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Sobre Antonio Braga

Antonio Marcio Braga Silva é uma das vozes proeminentes do movimento Bnei Noach no Brasil, atuando com destaque na cidade de Barra dos Coqueiros, no estado de Sergipe. Educador, líder espiritual e entusiasta da ética universal, ele dedica sua vida à promoção dos valores do monoteísmo ético e da sabedoria milenar da Torá para os não judeus que buscam servir ao Criador segundo os princípios das Sete Leis de Noé. Como professor de Halachá Noachida, Antonio Marcio desenvolve um trabalho didático voltado para a formação de lideranças e o fortalecimento de comunidades alinhadas com os preceitos da Tradição de Israel, respeitando as particularidades e o papel espiritual dos justos entre as nações. Ele atua com firmeza e sensibilidade, trazendo clareza e profundidade aos temas que aborda, tornando acessível ao público leigo assuntos complexos da Lei e da espiritualidade judaica. Sua atuação vai além das aulas: Antonio Marcio tem contribuído significativamente para o crescimento da comunidade local, organizando encontros semanais, estudos bíblicos, ciclos de oração baseados no Sidur Bnei Noach, e incentivando a solidariedade e o senso de missão entre os participantes. Seu trabalho é pautado pela seriedade, comprometimento e por uma devoção sincera ao serviço a D’us. Em sua vida pessoal, Antonio Marcio é pai dedicado de dois filhos marido de Fabiane Ribeiro, com quem compartilha o propósito de construir uma família alicerçada nos valores eternos da Torá. Sua jornada é marcada por coragem, perseverança e pela fé inabalável na Providência Divina. Ao unir conhecimento, liderança e espiritualidade, Antonio Marcio Braga Silva se destaca como um dos pilares do movimento Bnei Noach em território brasileiro, inspirando outros a seguir o caminho da retidão, da justiça e do reconhecimento do Eterno como único Criador e Rei do Universo.

Biografia de Dinah bat Leah

3–5 minutos

Diná (דִּינָה) é a única filha mencionada nominalmente entre os filhos de Yaakov (Jacó) e Leá, nascida após seis filhos homens (Bereshit/Gênesis 30:21). Seu nome vem da raiz hebraica din (דִּין), que significa “juízo” ou “justiça”. O Midrash Bereshit Rabbah (72:1) ensina que Leá, ao ver que dera seis filhos a Yaakov, orou para que o próximo filho fosse uma menina, para que Rachel também pudesse ter um número igual de tribos. Em resposta à sua oração, o feto de Yosef e o de Diná foram trocados milagrosamente no ventre, e assim nasceu Diná — um ato de misericórdia divina e justiça maternal.


Os comentaristas, como Rashi (Bereshit 34:1), descrevem Diná como uma jovem curiosa e sociável, “uma filha que saía para ver as filhas da terra” — uma expressão que o Midrash interpreta como herança do caráter aberto e ativo de sua mãe, Leá, que também “saiu” ao encontro de Yaakov (Bereshit 30:16). Essa curiosidade, porém, foi interpretada pelos sábios como um traço neutro: a mesma qualidade de iniciativa que pode ser sagrada se direcionada ao bem, mas perigosa se exposta a más influências.


O relato mais conhecido sobre Diná encontra-se em Bereshit 34. Ao visitar as jovens de Shechem, foi raptada e violentada por Siquém ben Chamor, príncipe da cidade. O texto diz que Siquém “se apegou a Diná e falou-lhe com ternura”, sugerindo que ele desejava legitimá-la por meio do casamento.

Os irmãos de Diná — Shimon e Levi, filhos de Leá — reagiram com indignação e planejaram vingança. Fingiram aceitar a proposta de casamento com a condição de que todos os homens da cidade se circuncidassem. No terceiro dia, quando estavam enfraquecidos, os dois irmãos entraram na cidade e mataram todos os homens, libertando Diná (Bereshit 34:25-26).

Rashi, citando Bereshit Rabbah 80:10, explica que Diná foi levada à casa de Siquém e mantida em cativeiro até ser resgatada por seus irmãos. O Midrash Tanchuma (Vayishlach 8) enfatiza que Shimon a tirou pessoalmente e prometeu protegê-la, chegando a casar-se com ela posteriormente, para restaurar sua dignidade — um ato de responsabilidade familiar e expiação moral.


