Mitsrayim, dizendo: ‘Deixa-nos, e sirvamos aos Mitsrim’, pois melhor nos fora servir aos Mitsrim do que morrer no deserto”; (14:13) Moshe disse ao povo: “Não temais; permanecei firmes e vede a salvação de Hashem, que Ele fará por vós hoje, pois aos Mitsrim que vedes hoje nunca mais os vereis para sempre; (14:14) Hashem pelejará por vós, e vós vos calareis”.


Tehillim do Dia – Salmos

Capítulos 44-48

Salmo 44

Com uma visão profética abrangente que retrata os eventos até a era moderna, o salmista deu a Israel um cântico para guiar, fortalecer e acompanhá-lo em suas andanças pelo tempo.

  1. Ao mestre do canto, dos filhos de Côrach, um “Maskil”.
  2. Nossos ouvidos escutaram maravilhados o que nos contaram nossos pais sobre os feitos que por eles realizaste, ó Deus, no passado e em dias já distantes.
  3. Como, com Tua própria mão, expulsaste nações para nossos pais estabelecer, e abateste povos para que se pudessem expandir.
  4. Não por suas espadas e nem por sua força herdaram a terra, mas tão somente pela Tua Destra, Teu braço e a luz de Teu semblante, com os quais os agraciaste.
  5. Tu és o meu Rei, ó Eterno; ordena pois a redenção de Jacob.
  6. Só com Tua ajuda conseguiremos repelir os opressores; por Teu Nome destruiremos os que se erguem contra nós.
  7. Minha confiança não se baseia em meu arco, e sei que não por minha espada serei salvo.
  8. Tu nos livraste de nossos inimigos, e aos que nos odeiam, humilhaste.
  9. A Ti louvamos todo dia; a Teu Nome agradecemos continuamente.
  10. Agora, entretanto, nos rejeitaste e envergonhaste, e não marchas com nossas legiões.
  11. Fizeste-nos retroceder ante o inimigo e deixaste que fôssemos saqueados por nossos adversários.
  12. Nos entregaste como um rebanho a ser devorado, e entre muitos povos nos dispersaste.
  13. Por um nada, vendeste Teu povo; nem lhe valorizaste o preço.
  14. Opróbrio nos tornaste perante nossos vizinhos, motivo de escárnio e zombaria para os que nos rodeiam.
  15. Um exemplo desprezível entre os povos, uma abominação entre as nações.
  16. Não me abandona a humilhação, e o meu rosto enrubesce de vergonha
  17. ante as injúrias e os insultos que me dirigem inimigos vingativos.
  18. Mesmo assim, não Te olvidamos nem abandonamos a fidelidade à Tua Aliança.
  19. Não desfaleceram nossos corações, nem de Teu caminho se desviaram nossos passos.
  20. Mesmo nos sentindo esmagados, como se os monstros das profundidades nos atacassem, ou encobertos pelas sombras da morte,
  21. não esquecemos Teu Nome nem estendemos nossas mãos a deuses estranhos.
  22. Acaso disto não Se aperceberá o Eterno, Ele que conhece os segredos de todos os corações?
  23. Por Tua causa e por honrar Teu Nome somos mortos a cada dia, e encarados como um rebanho no matadouro.
  24. Desperta, ó Eterno! Por que pareces dormir? Ergue-Te! Não nos abandones jamais.
  25. Por que ocultas Tua face e ignoras nossa opressão e sofrimento?
  26. Prostrada até o pó está nossa alma; desfalecido sobre o chão jaz nosso corpo.
  27. Levanta-Te, vem em nossa ajuda e nos redime por Tua imensa magnanimidade.

Salmo 45

Este Salmo descreve o esplendor e a soberania do Messias, descendente de David, ou dos verdadeiros eruditos da Torá.

  1. Ao mestre do canto, sobre “Shoshanim”, dos filhos de Côrach, um “Maskil”, uma canção de amor.
  2. Sussurra meu coração palavras belas; ao rei dedico meu poema e que seja minha língua como a pena ágil de um sábio escriba.
  3. Mais formoso és que todos os homens; tuas palavras são pronunciadas envoltas em graça; certamente uma bênção eterna te concedeu o Altíssimo.
  4. Cinges tua espada ao flanco, ó herói, em teu esplendor e glória.
  5. Conquistarás vitórias, pois cavalgas pela causa da verdade, da humildade e da justiça; que tua destra te conduza a realizar feitos maravilhosos.
  6. Tuas afiadas setas penetrarão nos corações dos inimigos do rei.
  7. A teus pés se submeterão muitos povos. Teu trono, estabelecido por Deus, é eterno, e retidão é o cetro da tua realeza.
  8. Amas a justiça e abominas a maldade e, por isso, o Eterno, teu Deus, te ungiu com óleo de júbilo dentre todos os teus pares.
  9. Mirra, aloés e cássia exalam de tuas vestes; de palácios de marfim, instrumentos musicais entoam para ti melodias.
  10. As filhas dos reis te visitam prestando honras e, à tua direita, se posta a rainha ornamentada com jóias de Ofir.
  11. Escuta, ó jovem, percebe e inclina teu ouvido; esquece teu povo e a casa de teu pai.
  12. E assim encantará tua beleza o rei, e sendo ele teu senhor, inclina-te perante ele.
  13. A ti, filha de Tiro, os poderosos cortejarão com seus presentes.
  14. Mais que em suas vestimentas recobertas de ouro, está em seu interior a dimensão de sua honra.
  15. Com trajes recobertos de bordado é conduzida ao rei; virgens de seu séquito a acompanharão,
  16. e com regozijo e alegria entrarão no palácio do rei.
  17. Teus filhos sucederão teus pais, como líderes por toda a terra.
  18. Em todas as gerações lembrarei teu nome e eternamente hão de te louvar todas as nações.

