Arquivo mensal: outubro 2025

O que não te contaram sobre a Reforma Protestante: A Inquisição Protestante

8–12 minutos

Um ponto normalmente omitido é que os Protestantes também empreenderam uma Inquisição totalmente submissa ao Poder Político da época. Os historiadores geralmente se referem apenas à inquisição católica e se silenciam hipocritamente sobre os eventos ocorridos nos territórios protestantes.

Os primeiros protestantes não eram distingüidos por serem os “campeões da liberdade de opinião” como querem nos fazer crer. Eles, que clamavam pela liberdade religiosa nos países católicos, em seus territórios suspendiam rapidamente a celebração de qualquer rito religioso e obrigavam os cidadãos, por lei, a assistir obrigatoriamente os cultos reformados; também destruíam templos católicos, sinagogas, igrejas valdenses, anabatistas, além de assassinarem bispos, sacerdotes, rabinos, imanis, e qualquer outros líderes religiosos.

Citaremos apenas alguns exemplos (já que [quase] todas as fontes pesquisadas apenas se referem à inquisição católica e nenhuma a [inquisição] protestante):

– Registre-se o massacre dos monges da Abadia de São Bernardo de Brémen, no séc. XVI: os monges foram assassinados ou desfolados, atirando-lhes sal na carne viva, sendo a seguir pendurados no campanário por bandos protestantes.

– Seis monges cartuxos e o bispo de Rochester, na Inglaterra protestante, foram enforcados em 1535.

– Henrique VIII mandou queimar milhares de católicos, anabatistas, e judeus no séc. XVI (mas foi sua filha, Maria, que acabou recebendo o título de “Maria, a sanguinária”!).

– João Servet, o descobridor da circulação do sangue, foi queimado em Genebra, por ordem de Calvino.

– Quando Henrique VIII iniciou a perseguição protestante existiam mais de 1.000 (mil) líderes religiosos na Irlanda, dos quais apenas 02 (DOIS) sobreviveram à perseguição.

– Na época da imperadora protestante Isabel, cerca de 800 (oitocentos) líderes religiosos eram assassinados por ano.

– Um ato do Parlamento inglês decretou, em 1652, que: “Cada líder religioso que não fosse protestante deveria ser pendurado, decapitado e esquartejado e tivesse sua cabeça exposta em um poste em local público”.

– Na Alemanha luterana, os anabatistas, valdenses, cátaros e os judeus eram cozidos em sacos e atirados nos rios.

– Na Escócia presbiteriana de John Fox, durante um período de seis anos, foram queimadas mais de 1.000 (mil) mulheres SUPOSTAMENTE acusadas de feitiçaria.

– Nas cidades conquistadas pelo “Protestantismo”, os católicos tinham que abandoná-las, deixando nelas todas as suas posses ou então converter-se ao Protestantismo; se fossem descobertos celebrando qualquer outro rito que não o protestante, eram apenados com a morte.

É um mito a afirmação de que a prática da tortura foi uma arma apenas católica na Inquisição. Janssen, um escritor desse período, cita uma testemunha que afirma:

“O teólogo protestante Meyfart descreve a tortura que ele mesmo presenciou: ‘Um espanhol e um italiano foram os que sofreram esta bestialidade e brutalidade. Nos países católicos não se condena um assassino, um incestuoso ou um adúltero a mais de uma hora de tortura. Porém, na Alemanha [protestante] a tortura é mantida por um dia e uma noite inteira; às vezes, até por dois dias (…); outras vezes, até por quatro dias e, após isto, é novamente iniciada (…) Esta é uma história exata e horrível, que não pude presenciar sem também me estremecer”.

O mesmo Janssem nos fornece este outro dado:

“Em Augsburgo, na Alemanha, no ano 1528, cerca de 170 anabatistas de ambos os sexos foram aprisionados por ordem do Poder Público. Muitos deles foram queimados vivos; outros foram marcados com ferro em brasa nas bochechas ou suas línguas foram cortadas. [Ainda] em Augsburgo, no dia 18 de janeiro de 1537, o Conselho Municipal publicou um decreto em que se proibia o culto católico e se estabelecia o prazo de 8 dias para que os católicos abandonassem a cidade; ao término desse prazo, soldados passaram a perseguir os que não aceitaram a nova fé. Igrejas e mosteiros foram profanados, derrubando-lhes as imagens e os altares; o patrimônio artístico-cultural foi saqueado, queimado e destruído”.