O Zôhar (Vayishlach 177b) vê uma dimensão mística nesse episódio: Diná representa a Shechiná, a presença divina exposta às forças impuras, e sua libertação simboliza a restauração da santidade de Israel. Por isso, o ato de Shimon e Levi não é somente vingança, mas também uma reparação espiritual — um tikun (retificação) contra a corrupção moral das nações de Canaã.

Outros comentaristas, como Ramban (Nachmânides), analisam o episódio sob um prisma ético e político: o erro de Siquém não foi somente individual, mas coletivo, pois toda a cidade consentiu com o crime, e por isso a punição foi coletiva.


O destino de Diná após o episódio é envolto em tradições variadas:

  • Midrash Bereshit Rabbah (80:11) relata que Diná teve uma filha de Siquém, chamado Asenat (Osnat). Quando Diná temeu a vergonha, Yaakov colocou a criança sob um arbusto fora do acampamento. Um anjo a levou para o Egito, onde foi adotada por Potifera, sacerdote de On. Mais tarde, essa mesma Asenat se casaria com Yosef (José) (Bereshit 41:45), seu meio-irmão por parte de mãe, unindo assim a linhagem de Diná com a futura liderança espiritual de Israel.
    → Assim, Diná é ancestral direta de Efraim e Menashé, tribos de Yosef, e portanto participa indiretamente na formação das Doze Tribos de Israel.
  • Seder Olam Rabbah e o Midrash HaGadol sugerem que Diná viveu longamente, permanecendo sob a proteção da família e sendo respeitada por sua piedade e força moral.

Na tradição judaica, Diná se tornou símbolo da mulher vulnerável diante da corrupção moral do mundo, mas também da possibilidade de redenção. Seu nome — “juízo” — é visto como reflexo da justiça divina que age através da história, mesmo em meio à dor. Os sábios ensinam que a tragédia de Diná advertiu Yaakov sobre os perigos da assimilação e reforçou a necessidade de proteger a santidade do lar israelita.

O Midrash Lekach Tov interpreta o episódio como uma lição sobre a responsabilidade coletiva: quando uma filha de Israel é profanada, todo o povo deve sentir a dor e buscar reparação — não pela violência, mas pela santificação dos valores.


Diná representa, para os mestres chassídicos, a alma judia que sai em busca de revelar santidade no mundo exterior. O Baal Shem Tov ensina que “cada Diná” em nós é a parte sensível e pura que precisa ser resgatada e reintegrada ao serviço de D’us (avodá). Sua história, portanto, não termina na tragédia, mas na transformação: a partir de sua descendência virá a continuidade do povo que revelará a luz divina até os confins da terra.


Fontes principais:

  • Tanach: Bereshit/Gênesis 30:21; 34:1–31; 41:45.
  • Rashi ad loc.
  • Bereshit Rabbah 72:1; 80:10–11.
  • Midrash Tanchuma, Vayishlach 8.
  • Ramban sobre Bereshit 34.
  • Zôhar, Vayishlach 177b.
  • Lekach Tov, Vayishlach.
  • Seder Olam Rabbah.

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27 de Cheshvan: O Dia da Humanidade

3–5 minutos

O recomeço universal que moldou a civilização

No calendário judaico, poucas datas carregam um simbolismo tão profundo e universal quanto 27 de Cheshvan. Trata-se do dia em que, segundo Bereshit (Gênesis 8:14–16), Noach e sua família deixaram a arca, após 365 dias de isolamento, destruição e purificação da Terra pelo Dilúvio. Esse momento não é apenas o fim de uma catástrofe; é o início de um novo capítulo da humanidade.

Enquanto muitas datas do calendário judaico são específicas ao povo de Israel, 27 de Cheshvan pertence a toda a humanidade, porque marca o dia em que todos nós — descendentes de Noach — recebemos uma nova chance e uma missão moral que ecoa até hoje.


1. Um mundo que renasce das águas

O texto de Bereshit descreve que “a terra estava seca”, mas a mensagem vai muito além da condição física do solo. A secura simboliza uma janela aberta para o recomeço, um convite para reconstruir o mundo não apenas em termos materiais, mas morais, éticos e espirituais.

O Midrash explica que o mundo pré-diluviano havia se corrompido pela violência, depravação, idolatria e injustiça (Bereshit Rabbah 28). A civilização humana havia quebrado sua relação com o Criador e com o próximo. Por isso, o Dilúvio não é visto como punição arbitrária, mas como uma limpeza necessária para restaurar a harmonia da criação.