Salmo 46

Na convulsão que acompanhará a era messiânica, Deus será o abrigo de Israel como Ele O é para o angustiado que Nele busca apoio.

  1. Ao mestre do canto, dos filhos de Côrach, um salmo sobre “Alamót”.
  2. Deus é nossa proteção e nossa força, auxílio sempre presente ante os infortúnios.
  3. Mesmo que estremeça a terra ou desabem os montes sobre o coração dos mares, nada temeremos,
  4. ainda que se encrespem as águas e se lancem com fúria contra os rochedos.
  5. Afluentes de um tranqüilo rio banharão com alegria a cidade do Eterno, a sagrada morada do Altíssimo.
  6. Nela habita o Eterno e, por isso não poderá ser atingida; ao romper da aurora Ele virá em seu socorro.
  7. Agitam-se nações e cambaleiam impérios, pois ao elevar Sua voz abalará toda a terra.
  8. Que o Eterno dos exércitos esteja sempre conosco! Que nossa fortaleza seja o Deus de Jacob!
  9. Vinde e percebei as obras do Eterno que espalhou desolação na terra.
  10. Fez parar as guerras em todos os confins da terra, quebrou arcos e partiu lanças, e em chamas destruiu os carros de combate.
  11. “Cessai! Sabei que Eu, o Eterno, elevar-Me-ei acima de todos os povos da terra.”
  12. Que o Eterno dos exércitos esteja sempre conosco! Que nossa fortaleza seja o Deus de Jacob!

Salmo 47

A soberania de Deus será reconhecida e aceita pela humanidade. As nações procurarão Israel que espalhou através dos tempos o conhecimento do verdadeiro Deus, apesar das campanhas contrárias. E vai ensinar-lhes o caminho adequado para servi-lo.

  1. Ao mestre do canto, dos filhos de Côrach, um salmo.
  2. Vós, ó todos os povos, aplaudi! Aclamai a Deus com vozes de júbilo!
  3. Porquanto o Eterno, o Altíssimo, é excelso; Ele é o grande Rei sobre toda a terra.
  4. Povos a nós submeteu, e nações colocou sob os nossos pés.
  5. Ele escolherá a nossa herança, o esplendor de Jacob a quem Ele ama!
  6. Eleva-se Deus ao som da “Teruá”, o Eterno – na voz do “Shofar”.
  7. Entoai salmos a Deus! Cantai ao nosso Rei, elevai-Lhe preces!
  8. Porque Deus é Rei em toda a terra; entoai-Lhe hinos com harmonia.
  9. Deus reina sobre todas as nações; Deus está no trono de Sua santidade.
  10. Os príncipes dos povos se reuniram ao povo do Deus de Abrahão; reconheceram que ao Eterno obedecem todos os guardiões da terra. Magnificente é Sua grandeza!

Salmo 48

Este Salmo descreve a beleza e eternidade de Jerusalém, glorificada por ter sido escolhida por Deus para local do Templo e maior manifestação de Sua Presença.

  1. Cântico e salmo dos filhos de Côrach.
  2. Grandioso é o Eterno, e todos os louvores Lhe são dirigidos em Sua cidade, em Seu santo monte.
  3. O monte Tsión é a mais bela visão, alegria de toda terra, que se ergue ao norte da cidade do grande rei (David).
  4. Em seus palácios se fez o Eterno conhecer como baluarte inexpugnável.
  5. Pois agruparam-se reis e contra ele marcharam juntos.
  6. Mas ao vê-lo, se conturbaram e, perturbados, fugiram.
  7. Um tremor deles se apoderou em convulsões, como as de uma mulher que está por dar à luz.
  8. Com o vento oriental, Ele destroça as naus de Tarshish.
  9. Como ouvimos, assim pudemos isto ver na cidade do Eterno dos exércitos, na cidade de nosso Deus; pois para sempre Ele a consolidará.
  10. Sobre Tua benevolência meditamos em Teu Templo.
  11. Como Teu Nome, assim também Teu louvor alcança os confins da terra; de retidão está repleta a Tua Destra.
  12. Por Teus juízos, alegre-se o monte de Tsión e as filhas de Judá.
  13. Percorrei toda Tsión, andai à sua volta, contai suas torres.
  14. Contemplai suas muralhas, examinai seus palácios para narrar o que viste às gerações vindouras.
  15. Pois este é o nosso Deus para todo o sempre; e é Ele que nos guiará mesmo além da vida.

