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Sobre Antonio Braga

Antonio Marcio Braga Silva é uma das vozes proeminentes do movimento Bnei Noach no Brasil, atuando com destaque na cidade de Barra dos Coqueiros, no estado de Sergipe. Educador, líder espiritual e entusiasta da ética universal, ele dedica sua vida à promoção dos valores do monoteísmo ético e da sabedoria milenar da Torá para os não judeus que buscam servir ao Criador segundo os princípios das Sete Leis de Noé. Como professor de Halachá Noachida, Antonio Marcio desenvolve um trabalho didático voltado para a formação de lideranças e o fortalecimento de comunidades alinhadas com os preceitos da Tradição de Israel, respeitando as particularidades e o papel espiritual dos justos entre as nações. Ele atua com firmeza e sensibilidade, trazendo clareza e profundidade aos temas que aborda, tornando acessível ao público leigo assuntos complexos da Lei e da espiritualidade judaica. Sua atuação vai além das aulas: Antonio Marcio tem contribuído significativamente para o crescimento da comunidade local, organizando encontros semanais, estudos bíblicos, ciclos de oração baseados no Sidur Bnei Noach, e incentivando a solidariedade e o senso de missão entre os participantes. Seu trabalho é pautado pela seriedade, comprometimento e por uma devoção sincera ao serviço a D’us. Em sua vida pessoal, Antonio Marcio é pai dedicado de dois filhos marido de Fabiane Ribeiro, com quem compartilha o propósito de construir uma família alicerçada nos valores eternos da Torá. Sua jornada é marcada por coragem, perseverança e pela fé inabalável na Providência Divina. Ao unir conhecimento, liderança e espiritualidade, Antonio Marcio Braga Silva se destaca como um dos pilares do movimento Bnei Noach em território brasileiro, inspirando outros a seguir o caminho da retidão, da justiça e do reconhecimento do Eterno como único Criador e Rei do Universo.

Leitura diária para 2 Shevat 5786

11–16 minutos

Parashat Bo, 3ª Alyá (Êxodo 10:24 — 11:3)

(10:24) Então Faraó chamou Moisés e disse: “Ide, servi a D’us; somente vossos rebanhos e vossos gados ficarão; também vossas crianças irão convosco”; (10:25) Moisés disse: “Também tu nos darás sacrifícios e holocaustos, para que ofereçamos a D’us”; (10:26) “Também nosso gado irá conosco; nem um casco ficará, pois deles tomaremos para servir a D’us, e não sabemos com que havemos de servi-Lo até chegarmos lá”; (10:27) porém D’us endureceu o coração de Faraó, e ele não quis deixá-los ir; (10:28) Faraó disse a Moisés: “Retira-te de mim; guarda-te, não tornes a ver o meu rosto, pois no dia em que vires o meu rosto morrerás”; (10:29) Moisés disse: “Falaste bem; não tornarei a ver o teu rosto”; (11:1) D’us disse a Moisés: “Ainda uma praga trarei sobre Faraó e sobre o Egito; depois disso vos deixará ir daqui; quando vos deixar ir, certamente vos expulsará completamente”; (11:2) “Fala, por favor, aos ouvidos do povo, para que cada homem peça ao seu companheiro e cada mulher à sua companheira objetos de prata e objetos de ouro”; (11:3) e D’us deu graça ao povo aos olhos dos egípcios; também o homem Moisés era muito grande na terra do Egito, aos olhos dos servos de Faraó e aos olhos do povo.


Tehillim do Dia – Salmos

Capítulos 10-17

Salmo 10

Continuação do anterior, este Salmo se concentra principalmente nos fatos de um indivíduo, ao invés de seu caráter nacional. David sugeria ser orado por quem esteja ameaçado por um inimigo perverso.

  1. Por que Te manténs distante, ó Eterno? Por que Te ocultas em tempos tormentosos como estes?
  2. O perverso, em sua maldade, persegue os pobres e em suas armadilhas o aprisiona.
  3. O cobiçoso se vangloria de sua incontida ambição e o iníquo ousa blasfemar contra o Eterno.
  4. Em seu orgulho, diz o malévolo: “Ele não me julgará; Deus não existe” – este é o seu pensamento.
  5. Bem sucedidos parecem ser seus caminhos. De Teus julgamentos se distanciam. Seus inimigos ele despreza.
  6. Ele pensa em seu coração: “Nada me fará tropeçar; em nenhuma geração enfrentarei a adversidade.”
  7. Sua boca está repleta de promessas, fraudes e malícia, e sob sua língua há discórdia e iniqüidade.
  8. Junto às aldeias se põe à espreita, e ocultamente mata o inocente; seus olhos espionam o oprimido.
  9. Como um leão em sua cova, atocaia o pobre para em suas redes o capturar.
  10. Se abaixa, rasteja, e sob seu poder, caem os indefesos.
  11. Diz seu coração: “Deus esqueceu; Ele escondeu sua face e nada pode ver.”
  12. Ergue-Te, Eterno! Estende Tua mão e não esqueças os desamparados, ó Deus.
  13. Por que o perverso Te insulta e diz em seu coração: “Não há de punir”?
  14. Mas Tu vês. Observas a labuta fatigante e a amargura desesperançada e estendes Tua mão confortadora. Em Ti se apoia o oprimido e ao órfão trazes auxílio.
  15. Esmaga o braço do perverso e questiona a maldade do pecador, para que desapareça.
  16. O Eterno reina e reinará para todo o sempre, enquanto exterminados foram os povos que contra Ele se rebelaram.
  17. Dá ouvido ao clamor dos oprimidos, ó Eterno, dá firmeza a seu coração e ouve-os,
  18. para que vingados sejam o órfão e o desamparado, para que não mais possam os homens da terra se tornar tiranos.

Salmo 11

Deus não abandonou o mundo à própria sorte. Os sofrimentos dos justos visam purgar-lhes os pecados. A boa fortuna dos iníquos recompensa-os por boas ações neste mundo. Mas não merecerão as recompensas do mundo vindouro.

  1. Ao mestre do canto, um salmo de David. No Eterno eu me refugio; como me poderão dizer: “Foge para a montanha, como um pássaro perseguido”?
  2. Vede que os ímpios vergam seus arcos e posicionam suas setas, para das sombras dispará-las contra os íntegros.
  3. Quando destruídos são seus alicerces, o que poderia o justo fazer?
  4. O Eterno, de Seu sagrado templo, de Seu trono celeste perscruta e Seus olhos vêem; Seu mirar analisa os homens.
  5. O Eterno protege o justo, mas o malvado e o injusto Ele rejeita.
  6. Sobre os perversos fará chover fogo e enxofre; uma incandescente rajada será sua porção.
  7. Pois justo é o Eterno, que ama a retidão, e os puros contemplarão Sua face.

Salmo 12

Deus protege e salva. Quem professa amizade e lealdade é às vezes traiçoeiro, mas as garantias Divinas puras e duradouras.