Isso mesmo meu amigo Protestantes matando Protestantes apenas por divergência de opinião.

Frankfurt, também na Alemanha, emitiu uma lei semelhante e a total suspensão de qualquer culto que não fosse protestante, foi estendida a todos os estados alemães.

– Em 1530, em seus “Comentários ao Salmo 80”, Lutero aconselhava aos governantes que aplicassem a pena de morte a todos os hereges. Ou seja herege aqui seriam todos que não fossem protestante.

O Saque de Roma foi um dos episódios mais sangrentos do Renascimento. No dia 6 de maio de 1527, os membros das legiões luteranas do exército imperial de Carlos V promoveram um levante e tomaram de assalto a cidade de Roma. Cerca de 18.000 lansquenetes foram lançadas durante semanas contra a pior das repressões, ocasionando um rio de sangue costumeiramente “esquecido” pelos historiadores, que não lhe prestam a devida atenção. Um texto veneziano [contemporâneo] afirma sobre este saque que: “o inferno não é nada quando comparado com a visão da Roma atual”. Os soldados luteranos nomearam Lutero “papa de Roma”.

Eis mais alguns fatos [desse episódio] que a história de alguns “eruditos” se omite covardemente:

– Todos os doentes do Hospital foram massacrados em seus leitos.

– Dos 55.000 habitantes de Roma, sobreviveram apenas 19.000.

– O resgate foi da ordem de 10 milhões de ducados (uma soma astronômica naquela época).

– Os palácios foram destruídos por tiros de canhões com os seus habitantes dentro.

– O rio [Tibre] carregou centenas de cadáveres de mulheres e crianças violentadas (muitas com lanças incrustadas em seu sexo).

Ninguém fala deste horror brevemente expresso nas linhas acima. Mas basta consultar qualquer livro honesto e transparente sobre a história documentada. O mundo se cala – como se cala ainda perante o assassinato silencioso de milhares de pessoas por fundamentalistas muçulmanos, etc, não excluindo os [assassinatos] ocasionados pelo totalitarismo de [Fidel] Castro, o genocídio de Pol-Pot e a pérfida perseguição [das autoridades da] China.

Em seu folheto “Contra a Horda dos Camponeses que Roubam e Assassinam”, Lutero dizia aos príncipes:

“Empunhai rapidamente a espada, pois um príncipe ou senhor deve lembrar neste caso que é ministro de Deus e servidor da Sua ira (Romanos 13) e que recebeu a espada para empregá-la contra tais homens (…) Se pode castigar e não o faz – mesmo que o castigo consista em tirar a vida e derramar sangue – é culpável de todos os assassinatos e todo o mal que esses homens cometerem”.

Em julho de 1525, Lutero escrevia em sua “Carta Aberta sobre o Livro contra os Camponeses”:

“Se acreditam que esta resposta é demasiadamente dura e que seu único fim e fazer-vos calar pela violência, respondo que isto é verdade. Um rebelde não merece ser contestado pela razão porque não a aceita. Aquele que não quer escutar a Palavra de Deus, que lhe fala com bondade, deve ouvir o algoz quando este chega com o seu machado (…) Não quero ouvir nem saber nada sobre misericórdia”.

Sobre os judeus, assim dizia em suas famosas “Cartas sobre a Mesa”:

“Quem puder que atire-lhes enxofre e alcatrão; se alguém puder lançá-los no fogo do inferno, tanto que melhor (…) E isto deve ser feito em honra do Senhor e do Cristianismo. Sejam suas casas despedaçadas e destruídas (…) Sejam-lhes confiscados seus livros de orações e talmudes, bem como toda a sua Bíblia. Proíba-se seus rabinos de ensinar, sob pena de morte, de agora em diante. E se tudo isso for pouco, que sejam expulsos do país como cães raivosos”.