História e Significado de Chanucá

3–4 minutos


Data: Começa em 25 de Kislev e dura 8 dias

Durante a era do Segundo Templo em Jerusalém (aproximadamente 165 AEC.), os governantes gregos sob o domínio selêucida (Antíoco IV Epífanes) tentaram erradicar a fé judaica, proibindo a observância do Shabat, a circuncisão e o estudo da Torá (1 Macabeus 1:41–50; Meguilat Ta’anit 9). Eles profanaram o Templo Sagrado com ídolos (1 Macabeus 1:54), obrigando os judeus a se curvarem a deuses estrangeiros sob pena de morte.
A família Hashmonáim (Macabeus), liderada por Matitiahu e seus filhos, reagiu com coragem e fé. O Talmud relata que, por mérito dessa fidelidade, um pequeno grupo de judeus devotos venceu os poderosos exércitos gregos — um milagre militar sem precedentes (Shabat 21b; Midrash Ma’aseh Chanucá).
Após libertarem Jerusalém, purificaram o Templo e reconsagraram o altar. A palavra “Chanucá” vem de chinuch — dedicação. Eles procuraram óleo puro para reacender a chanukiá, mas encontraram apenas uma pequena botija selada com o selo do Sumo Sacerdote, suficiente para um único dia. Milagrosamente, o óleo ardeu por oito dias, até que novo óleo pudesse ser produzido (Talmud Bavli, Shabat 21b).
Esse milagre, explica o Rambam (Hilchot Chanucá 3:1–3), simboliza que “D’us realiza Sua vontade por meio dos que confiam n’Ele”, e demonstra que a luz divina (a sabedoria da Torá) jamais se apaga diante da escuridão da lógica humana desvinculada do espírito.

A batalha ideológica: luz contra razão sem fé
Os gregos não buscavam apenas dominar militarmente, mas impor uma filosofia racionalista que negava o valor do Divino acima da razão (Midrash Shmuel sobre Pirkei Avot 2:19; Sefer HaMaamarim 5708). Eles diziam: “Aceitem apenas o que faz sentido!” — rejeitando os chukim, mandamentos que ultrapassam a lógica humana, como os de pureza ritual (Bamidbar 19:2; Rashi ad loc.).
O Rebe de Lubavitch (Likutei Sichot, vol. 10, p. 141) explica que esse foi o verdadeiro conflito de Chanucá: a batalha entre a sabedoria humana autônoma e a sabedoria divina revelada. Por isso, o milagre foi com a luz da chanukiá, símbolo do intelecto iluminado pela Torá — a Or HaTorá, a luz da sabedoria divina que transcende e ilumina a razão.
Assim, Hanucá ensina que a fé deve guiar a razão, e não o contrário. O mundo grego acreditava que o homem é o centro; a Torá ensina que o centro é D’us (Mishnê Torá, Yesodei HaTorá 1:1–2).

Relevância para os Bnei Noach
O Rambam (Hilchot Melachim 8:10–11) ensina que os Bnei Noach têm a missão de reconhecer D’us e cooperar com Israel na construção de um mundo justo e iluminado. Durante Hanucá, essa participação simbólica é relembrada, pois as nações contribuíram para os Templos anteriores (Ezra 6:8–10; 1 Reis 5:6) e, segundo o profeta, virão ao Templo futuro para adorar o Único D’us (Zacarias 14:16–19).
No plano espiritual, o Zôhar (I, 152a) afirma que cada vez que os judeus acendem as luzes de Hanucá, uma luz espiritual desce sobre o mundo inteiro — e os justos entre as nações também recebem dessa iluminação. Assim, Hanucá representa um momento de reconsagração universal à luz divina, um eco da futura redenção messiânica (Rashi a Zacarias 14:9).
Celebração pública e familiar
O Rambam (Hilchot Chanucá 4:12) escreve que o acendimento público das luzes é uma das maiores expressões de pirsumei nissa — divulgação do milagre — e deve ser feito com alegria e união comunitária.
Por isso, os Bnei Noach são encorajados a organizar encontros públicos, palestras e celebrações familiares, ensinando o significado de Chanucá como um testemunho da fidelidade à luz da Torá contra as trevas do materialismo e da idolatria.
As crianças devem ser especialmente lembradas — pois foi por mérito delas que muitos milagres ocorreram (Midrash Pesikta Rabbati 2). É costume oferecer pequenos presentes diários e contar histórias de coragem, fidelidade e fé.
Essas práticas não substituem mandamentos, mas conectam os Bnei Noach ao espírito universal de Chanucá, servindo também como antídoto ao feriado pagão de Natal, proibido por estar associado à idolatria (Rambam, Hilchot Avodá Zara 9:4; Shulchan Aruch, Yoreh De’ah 149).