  1. Ao mestre do canto, acompanhado na “Sheminit”, um salmo de David.
  2. Salva-me, Eterno, pois não há mais piedosos e, dentre os filhos dos homens, desapareceram os que Te são fiéis.
  3. Falsidades são pronunciadas por cada qual para com seu próximo, com duplicidade e falas aduladoras.
  4. Destrói, ó Eterno, os lábios bajuladores e a língua que fala com soberba,
  5. aqueles que dizem “Prevaleceremos sobre todos com nossa língua; com lábios como os nossos, quem pode ser nosso senhor?”
  6. Por causa dos gemidos dos desvalidos e do roubo contra os carentes, “Agirei agora”, dirá o Eterno, “Trarei salvação aos que por ela suspiram.”
  7. As palavras do Eterno são confiáveis e sinceras, puras como a prata, por sete vezes depurada no cadinho.
  8. Tu, Eterno, os protegerás, preservá-los-ás desde agora para sempre.
  9. Em vão os circundam os ímpios, enquanto dentre todos os homens eleva os piedosos.

Salmo 13

O exílio de Israel desanima e deprime. É como uma noite longa e escura sem esperança do amanhecer. Este Salmo é uma oração que suplica a ajuda de Deus em momentos como estes. Enquanto o ser humano tiver fé e confiança em Deus, não será derrotado.

  1. Ao mestre do canto, um salmo de David.
  2. Até quando, ó Eterno, esquecer-me-ás para sempre? Até quando de mim ocultarás Tua face?
  3. Até quando terei dias repletos de angústia em minha alma e aflição em meu coração? Até quando me sobrepujarão meus inimigos?
  4. Olha para mim, responde-me, ó Eterno, meu Deus! Restaura a luz de meus olhos para que eu não durma o sono da morte;
  5. para que não diga meu inimigo: “Eu o venci!” e se regozijem meus opressores por me verem caído.
  6. Sempre em Tua benevolência confiei; meu coração exultará com Tua salvação; entoarei então cânticos ao Eterno que me cumulou de benefícios.

Salmo 14

Embora possa aplicar às atribulações de sua própria vida, David também se refere, profeticamente, à destruição do primeiro Templo por Nabucodonosor. Este Salmo é quase idêntico ao Salmo 53.

  1. Ao mestre do canto, um salmo de David. Diz o insensato em seu coração: “Deus não existe.” São corruptas e abomináveis as ações do homem, ninguém pratica o bem.
  2. Dos céus, o Eterno perscruta os homens, buscando aquele que tem inteligência e cujo pensamento O busca.
  3. Entretanto, todos se perverteram, e não há um único que pratique o bem.
  4. Serão tão insensíveis todos os que devoram meu povo, como se devora um pão, e que não invocam o Eterno?
  5. Ante o Eterno tremerão de medo, pois Deus está presente no círculo dos justos.
  6. Arrepender-se-ão do juízo que impuseram sobre o humilde, pois o Eterno é seu escudo e proteção.
  7. Que de Tsión logo venha a salvação de Israel! Quando o Eterno fizer retornar Seu povo, então Jacob rejubilará e Israel se alegrará.

Salmo 15

David pergunta, “Eterno, quem pode residir em Tua Tenda?”, e depois indica quais as exigências de conduta ética para com seu semelhante. Isto é: só podemos aspirar chegar perto de Deus se formos generosos com nossos semelhantes.

  1. Um salmo de David. Ó Eterno, quem habitará em Teu tabernáculo e quem ascenderá a Teu sagrado monte?
  2. Aquele cujo caminho é de retidão, que prima pela justiça, cujo coração se rende à verdade;
  3. que não tem calúnia em sua língua, que jamais praticou o mal contra seu companheiro nem causou vergonha a seu próximo.
  4. O malévolo lhe é repulsivo, mas aos tementes a Deus concede honra; não anula um juramento mesmo quando lhe é danoso.
  5. Nunca emprestou seu dinheiro a juros, nem aceitou suborno contra o inocente. Quem desta forma se comporta, jamais sucumbirá.

Salmo 16

É preciso humildade e clareza de visão para reconhecer que nosso quinhão na vida é designado por Deus. Habilidades e força que parecem ser os fatores determinantes da vida são apenas ferramentas. E o Criador as maneja.

  1. “Michtam” de David. Protege-me, ó Eterno, porque em Ti busquei refúgio.
  2. A meu Deus proclamei: És meu Senhor e meu Benfeitor, e nada há para mim acima de Ti.
  3. Quanto aos puros e santos da terra, são as figuras ilustres com quem me comprazo.
  4. Padecerão porém severas penas aqueles que trocam sua confiança no Eterno por falsos deuses. Não participarei das libações com o sangue de suas oferendas, e seus nomes não serão pronunciados por meus lábios.
  5. O Eterno é a porção da minha herança e do meu cálice. É de minha sorte, o sustentáculo.
  6. Aprazíveis e amenos são os lugares a mim destinados, bela é a minha herança.
  7. Bendirei ao Eterno que me guia; e até de noite, me adverte o coração.
  8. Consciente estou sempre da presença do Eterno; estando Ele à minha direita, nada poderá me abalar.
  9. Por isto se alegra meu coração, se regozija minha alma, descansa seguro meu corpo,
  10. pois ao “Sheol” não abandonarás a minha alma, nem permitirás que com a corrupção eu me depare.
  11. Far-me-ás conhecer a vereda da vida; em Tua Presença a alegria se torna plena; à Tua Destra, as delícias são eternas.

Salmo 17

David roga a Deus para considerar a sua integridade e o proteja de seus inimigos. Ele deseja estar somente à mercê de Deus e se amparar na glória de Sua Presença.

  1. Uma oração de David. Ouve, ó Eterno, minha causa que é justa; atende a meu clamor e escuta minha oração, pois ela não provém de lábios enganosos.
  2. De Ti emanará meu julgamento, de Ti que tudo vês com eqüidade.
  3. A noite, perscrutaste meu coração, Tu me testaste, e de pecaminoso nada encontraste; meu pensamento é coerente com minhas palavras.
  4. Para que minhas ações se pautem por Teus pronunciamentos, do caminho dos infratores me afasta.
  5. Quando meus passos trilham Teus caminhos, não vacilam meus pés.
  6. Eu Te invoquei, e sei que me responderás, ó Eterno; volta para mim Teu ouvido e atenta às minhas palavras.
  7. Estende Tua misericórdia e salva com Tua Destra os que em Ti se refugiam, daqueles que contra eles se levantam.
  8. Guarda-me com o desvelo com que se cuida da pupila dos olhos; esconde-me sob a sombra de Tuas asas
  9. dos perversos que me querem saquear, dos inimigos que me cercam e querem se apoderar de minha alma.
  10. Cerram à piedade seus corações empedernidos, e com arrogância pronunciam palavras duras.
  11. Cercam agora nossos passos, e buscam seus olhos o meio de lançar-nos por terra.
  12. Assemelha-se ao leão que espreita, pronto a devorar sua presa ou como o leãozinho emboscado em seu esconderijo.
  13. Ergue-Te, Eterno, para subjugá-los e, com Tua espada, livra minha alma dos perversos.
  14. Que somente por Tua mão eu chegue à morte, como aqueles que atingem idade avançada, cuja porção é a vida eterna, que cumulas de Teus tesouros, que se alegram com seus rebentos a quem farão herdar o seu legado.
  15. Quanto a mim, por minha integridade, contemplarei Tua face; e ao despertar serei saciado por Tua visão.

