História e Significado de Chanucá

3–4 minutos


Data: Começa em 25 de Kislev e dura 8 dias

Durante a era do Segundo Templo em Jerusalém (aproximadamente 165 AEC.), os governantes gregos sob o domínio selêucida (Antíoco IV Epífanes) tentaram erradicar a fé judaica, proibindo a observância do Shabat, a circuncisão e o estudo da Torá (1 Macabeus 1:41–50; Meguilat Ta’anit 9). Eles profanaram o Templo Sagrado com ídolos (1 Macabeus 1:54), obrigando os judeus a se curvarem a deuses estrangeiros sob pena de morte.
A família Hashmonáim (Macabeus), liderada por Matitiahu e seus filhos, reagiu com coragem e fé. O Talmud relata que, por mérito dessa fidelidade, um pequeno grupo de judeus devotos venceu os poderosos exércitos gregos — um milagre militar sem precedentes (Shabat 21b; Midrash Ma’aseh Chanucá).
Após libertarem Jerusalém, purificaram o Templo e reconsagraram o altar. A palavra “Chanucá” vem de chinuch — dedicação. Eles procuraram óleo puro para reacender a chanukiá, mas encontraram apenas uma pequena botija selada com o selo do Sumo Sacerdote, suficiente para um único dia. Milagrosamente, o óleo ardeu por oito dias, até que novo óleo pudesse ser produzido (Talmud Bavli, Shabat 21b).
Esse milagre, explica o Rambam (Hilchot Chanucá 3:1–3), simboliza que “D’us realiza Sua vontade por meio dos que confiam n’Ele”, e demonstra que a luz divina (a sabedoria da Torá) jamais se apaga diante da escuridão da lógica humana desvinculada do espírito.

A batalha ideológica: luz contra razão sem fé
Os gregos não buscavam apenas dominar militarmente, mas impor uma filosofia racionalista que negava o valor do Divino acima da razão (Midrash Shmuel sobre Pirkei Avot 2:19; Sefer HaMaamarim 5708). Eles diziam: “Aceitem apenas o que faz sentido!” — rejeitando os chukim, mandamentos que ultrapassam a lógica humana, como os de pureza ritual (Bamidbar 19:2; Rashi ad loc.).
O Rebe de Lubavitch (Likutei Sichot, vol. 10, p. 141) explica que esse foi o verdadeiro conflito de Chanucá: a batalha entre a sabedoria humana autônoma e a sabedoria divina revelada. Por isso, o milagre foi com a luz da chanukiá, símbolo do intelecto iluminado pela Torá — a Or HaTorá, a luz da sabedoria divina que transcende e ilumina a razão.
Assim, Hanucá ensina que a fé deve guiar a razão, e não o contrário. O mundo grego acreditava que o homem é o centro; a Torá ensina que o centro é D’us (Mishnê Torá, Yesodei HaTorá 1:1–2).

Relevância para os Bnei Noach
O Rambam (Hilchot Melachim 8:10–11) ensina que os Bnei Noach têm a missão de reconhecer D’us e cooperar com Israel na construção de um mundo justo e iluminado. Durante Hanucá, essa participação simbólica é relembrada, pois as nações contribuíram para os Templos anteriores (Ezra 6:8–10; 1 Reis 5:6) e, segundo o profeta, virão ao Templo futuro para adorar o Único D’us (Zacarias 14:16–19).
No plano espiritual, o Zôhar (I, 152a) afirma que cada vez que os judeus acendem as luzes de Hanucá, uma luz espiritual desce sobre o mundo inteiro — e os justos entre as nações também recebem dessa iluminação. Assim, Hanucá representa um momento de reconsagração universal à luz divina, um eco da futura redenção messiânica (Rashi a Zacarias 14:9).
Celebração pública e familiar
O Rambam (Hilchot Chanucá 4:12) escreve que o acendimento público das luzes é uma das maiores expressões de pirsumei nissa — divulgação do milagre — e deve ser feito com alegria e união comunitária.
Por isso, os Bnei Noach são encorajados a organizar encontros públicos, palestras e celebrações familiares, ensinando o significado de Chanucá como um testemunho da fidelidade à luz da Torá contra as trevas do materialismo e da idolatria.
As crianças devem ser especialmente lembradas — pois foi por mérito delas que muitos milagres ocorreram (Midrash Pesikta Rabbati 2). É costume oferecer pequenos presentes diários e contar histórias de coragem, fidelidade e fé.
Essas práticas não substituem mandamentos, mas conectam os Bnei Noach ao espírito universal de Chanucá, servindo também como antídoto ao feriado pagão de Natal, proibido por estar associado à idolatria (Rambam, Hilchot Avodá Zara 9:4; Shulchan Aruch, Yoreh De’ah 149).

Conclusão
Hanucá é a festa da luz espiritual sobre a escuridão racionalista, da fidelidade sobre a assimilação, e da verdade divina sobre a lógica humana limitada.
Como diz o Rebe de Lubavitch (Sichot Kodesh 5741, vol. 2):
“Cada chama de Hanucá ilumina não apenas a casa, mas o mundo inteiro. É a vitória da fé que transcende o intelecto sobre a mente que se julga o centro.”


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Sobre Antonio Braga

Antonio Marcio Braga Silva é uma das vozes proeminentes do movimento Bnei Noach no Brasil, atuando com destaque na cidade de Barra dos Coqueiros, no estado de Sergipe. Educador, líder espiritual e entusiasta da ética universal, ele dedica sua vida à promoção dos valores do monoteísmo ético e da sabedoria milenar da Torá para os não judeus que buscam servir ao Criador segundo os princípios das Sete Leis de Noé. Como professor de Halachá Noachida, Antonio Marcio desenvolve um trabalho didático voltado para a formação de lideranças e o fortalecimento de comunidades alinhadas com os preceitos da Tradição de Israel, respeitando as particularidades e o papel espiritual dos justos entre as nações. Ele atua com firmeza e sensibilidade, trazendo clareza e profundidade aos temas que aborda, tornando acessível ao público leigo assuntos complexos da Lei e da espiritualidade judaica. Sua atuação vai além das aulas: Antonio Marcio tem contribuído significativamente para o crescimento da comunidade local, organizando encontros semanais, estudos bíblicos, ciclos de oração baseados no Sidur Bnei Noach, e incentivando a solidariedade e o senso de missão entre os participantes. Seu trabalho é pautado pela seriedade, comprometimento e por uma devoção sincera ao serviço a D’us. Em sua vida pessoal, Antonio Marcio é pai dedicado de dois filhos marido de Fabiane Ribeiro, com quem compartilha o propósito de construir uma família alicerçada nos valores eternos da Torá. Sua jornada é marcada por coragem, perseverança e pela fé inabalável na Providência Divina. Ao unir conhecimento, liderança e espiritualidade, Antonio Marcio Braga Silva se destaca como um dos pilares do movimento Bnei Noach em território brasileiro, inspirando outros a seguir o caminho da retidão, da justiça e do reconhecimento do Eterno como único Criador e Rei do Universo.

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