Conclusão
Hanucá é a festa da luz espiritual sobre a escuridão racionalista, da fidelidade sobre a assimilação, e da verdade divina sobre a lógica humana limitada.
Como diz o Rebe de Lubavitch (Sichot Kodesh 5741, vol. 2):
“Cada chama de Hanucá ilumina não apenas a casa, mas o mundo inteiro. É a vitória da fé que transcende o intelecto sobre a mente que se julga o centro.”


27 de Cheshvan: O Dia da Humanidade

3–5 minutos

O recomeço universal que moldou a civilização

No calendário judaico, poucas datas carregam um simbolismo tão profundo e universal quanto 27 de Cheshvan. Trata-se do dia em que, segundo Bereshit (Gênesis 8:14–16), Noach e sua família deixaram a arca, após 365 dias de isolamento, destruição e purificação da Terra pelo Dilúvio. Esse momento não é apenas o fim de uma catástrofe; é o início de um novo capítulo da humanidade.

Enquanto muitas datas do calendário judaico são específicas ao povo de Israel, 27 de Cheshvan pertence a toda a humanidade, porque marca o dia em que todos nós — descendentes de Noach — recebemos uma nova chance e uma missão moral que ecoa até hoje.


1. Um mundo que renasce das águas

O texto de Bereshit descreve que “a terra estava seca”, mas a mensagem vai muito além da condição física do solo. A secura simboliza uma janela aberta para o recomeço, um convite para reconstruir o mundo não apenas em termos materiais, mas morais, éticos e espirituais.

O Midrash explica que o mundo pré-diluviano havia se corrompido pela violência, depravação, idolatria e injustiça (Bereshit Rabbah 28). A civilização humana havia quebrado sua relação com o Criador e com o próximo. Por isso, o Dilúvio não é visto como punição arbitrária, mas como uma limpeza necessária para restaurar a harmonia da criação.

Quando Noach pisa novamente na terra firme, ele não representa apenas uma família sobrevivente; representa a própria humanidade renascida.


2. A aliança universal e o arco-íris

É neste dia que D’us estabelece com Noach a primeira grande aliança da história — uma aliança não com uma nação, mas com toda a humanidade.

Esta aliança possui três dimensões:

a) Ética

Os Sábios explicam que neste momento, a humanidade recebe os Sete Mandamentos de Noach, um código moral eterno que se aplica a todos os povos:

  1. Rejeitar a idolatria;
  2. Não blasfemar;
  3. Não derramar sangue;
  4. Não cometer imoralidades sexuais;
  5. Não roubar;
  6. Não praticar crueldade com animais;
  7. Estabelecer justiça.

Esses princípios são, como ensina o Rambam (Hilchot Melachim 8–9), os pilares da civilização.

b) Espiritual

O arco-íris é apresentado como o selo visível da aliança.
Cada cor simboliza um aspecto da misericórdia divina — a lembrança de que D’us sustenta a criação apesar das falhas humanas.

c) Universal

A aliança é feita “com toda criatura vivente” (Gênesis 9:12), incluindo animais.
Isso mostra que o cuidado e a responsabilidade humana se estendem para além do próprio homem, abrangendo toda a biosfera.


3. Por que 27 de Cheshvan é o Dia da Humanidade?

Porque foi o dia em que recebemos:

  • uma nova vida,
  • uma nova ética,
  • uma nova missão,
  • e um novo pacto de esperança.

É o dia em que D’us devolveu o mundo ao ser humano, dizendo:

“Reconstrua. Faça melhor do que antes. Viva com propósito.”

Enquanto muitas datas celebram eventos locais ou nacionais, 27 de Cheshvan celebra aquilo que todos os seres humanos têm em comum:
a dignidade de sermos criados à imagem de D’us e a responsabilidade de agir segundo essa imagem.

É por isso que esta data é, com justiça, chamada de Dia da Humanidade — o nascimento da civilização moral.


4. Lições para o mundo contemporâneo

a) A humanidade continua precisando recomeçar

Assim como o mundo pré-diluviano caiu em corrupção, o mundo atual enfrenta:

  • violência urbana,
  • ganância globalizada,
  • polarização,
  • degradação ambiental,
  • abusos e injustiças sistêmicas.

O chamado feito a Noach — “Sai da arca e reconstrói” — vale igualmente para nós.

b) A ética universal é mais necessária do que nunca

Os Sete Mandamentos não são apenas regras religiosas.
São a base mínima para qualquer sociedade que deseja viver em paz.

Eles garantem:

  • vida,
  • justiça,
  • respeito,
  • limites,
  • responsabilidade,
  • e dignidade.

c) Cada pessoa é uma arca em miniatura

Assim como Noach protegeu vidas dentro da arca, nós também temos a responsabilidade de ser abrigos de bondade, proteção e compaixão.