Tanach Diário

Livro de Shmuel II capítulo 7

(1) E aconteceu que, quando o rei habitava em sua casa, e D’us lhe dera descanso de todos os seus inimigos ao redor, (2) o rei disse a Natan, o profeta: “Vê, eu habito numa casa de cedro, e a Arca de D’us habita dentro de cortinas”; (3) Natan disse ao rei: “Vai e faze tudo o que está em teu coração, pois D’us é contigo”; (4) porém naquela mesma noite veio a palavra de D’us a Natan, dizendo: (5) “Vai e dize a Meu servo David: Assim disse D’us: Acaso tu Me edificarás uma casa para Eu habitar? (6) Pois não habitei em casa alguma desde o dia em que fiz subir os filhos de Israel do Mitsrayim até este dia, mas tenho andado em tenda e em tabernáculo; (7) em todo o lugar por onde andei com todos os filhos de Israel, acaso falei alguma palavra a alguma das tribos de Israel, a quem ordenei que apascentassem Meu povo Israel, dizendo: Por que não Me edificastes uma casa de cedro? (8) Agora, pois, assim dirás a Meu servo David: Assim disse D’us dos Exércitos: Eu te tomei do pasto, de detrás das ovelhas, para seres príncipe sobre Meu povo, sobre Israel; (9) estive contigo por onde quer que andaste, exterminei todos os teus inimigos diante de ti, e farei para ti um grande nome, como o nome dos grandes que há na terra; (10) estabelecerei um lugar para Meu povo Israel, e o plantarei para que habite em seu lugar e não mais seja perturbado, e os filhos da perversidade não tornarão a oprimi-lo como dantes, (11) desde o dia em que estabeleci juízes sobre Meu povo Israel; e te darei descanso de todos os teus inimigos; e D’us te anuncia que Ele fará para ti uma casa; (12) quando teus dias se cumprirem e repousares com teus pais, estabelecerei depois de ti a tua descendência, que sairá de tuas entranhas, e firmarei o seu reino; (13) ele edificará uma casa para Meu Nome, e firmarei para sempre o trono do seu reino; (14) Eu lhe serei por pai, e ele Me será por filho; se cometer iniquidade, castigá-lo-ei com vara de homens e com golpes de filhos de homens, (15) mas a Minha misericórdia não se apartará dele, como a retirei de Shaul, a quem removi de diante de ti; (16) tua casa e teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será estabelecido para sempre; (17) conforme todas estas palavras e conforme toda esta visão, assim falou Natan a David; (18) então o rei David entrou, sentou-se diante de D’us e disse: “Quem sou eu, ó D’us, e que é a minha casa, para que me tenhas trazido até aqui? (19) e ainda isto foi pouco aos Teus olhos, ó D’us, pois falaste também acerca da casa de Teu servo para um tempo distante; e esta é a instrução do homem, ó D’us; (20) que mais poderá David falar-Te? Pois Tu conheces Teu servo, ó D’us; (21) por causa de Tua palavra e segundo Teu coração fizeste toda esta grandeza, para fazer conhecer ao Teu servo; (22) por isso és grande, ó D’us, pois não há semelhante a Ti, nem há D’us além de Ti, conforme tudo o que ouvimos com nossos ouvidos; (23) e quem é como Teu povo, como Israel, nação única na terra, a quem D’us foi para redimir para Si por povo, para fazer para Si um Nome, e para fazer por vós grandezas e coisas temíveis para a Tua terra, diante do Teu povo, que redimiste para Ti do Mitsrayim, das nações e de seus deuses? (24) Tu confirmaste para Ti Teu povo Israel por povo Teu para sempre, e Tu, D’us, Te tornaste o seu D’us; (25) agora, pois, ó D’us, a palavra que falaste acerca de Teu servo e acerca de sua casa, confirma-a para sempre, e faze como falaste; (26) e engrandeça-se o Teu Nome para sempre, dizendo: D’us dos Exércitos é D’us sobre Israel; e a casa de Teu servo David seja estabelecida diante de Ti; (27) pois Tu, D’us dos Exércitos, D’us de Israel, revelaste aos ouvidos de Teu servo, dizendo: Edificarei para ti uma casa; por isso Teu servo achou no seu coração o orar-Te esta oração; (28) agora, pois, ó D’us, Tu és D’us, e Tuas palavras são verdade, e falaste a Teu servo este bem; (29) digna-Te, pois, abençoar a casa de Teu servo, para que permaneça para sempre diante de Ti, pois Tu, ó D’us, falaste, e com a Tua bênção será bendita para sempre a casa de Teu servo.

Leitura diária para 1 Shevat 5786

12–19 minutos

Parashat Bo, 2ª Alyá (Êxodo 10:12 — 10:23)

12 Deus disse a Moisés: “Levante o seu braço sobre o Egito para que os gafanhotos subam sobre o Egito e devorem toda a vegetação da terra, incluindo o que restou da chuva de granizo.”13 Moisés ergueu seu cajado sobre o Egito, e durante todo aquele dia e noite Deus enviou um vento leste sobre a terra. Quando amanheceu, o vento leste havia trazido os gafanhotos  para o país .14 Os gafanhotos invadiram todo o Egito e se apoderaram de todo o território egípcio como uma praga terrível; nunca antes houve uma praga de gafanhotos como esta, e nunca mais haverá nada semelhante. 15 Cobriram toda a superfície da terra, de modo que a terra ficou escura. Devoraram toda a vegetação da terra e todos os frutos das árvores que o granizo havia deixado; não restou folha alguma nas árvores nem na vegetação do campo em todo o Egito.16 Faraó chamou às pressas Moisés e Arão e disse: “Pequei contra Deus, o seu Deus, e contra vocês.17 Agora, por favor, perdoe-me a ofensa apenas desta vez e rogue a Deus, o seu Deus, que afaste de mim esta morte!18 Moisés e Arão saíram da presença de Faraó, e Moisés suplicou a Deus.19 Então Deus inverteu a direção do vento , fazendo soprar um vento oeste muito forte , que levou os gafanhotos e os lançou no Mar Vermelho. Não restou um único gafanhoto em todo o Egito.20 Deus tornou Faraó obstinado, e ele não enviou os israelitas.21 Deus disse a Moisés: “Levante a mão para o céu, para que haja trevas sobre o Egito durante o dia , e as trevas à noite sejam ainda mais densas. Mais tarde, as trevas se tornarão palpáveis.”22 Então Moisés levantou a mão para o céu. Houve trevas densas em todo o Egito durante três dias.23 Nenhum egípcio conseguia ver seu irmão. Nos três dias seguintes , nenhum egípcio conseguiu se levantar do seu lugar. Havia luz para todos os israelitas em suas tendas.


Tehillim do Dia – Salmos

Capítulos 1-9

Salmo 1

O Livro dos Salmos começa apresentando uma orientação para a vida: evitar a influência dos malévolos e dos que ridicularizam o bem, e adotar o estudo e o conhecimento das Escrituras como meta principal. Deus recompensará nossa vida com alegria e significado.