Quando Noach pisa novamente na terra firme, ele não representa apenas uma família sobrevivente; representa a própria humanidade renascida.


2. A aliança universal e o arco-íris

É neste dia que D’us estabelece com Noach a primeira grande aliança da história — uma aliança não com uma nação, mas com toda a humanidade.

Esta aliança possui três dimensões:

a) Ética

Os Sábios explicam que neste momento, a humanidade recebe os Sete Mandamentos de Noach, um código moral eterno que se aplica a todos os povos:

  1. Rejeitar a idolatria;
  2. Não blasfemar;
  3. Não derramar sangue;
  4. Não cometer imoralidades sexuais;
  5. Não roubar;
  6. Não praticar crueldade com animais;
  7. Estabelecer justiça.

Esses princípios são, como ensina o Rambam (Hilchot Melachim 8–9), os pilares da civilização.

b) Espiritual

O arco-íris é apresentado como o selo visível da aliança.
Cada cor simboliza um aspecto da misericórdia divina — a lembrança de que D’us sustenta a criação apesar das falhas humanas.

c) Universal

A aliança é feita “com toda criatura vivente” (Gênesis 9:12), incluindo animais.
Isso mostra que o cuidado e a responsabilidade humana se estendem para além do próprio homem, abrangendo toda a biosfera.


3. Por que 27 de Cheshvan é o Dia da Humanidade?

Porque foi o dia em que recebemos:

  • uma nova vida,
  • uma nova ética,
  • uma nova missão,
  • e um novo pacto de esperança.

É o dia em que D’us devolveu o mundo ao ser humano, dizendo:

“Reconstrua. Faça melhor do que antes. Viva com propósito.”

Enquanto muitas datas celebram eventos locais ou nacionais, 27 de Cheshvan celebra aquilo que todos os seres humanos têm em comum:
a dignidade de sermos criados à imagem de D’us e a responsabilidade de agir segundo essa imagem.

É por isso que esta data é, com justiça, chamada de Dia da Humanidade — o nascimento da civilização moral.


4. Lições para o mundo contemporâneo

a) A humanidade continua precisando recomeçar

Assim como o mundo pré-diluviano caiu em corrupção, o mundo atual enfrenta:

  • violência urbana,
  • ganância globalizada,
  • polarização,
  • degradação ambiental,
  • abusos e injustiças sistêmicas.

O chamado feito a Noach — “Sai da arca e reconstrói” — vale igualmente para nós.

b) A ética universal é mais necessária do que nunca

Os Sete Mandamentos não são apenas regras religiosas.
São a base mínima para qualquer sociedade que deseja viver em paz.

Eles garantem:

  • vida,
  • justiça,
  • respeito,
  • limites,
  • responsabilidade,
  • e dignidade.

c) Cada pessoa é uma arca em miniatura

Assim como Noach protegeu vidas dentro da arca, nós também temos a responsabilidade de ser abrigos de bondade, proteção e compaixão.


5. O que podemos fazer neste dia?

Para quem deseja viver como Bnei Noach, ou simplesmente como seres humanos éticos e conscientes, 27 de Cheshvan é um convite para:

  • refletir sobre a própria conduta;
  • reparar relacionamentos;
  • fortalecer a justiça;
  • praticar compaixão;
  • assumir responsabilidade pela paz;
  • promover os valores da aliança universal.

Mais do que comemorar uma data, é renovar um compromisso com o Criador e com o próximo.


Conclusão — O arco-íris ainda está no céu

O que começou no 27 de Cheshvan continua vivo.
Enquanto houver arco-íris, haverá esperança.

Este dia nos lembra de que:

  • a humanidade pode cair,
  • mas também pode renascer;
  • pode destruir,
  • mas também pode reconstruir;
  • pode se perder,
  • mas também pode reencontrar o caminho da justiça.

O chamado de Noach ecoa para cada geração:
“Reconstrua o mundo com dignidade, bondade e responsabilidade.”

Que possamos responder a esse chamado com coragem e propósito.

O que não te contaram sobre a Reforma Protestante: A Inquisição Protestante

8–12 minutos

Um ponto normalmente omitido é que os Protestantes também empreenderam uma Inquisição totalmente submissa ao Poder Político da época. Os historiadores geralmente se referem apenas à inquisição católica e se silenciam hipocritamente sobre os eventos ocorridos nos territórios protestantes.