5. O que podemos fazer neste dia?

Para quem deseja viver como Bnei Noach, ou simplesmente como seres humanos éticos e conscientes, 27 de Cheshvan é um convite para:

  • refletir sobre a própria conduta;
  • reparar relacionamentos;
  • fortalecer a justiça;
  • praticar compaixão;
  • assumir responsabilidade pela paz;
  • promover os valores da aliança universal.

Mais do que comemorar uma data, é renovar um compromisso com o Criador e com o próximo.


Conclusão — O arco-íris ainda está no céu

O que começou no 27 de Cheshvan continua vivo.
Enquanto houver arco-íris, haverá esperança.

Este dia nos lembra de que:

  • a humanidade pode cair,
  • mas também pode renascer;
  • pode destruir,
  • mas também pode reconstruir;
  • pode se perder,
  • mas também pode reencontrar o caminho da justiça.

O chamado de Noach ecoa para cada geração:
“Reconstrua o mundo com dignidade, bondade e responsabilidade.”

Que possamos responder a esse chamado com coragem e propósito.

O que não te contaram sobre a Reforma Protestante: A Inquisição Protestante

8–12 minutos

Um ponto normalmente omitido é que os Protestantes também empreenderam uma Inquisição totalmente submissa ao Poder Político da época. Os historiadores geralmente se referem apenas à inquisição católica e se silenciam hipocritamente sobre os eventos ocorridos nos territórios protestantes.

Os primeiros protestantes não eram distingüidos por serem os “campeões da liberdade de opinião” como querem nos fazer crer. Eles, que clamavam pela liberdade religiosa nos países católicos, em seus territórios suspendiam rapidamente a celebração de qualquer rito religioso e obrigavam os cidadãos, por lei, a assistir obrigatoriamente os cultos reformados; também destruíam templos católicos, sinagogas, igrejas valdenses, anabatistas, além de assassinarem bispos, sacerdotes, rabinos, imanis, e qualquer outros líderes religiosos.

Citaremos apenas alguns exemplos (já que [quase] todas as fontes pesquisadas apenas se referem à inquisição católica e nenhuma a [inquisição] protestante):

– Registre-se o massacre dos monges da Abadia de São Bernardo de Brémen, no séc. XVI: os monges foram assassinados ou desfolados, atirando-lhes sal na carne viva, sendo a seguir pendurados no campanário por bandos protestantes.

– Seis monges cartuxos e o bispo de Rochester, na Inglaterra protestante, foram enforcados em 1535.

– Henrique VIII mandou queimar milhares de católicos, anabatistas, e judeus no séc. XVI (mas foi sua filha, Maria, que acabou recebendo o título de “Maria, a sanguinária”!).

– João Servet, o descobridor da circulação do sangue, foi queimado em Genebra, por ordem de Calvino.

– Quando Henrique VIII iniciou a perseguição protestante existiam mais de 1.000 (mil) líderes religiosos na Irlanda, dos quais apenas 02 (DOIS) sobreviveram à perseguição.

– Na época da imperadora protestante Isabel, cerca de 800 (oitocentos) líderes religiosos eram assassinados por ano.

– Um ato do Parlamento inglês decretou, em 1652, que: “Cada líder religioso que não fosse protestante deveria ser pendurado, decapitado e esquartejado e tivesse sua cabeça exposta em um poste em local público”.

– Na Alemanha luterana, os anabatistas, valdenses, cátaros e os judeus eram cozidos em sacos e atirados nos rios.

– Na Escócia presbiteriana de John Fox, durante um período de seis anos, foram queimadas mais de 1.000 (mil) mulheres SUPOSTAMENTE acusadas de feitiçaria.

– Nas cidades conquistadas pelo “Protestantismo”, os católicos tinham que abandoná-las, deixando nelas todas as suas posses ou então converter-se ao Protestantismo; se fossem descobertos celebrando qualquer outro rito que não o protestante, eram apenados com a morte.

É um mito a afirmação de que a prática da tortura foi uma arma apenas católica na Inquisição. Janssen, um escritor desse período, cita uma testemunha que afirma:

“O teólogo protestante Meyfart descreve a tortura que ele mesmo presenciou: ‘Um espanhol e um italiano foram os que sofreram esta bestialidade e brutalidade. Nos países católicos não se condena um assassino, um incestuoso ou um adúltero a mais de uma hora de tortura. Porém, na Alemanha [protestante] a tortura é mantida por um dia e uma noite inteira; às vezes, até por dois dias (…); outras vezes, até por quatro dias e, após isto, é novamente iniciada (…) Esta é uma história exata e horrível, que não pude presenciar sem também me estremecer”.

O mesmo Janssem nos fornece este outro dado:

“Em Augsburgo, na Alemanha, no ano 1528, cerca de 170 anabatistas de ambos os sexos foram aprisionados por ordem do Poder Público. Muitos deles foram queimados vivos; outros foram marcados com ferro em brasa nas bochechas ou suas línguas foram cortadas. [Ainda] em Augsburgo, no dia 18 de janeiro de 1537, o Conselho Municipal publicou um decreto em que se proibia o culto católico e se estabelecia o prazo de 8 dias para que os católicos abandonassem a cidade; ao término desse prazo, soldados passaram a perseguir os que não aceitaram a nova fé. Igrejas e mosteiros foram profanados, derrubando-lhes as imagens e os altares; o patrimônio artístico-cultural foi saqueado, queimado e destruído”.