  1. Bem-aventurado o homem que não segue os conselhos dos ímpios, não trilha o caminho dos pecadores e nem participa da reunião dos insolentes;
  2. mas, ao contrário, se volta para a Lei do Eterno e, dia e noite, a estuda.
  3. Ele será como a árvore plantada junto ao ribeiro que produz seu fruto na estação apropriada e cujas folhagens nunca secam;
  4. assim também florescerá tudo que fizer.
  5. Quanto aos ímpios, são como o feno que o vento espalha. Nem eles prevalecerão em julgamentos, nem os pecadores na assembléia dos justos;
  6. pois o Eterno favorece o caminho dos justos, enquanto o dos ímpios os conduz à sua ruína.

Salmo 2

Deus ungiu David rei e os filisteus reuniram seus exércitos para depô-lo (II Samuel 5:16). Este Salmo mostra a inutilidade de querer frustrar a vontade de Deus.

  1. Por que se reuniram povos e em vão murmuram nações?
  2. Os reis da terra se posicionaram com os líderes que, secretamente, conspiramcontra o Eterno e Seu ungido, dizendo:
  3. “Rompamos suas amarras e nos livremos de suas cordas”.
  4. Aquele que habita nos céus apenas rirá; o Eterno deles zombará.
  5. Ele demonstrará Sua ira e com Seu furor os aterrorizará.
  6. Ele dirá: “Eu ungi o Meu rei, sobre Tsión, meu santo monte.
  7. Proclamarei o que me disse o Eterno: “Tu és meu filho, hoje te gerei.
  8. Pede-Me e te darei os povos como herança, e os confins da terra como possessão.
  9. Com um cetro de ferro os esmagarás; como a um vaso de barro os estilhaçarás”.
  10. Portanto, ó reis da terra, sede prudentes; obedecei, ó governantes da terra.
  11. Servi ao Eterno com reverência e regozijai-vos com temor e respeito.
  12. Buscai a pureza em vosso comportamento para que Ele não liberte Sua ira e vosso caminho conduza ao abismo, por um breve instante de sua cólera. Bem-aventurados sejam aqueles que Nele confiam!

Salmo 3

Absalão, o filho de David, quase teve êxito em sua tentativa de destroná-lo (II Samuel 15-19). Apesar de sua situação parecer desesperadora, este Salmo revela como a confiança de David em Deus lhe dá paz e segurança.

  1. Salmo de David, quando fugia de Absalão, seu filho.
  2. Ó Eterno, tão numerosos são meus adversários! Tantos são os que se levantam contra mim!
  3. Muitos são os que dizem de mim: Para ele não há salvação do Eterno.
  4. Mas Tu, Meu Deus, és um escudo a me proteger. És minha glória, a razão de se manter erguida minha cabeça.
  5. Minha voz clamou ao Eterno, e Ele, em Seu santo monte, me atendeu.
  6. Deitei e adormeci; mas acordei porque o Eterno me sustentou.
  7. Não temerei a multidão de povos, que de todos os lados, se juntaram contra mim.
  8. Levanta-Te e salva-me, ó Eterno meu Deus! Feriste o rosto de todos os meus inimigos, e quebraste os dentes dos pecadores.
  9. A salvação provém do Eterno; que sobre Teu povo recaia Tua bênção.

Salmo 4

Embora se dirija aos seguidores de Absalão, David fala a todos os pecadores e apela para abandonar a hipocrisia, a ilusão das vitórias temporárias e a glória sem significado. Que cessem as calúnias e reconheçam a verdade que os levará ao arrependimento e à verdadeira felicidade.

  1. Ao mestre do canto, com instrumentos de corda, um salmo de David.
  2. Responde à minha invocação, ó Deus da minha justiça! Ó Tu que me aliviaste da angústia, apieda-Te de mim e ouve minha oração.
  3. Filhos dos homens, até quando difamareis minha honra, amareis a futilidade e buscareis a traição?
  4. Sabei que o Eterno destaca para si o devoto e ouvir-me-á quando eu O evocar.
  5. Portanto tremei e não pecai; ponderai em vossos corações enquanto estais em vossos leitos e suspirai.
  6. Oferecei sacrifícios com honestidade e confiai no Eterno.
  7. Dizem muitos: Quem nos mostrará o bem? Que a luz da Tua face resplandeça sobre nós, ó Eterno.
  8. Alegria puseste em meu coração como no tempo da abundância do trigo e do vinho.
  9. Em completa paz poderei repousar e dormir, porque somente Tu, ó Eterno, me manterás em segurança.

Salmo 5

Sitiado por inimigos, o homem justo reza pela libertação para aliviar seu sofrimento físico e servir a Deus sem interferências.

  1. Ao mestre do canto, acompanhado por instrumentos de sopro, um salmo de David.
  2. Dá ouvidos às minhas palavras, ó Eterno, e considera minha súplica.
  3. Atenta à voz do meu clamor, meu Rei e Deus, pois a Ti dedico minha prece.
  4. Eterno, ouve a voz da oração que a Ti dirijo a cada manhã, aguardando Tua resposta.
  5. Pois Tu não és complacente com a maldade, e a perversidade não se pode manter junto a Ti.
  6. Os ímpios não permanecem sob Teu olhar; Tu desprezas os perversos.
  7. Tu condenas os que praticam traição e abominas os sanguinários e os falsos.
  8. Mas eu, por Tua imensa misericórdia, entrarei em Tua casa, prostrar-me-ei ante o Teu sagrado santuário, pleno de reverência e temor.
  9. Ó Eterno, guia-me através de Teus caminhos justos, a despeito dos inimigos que me espreitam. Aplaina ante mim o Teu caminho.
  10. Pois não há sinceridade em seus lábios e só traição em seu coração. Suas gargantas parecem sepulcros abertos e suas línguas são falsamente aduladoras.
  11. Condena-os, ó Eterno! Que tropecem em seus próprios ardis; rejeita-os pela multiplicidade de seus crimes, por se terem rebelado contra Ti.
  12. Alegrar-se-ão porém todos que em Ti confiam; exultarão sob Teu amparo os que amam Teu santo nome.
  13. Pois Tu certamente abençoarás o justo, ó Eterno, envolvendo-o em Teu afeto como um escudo.

Salmo 6

David estava doente e sentia dores ao compôs este Salmo. Sua intenção era que esta oração fosse usada pelos doentes ou em perigo e, particularmente, quando Israel enfrentasse opressão e privação.