Willibald Pirkheimer afirmou, em 1529, sobre a Reforma:

“Não nego que no princípio todas as atitudes de Lutero não pareciam ser vãs, pois a nenhum homem comprazia todos aqueles erros e imposturas que foram graduamente acumulados no Cristianismo. Por isso eu esperava, junto com outros, que era possível aplicar algum remédio a tão grandes males; porém, fui cruelmente enganado, pois antes que se extirpassem os erros anteriores foram introduzidos muitos outros, mais intoleráveis que, comparados com os outros, faziam estes parecer jogos de crianças (…) As coisas chegaram a tal ponto que os defensores papistas parecem virtuosos quando comparados com os evangélicos (…) Lutero, com sua língua despudorada e incontrolável, deve ter enlouquecido ou ser inspirado por algum espírito maligno”.

[Passemos agora para o] pensamento e a obra de outros pais da Reforma. Calvino também não foi um exemplo de caridade, como vemos em [sua Carta ao Duque de Somerset, protetor da Inglaterra durante a minoridade de Eduardo VI]:

“Pessoas que persistem nas superstições (…) devem ser reprimidas pela espada [que lhe foi confiada]”.

Em 1547, James Gruet se atreveu a publicar uma nota criticando Calvino e foi preso, torturado no potro duas vezes por dia durante um mês e, finalmente, sentenciado à morte por blasfêmia; seus pés foram pregados a uma estaca e sua cabeça foi cortada.

Os irmãos Comparet, em 1555, foram acusados de libertinagem e executados e esquartejados; seus restos mortais foram exibidos em diferentes partes de Genebra.

Melanchton, o teólogo da Reforma [luterana], aceitou ser o presidente da inquisição protestante que perseguiu anabatistas, Valdenses e Judeus. Como justificativa, disse: “Por que precisamos ter mais piedade com essas pessoas do que Deus?”, convencido de que os anabatistas arderiam [no fogo] do inferno…

A inquisição luterana foi implantada com sede na Saxônia, com Melanchton como presidente. No final de 1530, apresentou um documento em que defendia o direito de repressão à espada contra os anabatistas; e Lutero acrescentou de próprio punho uma nota em que dizia: “Isto é de meu agrado”.

Zwínglio, em 1525, começou a perseguir os anabatistas de Zurique. As penas iam desde o afogamento no lago ou em rios até a fogueira.

John Knox, pai do presbiteranismo, mandou queimar na fogueira cerca de 1.000 mulheres acusadas de bruxaria na Escócia.

Acerca da Reforma [Protestante], disse Rosseau:

“A Reforma foi intolerante desde o seu berço e os seus autores são contados entre os grandes repressores da Humanidade”.

Em sua obra “Filosofia Positiva”, escreveu:

“A intolerância do Protestantismo certamente não foi menor do que a do Catolicismo e, com certeza, mais reprovável”.

A violência não foi exercida apenas contra os católicos; na verdade, os reformadores foram enormemente violentos entre eles mesmos, como percebemos nas opiniões que emitiram entre si:

– Lutero diz: “Ecolampaio, Calvino e outros hereges semelhantes possuem demônios sobre demônios, têm corações corrompidos e bocas mentirosas”.

– Por ocasião da morte de Zwínglio (1531), Lutero afirmou: “Que bom que Zwínglio morreu em campo de batalha! A que classe de triunfo e a que bem Deus conduziu os seus negócios!”, e também: “Zwínglio está morto e condenado por ser ladrão, rebelde e levar outros a seguir os seus erros”.

– Zwínglio não ficou atrás e dizia acerca de Lutero: “O demônio apoderou-se de Lutero de tal modo que até nos faz crer que o possui por completo. Quando é visto entre os seus seguidores, parece realmente que uma legião [de demônios] o possui”.[A inquisição evangélica] suspendeu sistematicamente o Catolicismo nas áreas protestantes.

– Em Zurique, na Suiça, o comparecimento aos sermões católicos implicava em penas e castigos físicos. Mesmo fora do perímetro da cidade, era proibido aos sacerdotes celebrar a Missa e, sob a ordem de “severas penas”, era proibido ao povo possuir imagens e quadros religiosos em suas casas.

– Ainda em Zurique, a Missa foi prescrita em 1525. A isto, seguiu-se a queima das vilas camponesas e a destruição em massa de qualquer local de culto. Os líderes religiosos de Constança, Basiléia, Lausana e Genebra foram obrigados a abandonar suas cidades e o território. Um observador contemporâneo, Willian Farel, escreveu: “Ao sermão de João Calvino na antiga igreja de S. Pedro seguiu-se desordens, assassinatos de inocentes e violação de mulheres.