Isso mesmo meu amigo Protestantes matando Protestantes apenas por divergência de opinião.

Frankfurt, também na Alemanha, emitiu uma lei semelhante e a total suspensão de qualquer culto que não fosse protestante, foi estendida a todos os estados alemães.

– Em 1530, em seus “Comentários ao Salmo 80”, Lutero aconselhava aos governantes que aplicassem a pena de morte a todos os hereges. Ou seja herege aqui seriam todos que não fossem protestante.

O Saque de Roma foi um dos episódios mais sangrentos do Renascimento. No dia 6 de maio de 1527, os membros das legiões luteranas do exército imperial de Carlos V promoveram um levante e tomaram de assalto a cidade de Roma. Cerca de 18.000 lansquenetes foram lançadas durante semanas contra a pior das repressões, ocasionando um rio de sangue costumeiramente “esquecido” pelos historiadores, que não lhe prestam a devida atenção. Um texto veneziano [contemporâneo] afirma sobre este saque que: “o inferno não é nada quando comparado com a visão da Roma atual”. Os soldados luteranos nomearam Lutero “papa de Roma”.

Eis mais alguns fatos [desse episódio] que a história de alguns “eruditos” se omite covardemente:

– Todos os doentes do Hospital foram massacrados em seus leitos.

– Dos 55.000 habitantes de Roma, sobreviveram apenas 19.000.

– O resgate foi da ordem de 10 milhões de ducados (uma soma astronômica naquela época).

– Os palácios foram destruídos por tiros de canhões com os seus habitantes dentro.

– O rio [Tibre] carregou centenas de cadáveres de mulheres e crianças violentadas (muitas com lanças incrustadas em seu sexo).

Ninguém fala deste horror brevemente expresso nas linhas acima. Mas basta consultar qualquer livro honesto e transparente sobre a história documentada. O mundo se cala – como se cala ainda perante o assassinato silencioso de milhares de pessoas por fundamentalistas muçulmanos, etc, não excluindo os [assassinatos] ocasionados pelo totalitarismo de [Fidel] Castro, o genocídio de Pol-Pot e a pérfida perseguição [das autoridades da] China.

Em seu folheto “Contra a Horda dos Camponeses que Roubam e Assassinam”, Lutero dizia aos príncipes:

“Empunhai rapidamente a espada, pois um príncipe ou senhor deve lembrar neste caso que é ministro de Deus e servidor da Sua ira (Romanos 13) e que recebeu a espada para empregá-la contra tais homens (…) Se pode castigar e não o faz – mesmo que o castigo consista em tirar a vida e derramar sangue – é culpável de todos os assassinatos e todo o mal que esses homens cometerem”.

Em julho de 1525, Lutero escrevia em sua “Carta Aberta sobre o Livro contra os Camponeses”:

“Se acreditam que esta resposta é demasiadamente dura e que seu único fim e fazer-vos calar pela violência, respondo que isto é verdade. Um rebelde não merece ser contestado pela razão porque não a aceita. Aquele que não quer escutar a Palavra de Deus, que lhe fala com bondade, deve ouvir o algoz quando este chega com o seu machado (…) Não quero ouvir nem saber nada sobre misericórdia”.

Sobre os judeus, assim dizia em suas famosas “Cartas sobre a Mesa”:

“Quem puder que atire-lhes enxofre e alcatrão; se alguém puder lançá-los no fogo do inferno, tanto que melhor (…) E isto deve ser feito em honra do Senhor e do Cristianismo. Sejam suas casas despedaçadas e destruídas (…) Sejam-lhes confiscados seus livros de orações e talmudes, bem como toda a sua Bíblia. Proíba-se seus rabinos de ensinar, sob pena de morte, de agora em diante. E se tudo isso for pouco, que sejam expulsos do país como cães raivosos”.

Willibald Pirkheimer afirmou, em 1529, sobre a Reforma:

“Não nego que no princípio todas as atitudes de Lutero não pareciam ser vãs, pois a nenhum homem comprazia todos aqueles erros e imposturas que foram graduamente acumulados no Cristianismo. Por isso eu esperava, junto com outros, que era possível aplicar algum remédio a tão grandes males; porém, fui cruelmente enganado, pois antes que se extirpassem os erros anteriores foram introduzidos muitos outros, mais intoleráveis que, comparados com os outros, faziam estes parecer jogos de crianças (…) As coisas chegaram a tal ponto que os defensores papistas parecem virtuosos quando comparados com os evangélicos (…) Lutero, com sua língua despudorada e incontrolável, deve ter enlouquecido ou ser inspirado por algum espírito maligno”.