  1. Ao mestre do canto, acompanhado com música instrumental, um salmo de David.
  2. Eterno, não me castigues em Tua ira, nem me repreendas em Teu furor.
  3. Apieda-Te de mim, ó Eterno, porque falece minha força; cura-me, pois de terror tremem meus ossos.
  4. Abalada está minha alma; e Tu, Eterno, até quando me deixarás abandonado?
  5. Retorna, ó Eterno, e livra minha alma; salva-me, por Tua imensa misericórdia.
  6. Pois não se erguem louvores a Ti de entre os mortos; no “Sheól”, quem Te exaltará?
  7. Estou esgotado de tanto gemer; toda noite, transborda o leito com meu pranto, se inunda com minhas lágrimas o lugar de meu repouso.
  8. Consumidos pela aflição estão meus olhos, envelhecidos por causa dos meus inimigos.
  9. Que se afastem de mim todos os inimigos, porque o Eterno escutou a voz de meus lamentos.
  10. Ouviu minha súplica e aceitará minha oração.
  11. Todos os meus inimigos se verão frustrados e envolvidos por terror, de pronto hão de recuar envergonhados.

Salmo 7

Neste Salmo, David indica como o generoso de espírito às vezes parece impotente contra o ataque dos que tramam e são traiçoeiros. O justo, todavia, deve criar coragem baseado na compreensão de que prevalecerá sobre o perverso, vítima de suas próprias tramas.

  1. “Shigaion” que David cantou ao Eterno, por causa de Cush, o Benjaminita. Ó Eterno, meu Deus, em Ti eu busco refúgio; livra-me de todos os meus perseguidores e salva-me, para que o inimigo não despedace minha alma como um leão, que dilacera sua presa sem que ninguém a socorra. Eterno, meu Deus, se eu intencionalmente tiver praticado o mal de que me acusam, se há injustiça em meus atos, se eu retribuí com o mal a quem comigo estava em paz, eu que resgatei o perseguidor que sem razão me acossava, então que persiga e alcance o inimigo minha alma, abata minha vida e espoje no pó a minha honra. Ergue-Te, Eterno, em Tua ira; atua com furor contra meus opressores, eleva-Te em meu favor no juízo que ordenaste. Quando se dispuser a congregação dos povos em Tua volta, que Te eleves acima dela, pondo nas alturas Teu divino trono. O Eterno julgará os povos; resgatar-me-á pelo mérito de minha retidão e integridade. Faze chegar ao fim o mal dos ímpios, e dá firmeza ao justo, Tu que perscrutas as emoções e pensamentos de cada um, ó Deus justo. És meu escudo, ó Eterno, que salvas os puros de coração. Deus absolve os justos, e se irrita todos os dias contra os ímpios. Se não se arrepender o perverso, mas afiar sua espada e distender seu arco e mirar o justo, contra ele mesmo estará preparando armas mortíferas e apontando suas flechas. O perverso concebe iniqüidade, fecunda maldade e gera falsidade; escava um fosso e o aprofunda, mas ele mesmo cairá na armadilha que preparou; sobre sua própria cabeça recairá sua iniqüidade, e sobre seu crânio sua violência. Darei graças ao Eterno por Sua justiça, e cantarei um louvor ao Nome do Eterno, o Altíssimo.

Salmo 8

Este Salmo é o cântico extasiado de quem tem a clareza de visão para perceber a obra de Deus em toda parte e sente que as realizações do ser humano são dádivas de Deus a Quem deve se dedicar.

  1. Ao mestre do canto, acompanhado com o instrumento “Guitit”, um salmo de David.
  2. Ó Eterno, nosso Deus! Quão majestoso é o Teu Nome em toda terra, Tu que estendeste Teu esplendor sobre os céus!
  3. Até do balbuciar das crianças e lactentes crias força contra Teus detratores, para destruir inimigos e malévolos.
  4. Quando contemplo Teus céus, obra dos Teus próprios dedos, vejo a lua e as estrelas que criaste,
  5. e me pergunto: o que é o ser humano para que dele Te lembres? E o filho do homem, para que o consideres?
  6. Entretanto, pouco menos que os anjos o fizeste e de glória e esplendor o coroaste.
  7. Tu o puseste como soberano sobre as obras de Tuas mãos; tudo puseste a seus pés:
  8. ovelhas e gado, todos eles, e também os animais do campo,
  9. os pássaros do céu, os peixes do oceano e tudo o que se move sobre os caminhos dos mares.
  10. Ó Eterno, nosso Deus! Quão majestoso é o Teu Nome em toda a terra!

Salmo 9

Apesar de deslumbrado com seu êxito temporário, o mal desaparece no esquecimento, e somente Deus permanece.

  1. Ao mestre do canto, sobre a morte de Laben, um salmo de David.
  2. Louvar-Te-ei, ó Eterno, com todo meu coração; sobre todas as Tuas maravilhas contarei.
  3. Alegrar-me-ei e me regozijarei em Ti, e cantarei a Teu Nome, Altíssimo.
  4. Ao retrocederem, meus inimigos tropeçarão e se perderão ante Tua Presença.
  5. Pois Tu sustentaste meu direito e minha causa, ao sentar-Te no trono, ó Juiz justo.
  6. Destruíste povos malévolos e condenaste os ímpios; seus nomes apagaste para todo o sempre.
  7. Exterminado foi o inimigo, só ruínas restaram; as cidades destruíste e toda sua lembrança pereceu.
  8. Mas o Eterno para sempre está nas alturas; Ele prepara Seu trono para o juízo.
  9. Ele julgará o mundo com retidão, sentenciará os povos com eqüidade.
  10. O Eterno será uma fortaleza para o oprimido, uma fortaleza nos tempos de angústia.
  11. E confiarão em Ti todos os que conhecerem o Teu Nome, pois Tu nunca deixaste os que Te procuram, ó Eterno!
  12. Cantarei ao Eterno, que habita em Tsión; difundam entre os povos seus feitos.
  13. Pois Aquele que cobra o sangue derramado, deles Se lembrou; Ele não esquece o clamor dos aflitos.
  14. Concede-me a Tua graça, Eterno; vê minha aflição, causada pelos que me odeiam, Tu que me resgatas dos portais da morte.
  15. Para que eu possa exaltar todos os Teus louvores nos portões da filha de Tsión; para que eu possa exultar com a Tua salvação.
  16. Caíram os povos no fosso que fizeram; na rede que estenderam, seu próprio pé ficou preso.
  17. O Eterno tornou-Se conhecido, Ele executou a sentença; através de suas próprias mãos, o perverso foi golpeado. Refleti sobre isso.
  18. Os ímpios voltarão ao abismo, assim como todos os povos que do Eterno se olvidam.
  19. Pois o necessitado não será eternamente esquecido, nem a esperança dos aflitos se perderá para sempre.
  20. Levanta-Te, Eterno, para que não prevaleça o malévolo; e sejam por Ti julgados todos os povos.
  21. Impõe-lhes, Eterno, o temor a Ti, para que reconheçam todos que são apenas falíveis mortais.