Os primeiros protestantes não eram distingüidos por serem os “campeões da liberdade de opinião” como querem nos fazer crer. Eles, que clamavam pela liberdade religiosa nos países católicos, em seus territórios suspendiam rapidamente a celebração de qualquer rito religioso e obrigavam os cidadãos, por lei, a assistir obrigatoriamente os cultos reformados; também destruíam templos católicos, sinagogas, igrejas valdenses, anabatistas, além de assassinarem bispos, sacerdotes, rabinos, imanis, e qualquer outros líderes religiosos.

Citaremos apenas alguns exemplos (já que [quase] todas as fontes pesquisadas apenas se referem à inquisição católica e nenhuma a [inquisição] protestante):

– Registre-se o massacre dos monges da Abadia de São Bernardo de Brémen, no séc. XVI: os monges foram assassinados ou desfolados, atirando-lhes sal na carne viva, sendo a seguir pendurados no campanário por bandos protestantes.

– Seis monges cartuxos e o bispo de Rochester, na Inglaterra protestante, foram enforcados em 1535.

– Henrique VIII mandou queimar milhares de católicos, anabatistas, e judeus no séc. XVI (mas foi sua filha, Maria, que acabou recebendo o título de “Maria, a sanguinária”!).

– João Servet, o descobridor da circulação do sangue, foi queimado em Genebra, por ordem de Calvino.

– Quando Henrique VIII iniciou a perseguição protestante existiam mais de 1.000 (mil) líderes religiosos na Irlanda, dos quais apenas 02 (DOIS) sobreviveram à perseguição.

– Na época da imperadora protestante Isabel, cerca de 800 (oitocentos) líderes religiosos eram assassinados por ano.

– Um ato do Parlamento inglês decretou, em 1652, que: “Cada líder religioso que não fosse protestante deveria ser pendurado, decapitado e esquartejado e tivesse sua cabeça exposta em um poste em local público”.

– Na Alemanha luterana, os anabatistas, valdenses, cátaros e os judeus eram cozidos em sacos e atirados nos rios.

– Na Escócia presbiteriana de John Fox, durante um período de seis anos, foram queimadas mais de 1.000 (mil) mulheres SUPOSTAMENTE acusadas de feitiçaria.

– Nas cidades conquistadas pelo “Protestantismo”, os católicos tinham que abandoná-las, deixando nelas todas as suas posses ou então converter-se ao Protestantismo; se fossem descobertos celebrando qualquer outro rito que não o protestante, eram apenados com a morte.

É um mito a afirmação de que a prática da tortura foi uma arma apenas católica na Inquisição. Janssen, um escritor desse período, cita uma testemunha que afirma:

“O teólogo protestante Meyfart descreve a tortura que ele mesmo presenciou: ‘Um espanhol e um italiano foram os que sofreram esta bestialidade e brutalidade. Nos países católicos não se condena um assassino, um incestuoso ou um adúltero a mais de uma hora de tortura. Porém, na Alemanha [protestante] a tortura é mantida por um dia e uma noite inteira; às vezes, até por dois dias (…); outras vezes, até por quatro dias e, após isto, é novamente iniciada (…) Esta é uma história exata e horrível, que não pude presenciar sem também me estremecer”.

O mesmo Janssem nos fornece este outro dado:

“Em Augsburgo, na Alemanha, no ano 1528, cerca de 170 anabatistas de ambos os sexos foram aprisionados por ordem do Poder Público. Muitos deles foram queimados vivos; outros foram marcados com ferro em brasa nas bochechas ou suas línguas foram cortadas. [Ainda] em Augsburgo, no dia 18 de janeiro de 1537, o Conselho Municipal publicou um decreto em que se proibia o culto católico e se estabelecia o prazo de 8 dias para que os católicos abandonassem a cidade; ao término desse prazo, soldados passaram a perseguir os que não aceitaram a nova fé. Igrejas e mosteiros foram profanados, derrubando-lhes as imagens e os altares; o patrimônio artístico-cultural foi saqueado, queimado e destruído”.

Isso mesmo meu amigo Protestantes matando Protestantes apenas por divergência de opinião.

Frankfurt, também na Alemanha, emitiu uma lei semelhante e a total suspensão de qualquer culto que não fosse protestante, foi estendida a todos os estados alemães.

– Em 1530, em seus “Comentários ao Salmo 80”, Lutero aconselhava aos governantes que aplicassem a pena de morte a todos os hereges. Ou seja herege aqui seriam todos que não fossem protestante.