[Passemos agora para o] pensamento e a obra de outros pais da Reforma. Calvino também não foi um exemplo de caridade, como vemos em [sua Carta ao Duque de Somerset, protetor da Inglaterra durante a minoridade de Eduardo VI]:

“Pessoas que persistem nas superstições (…) devem ser reprimidas pela espada [que lhe foi confiada]”.

Em 1547, James Gruet se atreveu a publicar uma nota criticando Calvino e foi preso, torturado no potro duas vezes por dia durante um mês e, finalmente, sentenciado à morte por blasfêmia; seus pés foram pregados a uma estaca e sua cabeça foi cortada.

Os irmãos Comparet, em 1555, foram acusados de libertinagem e executados e esquartejados; seus restos mortais foram exibidos em diferentes partes de Genebra.

Melanchton, o teólogo da Reforma [luterana], aceitou ser o presidente da inquisição protestante que perseguiu anabatistas, Valdenses e Judeus. Como justificativa, disse: “Por que precisamos ter mais piedade com essas pessoas do que Deus?”, convencido de que os anabatistas arderiam [no fogo] do inferno…

A inquisição luterana foi implantada com sede na Saxônia, com Melanchton como presidente. No final de 1530, apresentou um documento em que defendia o direito de repressão à espada contra os anabatistas; e Lutero acrescentou de próprio punho uma nota em que dizia: “Isto é de meu agrado”.

Zwínglio, em 1525, começou a perseguir os anabatistas de Zurique. As penas iam desde o afogamento no lago ou em rios até a fogueira.

John Knox, pai do presbiteranismo, mandou queimar na fogueira cerca de 1.000 mulheres acusadas de bruxaria na Escócia.

Acerca da Reforma [Protestante], disse Rosseau:

“A Reforma foi intolerante desde o seu berço e os seus autores são contados entre os grandes repressores da Humanidade”.

Em sua obra “Filosofia Positiva”, escreveu:

“A intolerância do Protestantismo certamente não foi menor do que a do Catolicismo e, com certeza, mais reprovável”.

A violência não foi exercida apenas contra os católicos; na verdade, os reformadores foram enormemente violentos entre eles mesmos, como percebemos nas opiniões que emitiram entre si:

– Lutero diz: “Ecolampaio, Calvino e outros hereges semelhantes possuem demônios sobre demônios, têm corações corrompidos e bocas mentirosas”.

– Por ocasião da morte de Zwínglio (1531), Lutero afirmou: “Que bom que Zwínglio morreu em campo de batalha! A que classe de triunfo e a que bem Deus conduziu os seus negócios!”, e também: “Zwínglio está morto e condenado por ser ladrão, rebelde e levar outros a seguir os seus erros”.

– Zwínglio não ficou atrás e dizia acerca de Lutero: “O demônio apoderou-se de Lutero de tal modo que até nos faz crer que o possui por completo. Quando é visto entre os seus seguidores, parece realmente que uma legião [de demônios] o possui”.[A inquisição evangélica] suspendeu sistematicamente o Catolicismo nas áreas protestantes.

– Em Zurique, na Suiça, o comparecimento aos sermões católicos implicava em penas e castigos físicos. Mesmo fora do perímetro da cidade, era proibido aos sacerdotes celebrar a Missa e, sob a ordem de “severas penas”, era proibido ao povo possuir imagens e quadros religiosos em suas casas.

– Ainda em Zurique, a Missa foi prescrita em 1525. A isto, seguiu-se a queima das vilas camponesas e a destruição em massa de qualquer local de culto. Os líderes religiosos de Constança, Basiléia, Lausana e Genebra foram obrigados a abandonar suas cidades e o território. Um observador contemporâneo, Willian Farel, escreveu: “Ao sermão de João Calvino na antiga igreja de S. Pedro seguiu-se desordens, assassinatos de inocentes e violação de mulheres.

– Na Escócia, John Knox, pai do presbiterianismo, proibiu qualquer outro rito sob pena de confisco de bens e açoites públicos. Ocorrendo a reincidência, a pena capital era aplicada ao infrator.

Poderíamos continuar falando, pois há muito material a respeito, porém, cremos que bastam estes exemplos para demonstrar que a Reforma Protestante não foi pacifista, nem foram os reformadores vítimas inocentes. A intolerância e a violência foram parte integrante de suas vidas. (…)


Notas Bibliográficas:

  1. Martin Luther – On the Jews and Their Lies (1543).
  2. Jean Calvin – O caso de Michael Servetus (1553) em Genebra.

A outra face de Martinho Lutero: Lutero o Antissemita

3–4 minutos

Em 1523, Martinho Lutero escreveu:

“Talvez eu consiga atrair alguns judeus para a fé cristã, pois nossos tolos, os papas, bispos, sofistas e monges até agora os têm tratado tão mal que, se eu fosse judeu e visse esses idiotas cabeças-duras estabelecendo normas e ensinando a religião cristã, eu preferiria ser um porco a ser cristão. Pois esses homens trataram os judeus como cães, e não como seres humanos.”
Martinho Lutero,em “Da que J C nasceu judeu” (1523), in WA 11, 315–360.