Tanach Diário

Livro de Shmuel II capítulo 6

(1) Davi reuniu novamente todos os escolhidos de Israel, trinta mil homens; (2) Davi se levantou e foi, com todo o povo que estava com ele, de Baalê-Judá, para fazer subir dali a Arca de D’us, sobre a qual é invocado o Nome, o Nome de D’us dos Exércitos, que Se assenta sobre os querubins; (3) colocaram a Arca de D’us sobre um carro novo e a tiraram da casa de Avinadav, que estava no monte, e Uzá e Achiô, filhos de Avinadav, conduziam o carro novo; (4) levaram-na da casa de Avinadav, que estava no monte, com a Arca de D’us, enquanto Achiô ia adiante da Arca; (5) Davi e toda a casa de Israel alegravam-se diante de D’us com toda sorte de instrumentos de madeira de cipreste, com harpas, liras, tamborins, sistros e címbalos; (6) quando chegaram à eira de Nacon, Uzá estendeu a mão à Arca de D’us e a segurou, porque os bois tropeçaram; (7) a ira de D’us se acendeu contra Uzá, e D’us o feriu ali por essa irreverência, e ele morreu ali junto à Arca de D’us; (8) Davi se entristeceu porque D’us havia irrompido contra Uzá, e chamou aquele lugar Pérez-Uzá até o dia de hoje; (9) naquele dia Davi temeu a D’us e disse: “Como virá a mim a Arca de D’us?”; (10) Davi não quis levar a Arca de D’us para a cidade de Davi, mas desviou-a para a casa de Oved-Edom, o geteu; (11) a Arca de D’us permaneceu na casa de Oved-Edom, o geteu, três meses, e D’us abençoou Oved-Edom e toda a sua casa; (12) foi anunciado ao rei Davi, dizendo: “D’us abençoou a casa de Oved-Edom e tudo o que lhe pertence, por causa da Arca de D’us”, então Davi foi e fez subir a Arca de D’us da casa de Oved-Edom para a cidade de Davi com alegria; (13) quando os que carregavam a Arca de D’us davam seis passos, ele sacrificava um boi e um novilho cevado; (14) Davi dançava com todas as suas forças diante de D’us, e Davi estava cingido com um éfode de linho; (15) assim Davi e toda a casa de Israel fizeram subir a Arca de D’us com júbilo e ao som do shofar; (16) quando a Arca de D’us entrou na cidade de Davi, Mical, filha de Saul, olhou pela janela e, vendo o rei Davi saltar e dançar diante de D’us, desprezou-o em seu coração; (17) introduziram a Arca de D’us e a colocaram em seu lugar, no meio da tenda que Davi lhe armara, e Davi ofereceu holocaustos e ofertas pacíficas diante de D’us; (18) quando Davi terminou de oferecer os holocaustos e as ofertas pacíficas, abençoou o povo em Nome de D’us dos Exércitos; (19) distribuiu a todo o povo, a toda a multidão de Israel, tanto homens como mulheres, a cada um um pão, uma porção de carne e um bolo de passas, e todo o povo se retirou, cada um para sua casa; (20) Davi voltou para abençoar a sua casa, mas Mical, filha de Saul, saiu ao encontro de Davi e disse: “Quão honrado foi hoje o rei de Israel, descobrindo-se hoje aos olhos das servas de seus servos, como se descobre um homem vulgar!”; (21) Davi disse a Mical: “Foi diante de D’us, que me escolheu em lugar de teu pai e de toda a sua casa, para me constituir príncipe sobre o povo de D’us, sobre Israel; diante de D’us me alegrarei; (22) ainda me tornarei mais desprezível do que isto e serei humilde aos meus próprios olhos, mas com as servas de quem falaste, com elas serei honrado”; (23) e Mical, filha de Saul, não teve filhos até o dia de sua morte.

Miketz Primeira Leitura — Bereshit 41:1–14

4–6 minutos

E sucedeu, passados dous annos de dias, que Par‘ô, rei do Egipto, teve hum sonho portentoso e de mui alta significação. Eis que estava elle em pé junto ao rio Ye’or, e do seio das águas subiam sete vaccas gordas, mui formosas de vista e de carnes abundantes, que pastavam brandamente entre os juncos do rio [Bereshit 41:1–2].

E após ellas, do mesmo rio, emergiram sete vaccas magras, feias de rosto e esquálidas de corpo, que devoraram as vaccas gordas, e Par‘ô despertou, perturbado em seu espírito [Bereshit 41:3–4].

E dormindo novamente, sonhou outra vez: eis que sete espigas de trigo, cheias e boas, cresciam num só talo; e eis que detrás dellas brotavam sete espigas mirradas e queimadas pelo vento oriental (ruaḥ kadim), e as espigas mirradas devoraram as cheias. E despertando Par‘ô, viu que era sonho [Bereshit 41:5–7].

Pela manhã, agitou-se-lhe a alma, e mandou chamar todos os magos (chartumei Mitzrayim) e os sábios do Egipto, e narrou-lhes seus sonhos, mas nenhum pôde dar-lhe interpretação que satisfizesse o seu coração [Bereshit 41:8].

Então o sar hamashqim, copeiro-mór, ergueu a voz diante de Par‘ô, e disse: “Recordo hoje as minhas culpas. Quando o Rei se indignou contra seus servos, lançou-me a mim e ao padeiro-mór na prisão da casa do capitão da guarda. E alli estava connosco hum jovem hebreu (na‘ar ‘ivri), servo do capitão da guarda; contámos-lhe nossos sonhos, e elle os interpretou a cada um segundo o seu sonho. E aconteceu que, conforme nos interpretou, assim foi: eu fui restituído ao meu posto, e o outro foi suspenso na forca.” [Bereshit 41:9–13]

Então Par‘ô apressadamente mandou chamar Yosêf, e o fizeram sair das masmorras. E barbeando-se e trocando suas vestes, apresentou-se elle diante de Par‘ô, o Rei do Egipto [Bereshit 41:14].

Assim se conclui a primeira leitura.

A Guemará testifica que a expressão “dous annos de dias (yamim)” significa dous annos completos e inteiros [Talmud Bavli, Rosh Hashaná 11a].
E o Midrash perguntou: “Que novidade há em dizer ‘Par‘ô sonhou’, se todo homem sonha?” Respondeu o Midrash: “Porque o sonho de hum rei é presságio para todo o mundo, pois das resoluções dos reis dependem as sortes das nações” [Bereshit Rabá 89:1].

Disseram os Sábios: “Hum sonho é huma sexagésima parte da profecia” [Talmud Bavli, Berachot 57b].
E Rabi Ḥanan ensinou: “Ainda que o Mestre dos Sonhos diga a hum homem que morrerá no dia seguinte, não cesse elle de orar, pois está escrito: ‘Na multidão dos sonhos há vaidades e muitas palavras; mas teme tu a D’us’” [Kohelet 5:6; Berachot 55a].

Rabi Shmuel bar Naḥmani, em nome de Rabi Yonatan, declarou: “O homem não vê em sonho senão o que revolve em seu coração quando desperto”, como está escrito: “Os teus pensamentos vieram à tua mente, estando deitado… para que conheças os pensamentos do teu coração” [Daniel 2:29–30; Berachot 55b].

Quando Shmuel tinha hum pesadelo, dizia: “Os sonhos falam falsamente” [Zekharia 10:2]; mas quando sonhava bom sonho, recordava a palavra divina: “Falo com elle em sonho” [Bamidbar 12:6].
E Rava resolveu esta aparente contradição, ensinando que o versículo de Bamidbar fala dos sonhos que vêm por meio de hum anjo, e o de Zekharia, dos sonhos inspirados por espírito impuro [Berachot 55b].