O Saque de Roma foi um dos episódios mais sangrentos do Renascimento. No dia 6 de maio de 1527, os membros das legiões luteranas do exército imperial de Carlos V promoveram um levante e tomaram de assalto a cidade de Roma. Cerca de 18.000 lansquenetes foram lançadas durante semanas contra a pior das repressões, ocasionando um rio de sangue costumeiramente “esquecido” pelos historiadores, que não lhe prestam a devida atenção. Um texto veneziano [contemporâneo] afirma sobre este saque que: “o inferno não é nada quando comparado com a visão da Roma atual”. Os soldados luteranos nomearam Lutero “papa de Roma”.

Eis mais alguns fatos [desse episódio] que a história de alguns “eruditos” se omite covardemente:

– Todos os doentes do Hospital foram massacrados em seus leitos.

– Dos 55.000 habitantes de Roma, sobreviveram apenas 19.000.

– O resgate foi da ordem de 10 milhões de ducados (uma soma astronômica naquela época).

– Os palácios foram destruídos por tiros de canhões com os seus habitantes dentro.

– O rio [Tibre] carregou centenas de cadáveres de mulheres e crianças violentadas (muitas com lanças incrustadas em seu sexo).

Ninguém fala deste horror brevemente expresso nas linhas acima. Mas basta consultar qualquer livro honesto e transparente sobre a história documentada. O mundo se cala – como se cala ainda perante o assassinato silencioso de milhares de pessoas por fundamentalistas muçulmanos, etc, não excluindo os [assassinatos] ocasionados pelo totalitarismo de [Fidel] Castro, o genocídio de Pol-Pot e a pérfida perseguição [das autoridades da] China.

Em seu folheto “Contra a Horda dos Camponeses que Roubam e Assassinam”, Lutero dizia aos príncipes:

“Empunhai rapidamente a espada, pois um príncipe ou senhor deve lembrar neste caso que é ministro de Deus e servidor da Sua ira (Romanos 13) e que recebeu a espada para empregá-la contra tais homens (…) Se pode castigar e não o faz – mesmo que o castigo consista em tirar a vida e derramar sangue – é culpável de todos os assassinatos e todo o mal que esses homens cometerem”.

Em julho de 1525, Lutero escrevia em sua “Carta Aberta sobre o Livro contra os Camponeses”:

“Se acreditam que esta resposta é demasiadamente dura e que seu único fim e fazer-vos calar pela violência, respondo que isto é verdade. Um rebelde não merece ser contestado pela razão porque não a aceita. Aquele que não quer escutar a Palavra de Deus, que lhe fala com bondade, deve ouvir o algoz quando este chega com o seu machado (…) Não quero ouvir nem saber nada sobre misericórdia”.

Sobre os judeus, assim dizia em suas famosas “Cartas sobre a Mesa”:

“Quem puder que atire-lhes enxofre e alcatrão; se alguém puder lançá-los no fogo do inferno, tanto que melhor (…) E isto deve ser feito em honra do Senhor e do Cristianismo. Sejam suas casas despedaçadas e destruídas (…) Sejam-lhes confiscados seus livros de orações e talmudes, bem como toda a sua Bíblia. Proíba-se seus rabinos de ensinar, sob pena de morte, de agora em diante. E se tudo isso for pouco, que sejam expulsos do país como cães raivosos”.

Willibald Pirkheimer afirmou, em 1529, sobre a Reforma:

“Não nego que no princípio todas as atitudes de Lutero não pareciam ser vãs, pois a nenhum homem comprazia todos aqueles erros e imposturas que foram graduamente acumulados no Cristianismo. Por isso eu esperava, junto com outros, que era possível aplicar algum remédio a tão grandes males; porém, fui cruelmente enganado, pois antes que se extirpassem os erros anteriores foram introduzidos muitos outros, mais intoleráveis que, comparados com os outros, faziam estes parecer jogos de crianças (…) As coisas chegaram a tal ponto que os defensores papistas parecem virtuosos quando comparados com os evangélicos (…) Lutero, com sua língua despudorada e incontrolável, deve ter enlouquecido ou ser inspirado por algum espírito maligno”.

[Passemos agora para o] pensamento e a obra de outros pais da Reforma. Calvino também não foi um exemplo de caridade, como vemos em [sua Carta ao Duque de Somerset, protetor da Inglaterra durante a minoridade de Eduardo VI]:

“Pessoas que persistem nas superstições (…) devem ser reprimidas pela espada [que lhe foi confiada]”.