Essa declaração foi feita no início da “Reforma Protestante”, quando Lutero ainda era jovem e esperava converter os judeus ao cristianismo.
Nos anos seguintes, entretanto, ele se decepcionou profundamente com o fato de que os Yehudim (judeus) não aceitaram o que ele pregava, o que o levou a escrever palavras de ódio e perseguição.


O Antissemitismo de Lutero

Vinte anos mais tarde, em 1543, Lutero publicou o panfleto “Von den Juden und ihren Lügen” (Sobre os judeus e suas mentiras), onde escreveu:

“Em primeiro lugar, suas sinagogas deveriam ser queimadas;
Em segundo lugar, suas casas demolidas e arrasadas;
Em terceiro, seus livros de oração e o Talmude confiscados;
Em quarto, os rabinos proibidos de ensinar sob pena de morte;
Em quinto, os passaportes e privilégios de viagem vetados;
Em sexto, deveriam ser proibidos de praticar a agiotagem;
Em sétimo, os judeus jovens e fortes deveriam trabalhar para ganhar o pão com o suor do rosto… Portanto, fora com eles, para que nos livremos dessa carga infernal.”
Martinho Lutero, “Von den Juden und ihren Lügen” (1543), WA 53, 417–552.

Lutero chegou a afirmar ainda:

“Se eles [os judeus] pudessem nos matar, o fariam alegremente, e muitas vezes o fazem, principalmente os que praticam medicina.”
Martinho Lutero, “Vom Schem Hamphoras und vom Geschlecht Christi” (1543), WA 53, 479.


Repercussão e Críticas Modernas

A teóloga cristã Margot Käßmann declarou ao Frankfurter Allgemeine Zeitung que:

“Com idade mais avançada, Lutero foi um exemplo assustador do cristianismo antijudaico. As comemorações da Reforma devem lembrar tanto suas conquistas quanto seu lado sombrio.”
Frankfurter Allgemeine Zeitung, 2013.

O historiador holandês Herman Selderhuis, em “Martin Luther: A Spiritual Biography” (Crossway, 2017), explica que Lutero esperava que os judeus se convertessem e, decepcionado com a recusa, passou a hostilizá-los.

O antissemitismo de Lutero não era isolado: Erasmo de Roterdã, Johannes Eck e outros teólogos da época também proferiram ofensas semelhantes contra o judaísmo.


Influência no Nazismo

A “convocação” de Lutero para queimar sinagogas não foi seguida em seu tempo. Mas em 1938, durante a Kristallnacht (“Noite dos Cristais”), os nazistas usaram seus escritos como justificativa teológica.

“Os nazistas citaram Lutero para legitimar o incêndio das sinagogas durante a Noite dos Cristais.”
Deutsche Welle, “Antissemitismo mancha imagem do reformador Martinho Lutero”, 27/05/2013.
[Fonte: https://www.dw.com/pt-br/antissemitismo-mancha-imagem-do-reformador-martinho-lutero/a-16840051%5D

O ideólogo nazista Julius Streicher, em sua defesa no julgamento de Nuremberg, afirmou:

“Nunca disse nada sobre os judeus que Martinho Lutero não tivesse dito 400 anos antes.”
Citado em Dennis Prager & Joseph Telushkin, “Why the Jews?”, Simon & Schuster, 1983.

O próprio Adolf Hitler considerava Lutero uma das três maiores figuras da Alemanha, junto com Frederico, o Grande, e Richard Wagner.

Adolf Hitler, discurso de 1933, citado em William L. Shirer, “Ascensão e Queda do Terceiro Reich”, Simon & Schuster, 1960.


Reflexão Teológica e Histórica

O teólogo Heiko A. Oberman comenta:

“Lutero abriu o caminho para uma teologia de ódio que viria a servir de base moral ao antissemitismo moderno.”
Heiko Oberman, “Lutero: Homem Entre Deus e o Diabo”, Companhia das Letras, 1992.

A historiadora Lyndal Roper, em “Martin Luther: Renegade and Prophet” (Random House, 2016), mostra que as pregações de Lutero formaram um imaginário coletivo de desprezo aos judeus, alimentando um ressentimento que perdurou até o século XX.


Conclusão

Lutero, de reformador a opositor dos judeus, tornou-se um exemplo de como a fé sem humildade pode se tornar arrogância e violência.
Seu legado ambíguo — a redescoberta das Escrituras por um lado e o ódio antijudaico por outro — exige discernimento e honestidade histórica.

A teóloga Käßmann conclui:

“Não podemos celebrar a Reforma sem reconhecer o pecado do antissemitismo de Lutero.”
FAZ, 2013.

Hoje, cabe à humanidade — especialmente aos que estudam as Escrituras — rejeitar o antissemitismo e abraçar o amor ao povo de Israel, como expressão do plano eterno do Eterno, o D’us de Avraham, Yitzchak e Yaakov.