– Na Escócia, John Knox, pai do presbiterianismo, proibiu qualquer outro rito sob pena de confisco de bens e açoites públicos. Ocorrendo a reincidência, a pena capital era aplicada ao infrator.

Poderíamos continuar falando, pois há muito material a respeito, porém, cremos que bastam estes exemplos para demonstrar que a Reforma Protestante não foi pacifista, nem foram os reformadores vítimas inocentes. A intolerância e a violência foram parte integrante de suas vidas. (…)


Notas Bibliográficas:

  1. Martin Luther – On the Jews and Their Lies (1543).
  2. Jean Calvin – O caso de Michael Servetus (1553) em Genebra.

A outra face de Martinho Lutero: Lutero o Antissemita

3–4 minutos

Em 1523, Martinho Lutero escreveu:

“Talvez eu consiga atrair alguns judeus para a fé cristã, pois nossos tolos, os papas, bispos, sofistas e monges até agora os têm tratado tão mal que, se eu fosse judeu e visse esses idiotas cabeças-duras estabelecendo normas e ensinando a religião cristã, eu preferiria ser um porco a ser cristão. Pois esses homens trataram os judeus como cães, e não como seres humanos.”
Martinho Lutero,em “Da que J C nasceu judeu” (1523), in WA 11, 315–360.

Essa declaração foi feita no início da “Reforma Protestante”, quando Lutero ainda era jovem e esperava converter os judeus ao cristianismo.
Nos anos seguintes, entretanto, ele se decepcionou profundamente com o fato de que os Yehudim (judeus) não aceitaram o que ele pregava, o que o levou a escrever palavras de ódio e perseguição.


O Antissemitismo de Lutero

Vinte anos mais tarde, em 1543, Lutero publicou o panfleto “Von den Juden und ihren Lügen” (Sobre os judeus e suas mentiras), onde escreveu:

“Em primeiro lugar, suas sinagogas deveriam ser queimadas;
Em segundo lugar, suas casas demolidas e arrasadas;
Em terceiro, seus livros de oração e o Talmude confiscados;
Em quarto, os rabinos proibidos de ensinar sob pena de morte;
Em quinto, os passaportes e privilégios de viagem vetados;
Em sexto, deveriam ser proibidos de praticar a agiotagem;
Em sétimo, os judeus jovens e fortes deveriam trabalhar para ganhar o pão com o suor do rosto… Portanto, fora com eles, para que nos livremos dessa carga infernal.”
Martinho Lutero, “Von den Juden und ihren Lügen” (1543), WA 53, 417–552.

Lutero chegou a afirmar ainda:

“Se eles [os judeus] pudessem nos matar, o fariam alegremente, e muitas vezes o fazem, principalmente os que praticam medicina.”
Martinho Lutero, “Vom Schem Hamphoras und vom Geschlecht Christi” (1543), WA 53, 479.


Repercussão e Críticas Modernas

A teóloga cristã Margot Käßmann declarou ao Frankfurter Allgemeine Zeitung que:

“Com idade mais avançada, Lutero foi um exemplo assustador do cristianismo antijudaico. As comemorações da Reforma devem lembrar tanto suas conquistas quanto seu lado sombrio.”
Frankfurter Allgemeine Zeitung, 2013.

O historiador holandês Herman Selderhuis, em “Martin Luther: A Spiritual Biography” (Crossway, 2017), explica que Lutero esperava que os judeus se convertessem e, decepcionado com a recusa, passou a hostilizá-los.

O antissemitismo de Lutero não era isolado: Erasmo de Roterdã, Johannes Eck e outros teólogos da época também proferiram ofensas semelhantes contra o judaísmo.


Influência no Nazismo

A “convocação” de Lutero para queimar sinagogas não foi seguida em seu tempo. Mas em 1938, durante a Kristallnacht (“Noite dos Cristais”), os nazistas usaram seus escritos como justificativa teológica.