Em 1547, James Gruet se atreveu a publicar uma nota criticando Calvino e foi preso, torturado no potro duas vezes por dia durante um mês e, finalmente, sentenciado à morte por blasfêmia; seus pés foram pregados a uma estaca e sua cabeça foi cortada.

Os irmãos Comparet, em 1555, foram acusados de libertinagem e executados e esquartejados; seus restos mortais foram exibidos em diferentes partes de Genebra.

Melanchton, o teólogo da Reforma [luterana], aceitou ser o presidente da inquisição protestante que perseguiu anabatistas, Valdenses e Judeus. Como justificativa, disse: “Por que precisamos ter mais piedade com essas pessoas do que Deus?”, convencido de que os anabatistas arderiam [no fogo] do inferno…

A inquisição luterana foi implantada com sede na Saxônia, com Melanchton como presidente. No final de 1530, apresentou um documento em que defendia o direito de repressão à espada contra os anabatistas; e Lutero acrescentou de próprio punho uma nota em que dizia: “Isto é de meu agrado”.

Zwínglio, em 1525, começou a perseguir os anabatistas de Zurique. As penas iam desde o afogamento no lago ou em rios até a fogueira.

John Knox, pai do presbiteranismo, mandou queimar na fogueira cerca de 1.000 mulheres acusadas de bruxaria na Escócia.

Acerca da Reforma [Protestante], disse Rosseau:

“A Reforma foi intolerante desde o seu berço e os seus autores são contados entre os grandes repressores da Humanidade”.

Em sua obra “Filosofia Positiva”, escreveu:

“A intolerância do Protestantismo certamente não foi menor do que a do Catolicismo e, com certeza, mais reprovável”.

A violência não foi exercida apenas contra os católicos; na verdade, os reformadores foram enormemente violentos entre eles mesmos, como percebemos nas opiniões que emitiram entre si:

– Lutero diz: “Ecolampaio, Calvino e outros hereges semelhantes possuem demônios sobre demônios, têm corações corrompidos e bocas mentirosas”.

– Por ocasião da morte de Zwínglio (1531), Lutero afirmou: “Que bom que Zwínglio morreu em campo de batalha! A que classe de triunfo e a que bem Deus conduziu os seus negócios!”, e também: “Zwínglio está morto e condenado por ser ladrão, rebelde e levar outros a seguir os seus erros”.

– Zwínglio não ficou atrás e dizia acerca de Lutero: “O demônio apoderou-se de Lutero de tal modo que até nos faz crer que o possui por completo. Quando é visto entre os seus seguidores, parece realmente que uma legião [de demônios] o possui”.[A inquisição evangélica] suspendeu sistematicamente o Catolicismo nas áreas protestantes.

– Em Zurique, na Suiça, o comparecimento aos sermões católicos implicava em penas e castigos físicos. Mesmo fora do perímetro da cidade, era proibido aos sacerdotes celebrar a Missa e, sob a ordem de “severas penas”, era proibido ao povo possuir imagens e quadros religiosos em suas casas.

– Ainda em Zurique, a Missa foi prescrita em 1525. A isto, seguiu-se a queima das vilas camponesas e a destruição em massa de qualquer local de culto. Os líderes religiosos de Constança, Basiléia, Lausana e Genebra foram obrigados a abandonar suas cidades e o território. Um observador contemporâneo, Willian Farel, escreveu: “Ao sermão de João Calvino na antiga igreja de S. Pedro seguiu-se desordens, assassinatos de inocentes e violação de mulheres.

– Na Escócia, John Knox, pai do presbiterianismo, proibiu qualquer outro rito sob pena de confisco de bens e açoites públicos. Ocorrendo a reincidência, a pena capital era aplicada ao infrator.

Poderíamos continuar falando, pois há muito material a respeito, porém, cremos que bastam estes exemplos para demonstrar que a Reforma Protestante não foi pacifista, nem foram os reformadores vítimas inocentes. A intolerância e a violência foram parte integrante de suas vidas. (…)


Notas Bibliográficas:

  1. Martin Luther – On the Jews and Their Lies (1543).
  2. Jean Calvin – O caso de Michael Servetus (1553) em Genebra.

A outra face de Martinho Lutero: Lutero o Antissemita

3–4 minutos

Em 1523, Martinho Lutero escreveu:

“Talvez eu consiga atrair alguns judeus para a fé cristã, pois nossos tolos, os papas, bispos, sofistas e monges até agora os têm tratado tão mal que, se eu fosse judeu e visse esses idiotas cabeças-duras estabelecendo normas e ensinando a religião cristã, eu preferiria ser um porco a ser cristão. Pois esses homens trataram os judeus como cães, e não como seres humanos.”
Martinho Lutero,em “Da que J C nasceu judeu” (1523), in WA 11, 315–360.