Rabi Yoḥanan disse: “Os ímpios põem-se sobre seus deuses, como Par‘ô, que estava em pé sobre o rio; mas o Santo, bendito seja, põe-Se sobre os justos, como está escrito: ‘E eis que HaShem estava sobre elle’” [Bereshit 28:13; Bereshit Rabá 89:1].
Pois os idólatras velam por seus ídolos, e o Altíssimo vela por Seu povo.

Outro Midrash diz que, nas palavras: “Eis que subiam do rio sete vaccas”, D’us já revelava a Par‘ô o sentido do sonho — que a abundância e a fome viriam por meio do Ye’or [Bereshit Rabá 89:2].
Rabi Yehudá explicou que o “espírito perturbado” de Par‘ô [Bereshit 41:8] significa que elle ardia em desejo de conhecer a verdadeira interpretação [Tanchuma, Miketz 3].
E o Midrash Tanchuma esclarece que os magos do Egipto (chartumei Mitzrayim) eram homens que consultavam os mortos (doresh el ha-meitim) [Tanchuma, Miketz 4].

Rabi Yehoshua de Siknin, em nome de Rabi Levi, ensinou que havia intérpretes em abundância, porém nenhum agradou a Par‘ô. Disseram-lhe que as sete vaccas boas eram sete filhas que teria, e as sete feias, sete filhas que morreriam; ou que as sete espigas boas eram sete províncias conquistadas, e as mirradas, sete que se rebelariam.
Mas não encontrou contentamento o Rei nestas palavras, e assim se cumpriu: “O escarnecedor busca sabedoria e não a acha; mas o entendimento é fácil ao prudente” [Mishlei 14:6; Bereshit Rabá 89:6].

E o Midrash conclui que o Altíssimo dispôs tudo isto para elevar Yosêf, pois se este fora chamado de começo, menor louvor receberia. Porém, vindo por fim, achou graça e foi engrandecido perante todos [Bereshit Rabá 89:7].

O Zôhar haKadosh ensina que “hum sonho é huma sexagésima parte da profecia”, pertencendo ao grau do anjo Gavri’el, supervisor dos sonhos.
E porquanto todo sonho é mistura de verdade e falsidade, cumpre-se segundo a boca que o interpreta, como está escrito: “E aconteceu que, como nos interpretou, assim foi” [Bereshit 41:13; Zôhar, Vayeishev 184a].

O Ramban (Naḥmanides) comenta que as vaccas significam a lavoura, e as espigas, a ceifa, conforme: “Não haverá lavoura nem colheita” [Bereshit 45:6]. O ruaḥ kadim, vento oriental, é o sopro abrasador que trará fome e esterilidade [Hoshea 13:15; Comentário do Ramban sobre Bereshit 41:2].

E Rabi Avraham ibn ‘Ezra advertiu que, no dizer “E recolheu toda a comida” [Bereshit 47:48], não se deve entender “toda” em sentido absoluto, pois Yosêf não poderia ter tomado tudo sem causar fome ao povo; tomou elle o necessário para a subsistência da terra. Mas o Ramban discorda, afirmando que Yosêf, homem de prudência divina, centralizou o sustento de todo o Egipto, repartindo-o com equidade, segundo a medida de cada um [Comentário do Ramban ad loc.].


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História e Significado de Chanucá

3–4 minutos


Data: Começa em 25 de Kislev e dura 8 dias

Durante a era do Segundo Templo em Jerusalém (aproximadamente 165 AEC.), os governantes gregos sob o domínio selêucida (Antíoco IV Epífanes) tentaram erradicar a fé judaica, proibindo a observância do Shabat, a circuncisão e o estudo da Torá (1 Macabeus 1:41–50; Meguilat Ta’anit 9). Eles profanaram o Templo Sagrado com ídolos (1 Macabeus 1:54), obrigando os judeus a se curvarem a deuses estrangeiros sob pena de morte.
A família Hashmonáim (Macabeus), liderada por Matitiahu e seus filhos, reagiu com coragem e fé. O Talmud relata que, por mérito dessa fidelidade, um pequeno grupo de judeus devotos venceu os poderosos exércitos gregos — um milagre militar sem precedentes (Shabat 21b; Midrash Ma’aseh Chanucá).
Após libertarem Jerusalém, purificaram o Templo e reconsagraram o altar. A palavra “Chanucá” vem de chinuch — dedicação. Eles procuraram óleo puro para reacender a chanukiá, mas encontraram apenas uma pequena botija selada com o selo do Sumo Sacerdote, suficiente para um único dia. Milagrosamente, o óleo ardeu por oito dias, até que novo óleo pudesse ser produzido (Talmud Bavli, Shabat 21b).
Esse milagre, explica o Rambam (Hilchot Chanucá 3:1–3), simboliza que “D’us realiza Sua vontade por meio dos que confiam n’Ele”, e demonstra que a luz divina (a sabedoria da Torá) jamais se apaga diante da escuridão da lógica humana desvinculada do espírito.

A batalha ideológica: luz contra razão sem fé
Os gregos não buscavam apenas dominar militarmente, mas impor uma filosofia racionalista que negava o valor do Divino acima da razão (Midrash Shmuel sobre Pirkei Avot 2:19; Sefer HaMaamarim 5708). Eles diziam: “Aceitem apenas o que faz sentido!” — rejeitando os chukim, mandamentos que ultrapassam a lógica humana, como os de pureza ritual (Bamidbar 19:2; Rashi ad loc.).
O Rebe de Lubavitch (Likutei Sichot, vol. 10, p. 141) explica que esse foi o verdadeiro conflito de Chanucá: a batalha entre a sabedoria humana autônoma e a sabedoria divina revelada. Por isso, o milagre foi com a luz da chanukiá, símbolo do intelecto iluminado pela Torá — a Or HaTorá, a luz da sabedoria divina que transcende e ilumina a razão.
Assim, Hanucá ensina que a fé deve guiar a razão, e não o contrário. O mundo grego acreditava que o homem é o centro; a Torá ensina que o centro é D’us (Mishnê Torá, Yesodei HaTorá 1:1–2).

Relevância para os Bnei Noach
O Rambam (Hilchot Melachim 8:10–11) ensina que os Bnei Noach têm a missão de reconhecer D’us e cooperar com Israel na construção de um mundo justo e iluminado. Durante Hanucá, essa participação simbólica é relembrada, pois as nações contribuíram para os Templos anteriores (Ezra 6:8–10; 1 Reis 5:6) e, segundo o profeta, virão ao Templo futuro para adorar o Único D’us (Zacarias 14:16–19).
No plano espiritual, o Zôhar (I, 152a) afirma que cada vez que os judeus acendem as luzes de Hanucá, uma luz espiritual desce sobre o mundo inteiro — e os justos entre as nações também recebem dessa iluminação. Assim, Hanucá representa um momento de reconsagração universal à luz divina, um eco da futura redenção messiânica (Rashi a Zacarias 14:9).
Celebração pública e familiar
O Rambam (Hilchot Chanucá 4:12) escreve que o acendimento público das luzes é uma das maiores expressões de pirsumei nissa — divulgação do milagre — e deve ser feito com alegria e união comunitária.
Por isso, os Bnei Noach são encorajados a organizar encontros públicos, palestras e celebrações familiares, ensinando o significado de Chanucá como um testemunho da fidelidade à luz da Torá contra as trevas do materialismo e da idolatria.
As crianças devem ser especialmente lembradas — pois foi por mérito delas que muitos milagres ocorreram (Midrash Pesikta Rabbati 2). É costume oferecer pequenos presentes diários e contar histórias de coragem, fidelidade e fé.
Essas práticas não substituem mandamentos, mas conectam os Bnei Noach ao espírito universal de Chanucá, servindo também como antídoto ao feriado pagão de Natal, proibido por estar associado à idolatria (Rambam, Hilchot Avodá Zara 9:4; Shulchan Aruch, Yoreh De’ah 149).