Essa declaração foi feita no início da “Reforma Protestante”, quando Lutero ainda era jovem e esperava converter os judeus ao cristianismo.
Nos anos seguintes, entretanto, ele se decepcionou profundamente com o fato de que os Yehudim (judeus) não aceitaram o que ele pregava, o que o levou a escrever palavras de ódio e perseguição.


O Antissemitismo de Lutero

Vinte anos mais tarde, em 1543, Lutero publicou o panfleto “Von den Juden und ihren Lügen” (Sobre os judeus e suas mentiras), onde escreveu:

“Em primeiro lugar, suas sinagogas deveriam ser queimadas;
Em segundo lugar, suas casas demolidas e arrasadas;
Em terceiro, seus livros de oração e o Talmude confiscados;
Em quarto, os rabinos proibidos de ensinar sob pena de morte;
Em quinto, os passaportes e privilégios de viagem vetados;
Em sexto, deveriam ser proibidos de praticar a agiotagem;
Em sétimo, os judeus jovens e fortes deveriam trabalhar para ganhar o pão com o suor do rosto… Portanto, fora com eles, para que nos livremos dessa carga infernal.”
Martinho Lutero, “Von den Juden und ihren Lügen” (1543), WA 53, 417–552.

Lutero chegou a afirmar ainda:

“Se eles [os judeus] pudessem nos matar, o fariam alegremente, e muitas vezes o fazem, principalmente os que praticam medicina.”
Martinho Lutero, “Vom Schem Hamphoras und vom Geschlecht Christi” (1543), WA 53, 479.


Repercussão e Críticas Modernas

A teóloga cristã Margot Käßmann declarou ao Frankfurter Allgemeine Zeitung que:

“Com idade mais avançada, Lutero foi um exemplo assustador do cristianismo antijudaico. As comemorações da Reforma devem lembrar tanto suas conquistas quanto seu lado sombrio.”
Frankfurter Allgemeine Zeitung, 2013.

O historiador holandês Herman Selderhuis, em “Martin Luther: A Spiritual Biography” (Crossway, 2017), explica que Lutero esperava que os judeus se convertessem e, decepcionado com a recusa, passou a hostilizá-los.

O antissemitismo de Lutero não era isolado: Erasmo de Roterdã, Johannes Eck e outros teólogos da época também proferiram ofensas semelhantes contra o judaísmo.


Influência no Nazismo

A “convocação” de Lutero para queimar sinagogas não foi seguida em seu tempo. Mas em 1938, durante a Kristallnacht (“Noite dos Cristais”), os nazistas usaram seus escritos como justificativa teológica.

“Os nazistas citaram Lutero para legitimar o incêndio das sinagogas durante a Noite dos Cristais.”
Deutsche Welle, “Antissemitismo mancha imagem do reformador Martinho Lutero”, 27/05/2013.
[Fonte: https://www.dw.com/pt-br/antissemitismo-mancha-imagem-do-reformador-martinho-lutero/a-16840051%5D

O ideólogo nazista Julius Streicher, em sua defesa no julgamento de Nuremberg, afirmou:

“Nunca disse nada sobre os judeus que Martinho Lutero não tivesse dito 400 anos antes.”
Citado em Dennis Prager & Joseph Telushkin, “Why the Jews?”, Simon & Schuster, 1983.

O próprio Adolf Hitler considerava Lutero uma das três maiores figuras da Alemanha, junto com Frederico, o Grande, e Richard Wagner.

Adolf Hitler, discurso de 1933, citado em William L. Shirer, “Ascensão e Queda do Terceiro Reich”, Simon & Schuster, 1960.


Reflexão Teológica e Histórica

O teólogo Heiko A. Oberman comenta:

“Lutero abriu o caminho para uma teologia de ódio que viria a servir de base moral ao antissemitismo moderno.”
Heiko Oberman, “Lutero: Homem Entre Deus e o Diabo”, Companhia das Letras, 1992.