Conclusão
Hanucá é a festa da luz espiritual sobre a escuridão racionalista, da fidelidade sobre a assimilação, e da verdade divina sobre a lógica humana limitada.
Como diz o Rebe de Lubavitch (Sichot Kodesh 5741, vol. 2):
“Cada chama de Hanucá ilumina não apenas a casa, mas o mundo inteiro. É a vitória da fé que transcende o intelecto sobre a mente que se julga o centro.”


Por que Siquém caiu: uma lição das sete Leis de Noé

4–6 minutos

Um olhar sobre a tragédia

A história de Diná é uma das páginas mais dramáticas e complexas do livro de Gênesis. Não se trata simplesmente da narrativa de um crime, mas de uma profunda revelação de como uma sociedade que rejeita normas morais básicas pode mergulhar na degradação espiritual.

Diná, filha de Lia e Jacó, “saiu para ver as filhas da terra” [Bereshit, capítulo 34]. O Midrash explica que esse desejo emanava de sua luz interior. Ela ansiava por ver as moças locais e talvez lhes mostrar a pureza e a moralidade da casa de Jacó, aproximando-as do conhecimento do Todo-Poderoso [Bereshit Rabbah 80:1].

Mas Siquém, filho de Hamor, ao vê-la, “tomou-a e a violentou” [Bereshit, capítulo 34]. Esse ato tornou-se um espelho que revelou a verdadeira natureza daquela sociedade. Não somente o próprio criminoso infringiu as leis — toda a cidade foi cúmplice, pois ninguém impediu o mal nem exigiu justiça.

Violação da ordem moral

O povo de Siquém, como povo chamado a viver segundo as Sete Leis de Noé, demonstrou total desrespeito por esses princípios. Em suas ações, violaram as proibições contra a violência, o sequestro e a imoralidade sexual, e rejeitaram a justiça, rejeitando assim as leis que mantêm a paz e a harmonia na sociedade.

O crime de Siquém foi uma violação direta da proibição da imoralidade sexual, um dos mandamentos centrais dos descendentes de Noé. Rashi enfatiza que foi um ato de violência e supressão da liberdade humana [Rashi sobre Bereshit 34]. Diná foi mantida contra a sua vontade, violando a proibição do rapto e da violência [Bereshit, capítulo 34]. Os habitantes da cidade, ao verem o que estava acontecendo, permaneceram em silêncio e não a protegeram.

Em seu Mishneh Torá, Rambam articula claramente a obrigação da sociedade de estabelecer tribunais, punir criminosos e proteger os fracos [Rambam, Mishneh Torá, Leis dos Descendentes de Noé]. Em Siquém, essa obrigação foi ignorada, e a negação da justiça tornou-se um sinal de fraqueza espiritual. Ramban explica que a idolatria, prevalente entre os povos cananeus, sempre leva a uma quebra da moralidade e à perda do respeito pela vida humana [Ramban sobre Bereshit 34]. Os comentários adicionais dos sábios sobre os motivos de Siquém e a natureza moral de seu crime proporcionam uma compreensão mais profunda de por que essa cidade se mostrou incapaz de virtude [ Comentários adicionais dos sábios sobre os motivos de Siquém e a natureza moral do crime].

Nem mesmo a ausência de um assassinato literal justifica a indiferença: ignorar o sofrimento de Diná é um assassinato espiritual de sua personalidade.

Responsabilidade coletiva dos moradores de Siquém

O princípio da responsabilidade comunitária pela injustiça não é somente uma norma interna de Israel, “Kol Yisrael arevim ze baze”, mas também uma lei universal que se aplica a todos os descendentes de Noé.

Um dos sete mandamentos é a obrigação de estabelecer tribunais e garantir a justiça. Rambam enfatiza que se a sociedade não julgar um criminoso e não exigir punição para o culpado, ela própria se torna cúmplice do crime [veja Rambam, Mishneh Torá, Leis dos Descendentes de Noé em Hilichot uMelachim 9:14].

O povo de Siquém não somente permitiu que o mal ocorresse, como também se recusou a cumprir a principal responsabilidade da comunidade: proteger a vítima e restaurar a justiça. Assim, sua culpa residia não somente no crime de seu príncipe, mas também em seu próprio silêncio. Eles violaram a lei da justiça e, com ela, o fundamento de toda a estrutura moral.

Portanto, o castigo que recaiu sobre a cidade não foi vingança, mas consequência de um princípio vigente desde o início da humanidade: uma sociedade que não confronta um crime compartilha da responsabilidade por ele.

Diná como portadora da luz

O Midrash revela um lado notável do surgimento de Diná: seu movimento para fora foi um ato de luz. Ela carregava consigo força interior e coragem, um desejo de aproximar as pessoas da verdade e da justiça [Bereshit Rabbah 80:1]. A tragédia ocorreu não devido a sua escolha, mas devido à escuridão espiritual da sociedade circundante, que rejeitou a luz.

Uma lição para todas as gerações

A história de Dina fala a todas as gerações como um alerta moral vivo. Ela nos lembra que a sociedade perde sua alma no momento em que deixa de reagir ao mal. Onde o crime fica impune e ignorado, o próprio conceito de justiça desaparece.

Os Sete Mandamentos de Noé são revelados neste contexto não como um conjunto de regras, mas como o fundamento da existência humana. Eles sustentam o mundo da mesma forma que os ossos sustentam o corpo: imperceptivelmente, mas inexoravelmente. Quando esse fundamento é destruído, toda a cultura desmorona. É impossível construir uma civilização digna onde não há justiça, onde a dignidade humana é pisoteada e onde a lei deixa de ser a medida da ação.

No entanto, a lição mais profunda não reside no julgamento de Siquém, mas sim na própria Diná. Ela saiu pelo mundo, levando consigo luz e bondade, com o desejo de aproximar os outros da verdade. A luz nunca é culpada por se extinguir. A responsabilidade recai sempre sobre aqueles que escolhem as trevas. A história de Diná ensina que a verdadeira luz de uma pessoa pode brilhar mesmo quando a crueldade reina ao redor. E se uma sociedade acolhe essa luz, ela prospera. Se a rejeita, ela desmorona. Assim foi então, e assim permanece.

Por site monoteism.ru (Movimento Bnei Noach da rússia)


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