A historiadora Lyndal Roper, em “Martin Luther: Renegade and Prophet” (Random House, 2016), mostra que as pregações de Lutero formaram um imaginário coletivo de desprezo aos judeus, alimentando um ressentimento que perdurou até o século XX.


Conclusão

Lutero, de reformador a opositor dos judeus, tornou-se um exemplo de como a fé sem humildade pode se tornar arrogância e violência.
Seu legado ambíguo — a redescoberta das Escrituras por um lado e o ódio antijudaico por outro — exige discernimento e honestidade histórica.

A teóloga Käßmann conclui:

“Não podemos celebrar a Reforma sem reconhecer o pecado do antissemitismo de Lutero.”
FAZ, 2013.

Hoje, cabe à humanidade — especialmente aos que estudam as Escrituras — rejeitar o antissemitismo e abraçar o amor ao povo de Israel, como expressão do plano eterno do Eterno, o D’us de Avraham, Yitzchak e Yaakov.


Beit de Barra dos Coqueiros Celebra Rosh Hashaná 5786 com União e Espiritualidade

Barra dos Coqueiros, SE – 22/09/2025 – A comunidade da Beit de Barra dos Coqueiros realizou uma celebração especial de Rosh Hashaná 5786, marcando o início do novo ano judaico com momentos de oração, reflexão e confraternização. O encontro aconteceu na sede da Beit, localizada na Rua Mário de Andrade, 419, Caminho da Praia, e contou com a presença de membros da comunidade, amigos e familiares.

Participação Diversificada e Acolhedora

O evento reuniu 15 pessoas, divididas entre crianças, jovens e adultos, criando um ambiente familiar e inclusivo. Entre os participantes estavam duas crianças – Noach e Noach, dois jovens – Rebeca e Miguel –, e onze adultos: Antônio, Fabiane, David, a esposa de David, Ronaldo, Bernadete, George, Carlos, Nair, Rose e Dalmo. A participação de homens e mulheres foi equilibrada, com 6 homens e 5 mulheres, reforçando o caráter comunitário e de integração da Beit.

Segundo os organizadores, o objetivo da celebração vai além das práticas religiosas: “É um momento de unir famílias, fortalecer laços de amizade e compartilhar os valores da tradição judaica, especialmente para aqueles que buscam um espaço de aprendizado e conexão espiritual”, explicou um dos líderes da comunidade.

Celebração e Reflexão

O serviço de Rosh Hashaná teve duração de 2 horas, oferecendo aos participantes uma programação que incluiu orações tradicionais, leituras e ensinamentos sobre o significado do novo ano. A ocasião também proporcionou um espaço para reflexão sobre os desafios e conquistas do ano anterior, estimulando a gratidão, a introspecção e a renovação de compromissos espirituais.

Além da comunidade regular, foram feitos convites pessoais a amigos e familiares, garantindo que novos participantes pudessem vivenciar a celebração e sentir-se acolhidos. Essa abertura reforça o compromisso da Beit de Barra dos Coqueiros em incentivar a participação de todos, independentemente do nível de conhecimento religioso, promovendo um ambiente inclusivo e fraterno.

Importância da Comunidade

Eventos como este são fundamentais para a manutenção e fortalecimento da vida comunitária. A Beit de Barra dos Coqueiros atua como um ponto de encontro espiritual e social, onde os membros podem compartilhar experiências, aprender sobre tradições e desenvolver um sentido de pertencimento.

A celebração de Rosh Hashaná, em particular, representa um momento simbólico de renovação e esperança. A tradição ensina que é o momento de avaliar o ano que passou, estabelecer metas espirituais e buscar harmonia consigo mesmo e com os outros. Para a comunidade local, a ocasião foi também uma oportunidade de transmitir esses valores às novas gerações, com a participação ativa de crianças e jovens nas atividades.

Convite à Comunidade

Os líderes da Bait de Barra dos Coqueiros enfatizam que a participação é aberta a todos: “Queremos que cada pessoa se sinta parte desta família, capaz de celebrar, aprender e crescer espiritualmente conosco”, afirmaram. A comunidade mantém uma agenda regular de encontros e celebrações, incentivando a presença de novos membros e o fortalecimento dos vínculos comunitários.

Com momentos de oração, reflexão e confraternização, o Rosh Hashaná 5786 na Beit de Barra dos Coqueiros foi mais do que um evento religioso: foi uma oportunidade de celebrar a vida, fortalecer laços e inspirar esperança para o ano que se inicia.