“Os nazistas citaram Lutero para legitimar o incêndio das sinagogas durante a Noite dos Cristais.”
Deutsche Welle, “Antissemitismo mancha imagem do reformador Martinho Lutero”, 27/05/2013.
[Fonte: https://www.dw.com/pt-br/antissemitismo-mancha-imagem-do-reformador-martinho-lutero/a-16840051%5D

O ideólogo nazista Julius Streicher, em sua defesa no julgamento de Nuremberg, afirmou:

“Nunca disse nada sobre os judeus que Martinho Lutero não tivesse dito 400 anos antes.”
Citado em Dennis Prager & Joseph Telushkin, “Why the Jews?”, Simon & Schuster, 1983.

O próprio Adolf Hitler considerava Lutero uma das três maiores figuras da Alemanha, junto com Frederico, o Grande, e Richard Wagner.

Adolf Hitler, discurso de 1933, citado em William L. Shirer, “Ascensão e Queda do Terceiro Reich”, Simon & Schuster, 1960.


Reflexão Teológica e Histórica

O teólogo Heiko A. Oberman comenta:

“Lutero abriu o caminho para uma teologia de ódio que viria a servir de base moral ao antissemitismo moderno.”
Heiko Oberman, “Lutero: Homem Entre Deus e o Diabo”, Companhia das Letras, 1992.

A historiadora Lyndal Roper, em “Martin Luther: Renegade and Prophet” (Random House, 2016), mostra que as pregações de Lutero formaram um imaginário coletivo de desprezo aos judeus, alimentando um ressentimento que perdurou até o século XX.


Conclusão

Lutero, de reformador a opositor dos judeus, tornou-se um exemplo de como a fé sem humildade pode se tornar arrogância e violência.
Seu legado ambíguo — a redescoberta das Escrituras por um lado e o ódio antijudaico por outro — exige discernimento e honestidade histórica.

A teóloga Käßmann conclui:

“Não podemos celebrar a Reforma sem reconhecer o pecado do antissemitismo de Lutero.”
FAZ, 2013.

Hoje, cabe à humanidade — especialmente aos que estudam as Escrituras — rejeitar o antissemitismo e abraçar o amor ao povo de Israel, como expressão do plano eterno do Eterno, o D’us de Avraham, Yitzchak e Yaakov.


Beit de Barra dos Coqueiros Celebra Rosh Hashaná 5786 com União e Espiritualidade

Barra dos Coqueiros, SE – 22/09/2025 – A comunidade da Beit de Barra dos Coqueiros realizou uma celebração especial de Rosh Hashaná 5786, marcando o início do novo ano judaico com momentos de oração, reflexão e confraternização. O encontro aconteceu na sede da Beit, localizada na Rua Mário de Andrade, 419, Caminho da Praia, e contou com a presença de membros da comunidade, amigos e familiares.

Participação Diversificada e Acolhedora

O evento reuniu 15 pessoas, divididas entre crianças, jovens e adultos, criando um ambiente familiar e inclusivo. Entre os participantes estavam duas crianças – Noach e Noach, dois jovens – Rebeca e Miguel –, e onze adultos: Antônio, Fabiane, David, a esposa de David, Ronaldo, Bernadete, George, Carlos, Nair, Rose e Dalmo. A participação de homens e mulheres foi equilibrada, com 6 homens e 5 mulheres, reforçando o caráter comunitário e de integração da Beit.

Segundo os organizadores, o objetivo da celebração vai além das práticas religiosas: “É um momento de unir famílias, fortalecer laços de amizade e compartilhar os valores da tradição judaica, especialmente para aqueles que buscam um espaço de aprendizado e conexão espiritual”, explicou um dos líderes da comunidade.

Celebração e Reflexão

O serviço de Rosh Hashaná teve duração de 2 horas, oferecendo aos participantes uma programação que incluiu orações tradicionais, leituras e ensinamentos sobre o significado do novo ano. A ocasião também proporcionou um espaço para reflexão sobre os desafios e conquistas do ano anterior, estimulando a gratidão, a introspecção e a renovação de compromissos espirituais.

Além da comunidade regular, foram feitos convites pessoais a amigos e familiares, garantindo que novos participantes pudessem vivenciar a celebração e sentir-se acolhidos. Essa abertura reforça o compromisso da Beit de Barra dos Coqueiros em incentivar a participação de todos, independentemente do nível de conhecimento religioso, promovendo um ambiente inclusivo e fraterno.

Importância da Comunidade

Eventos como este são fundamentais para a manutenção e fortalecimento da vida comunitária. A Beit de Barra dos Coqueiros atua como um ponto de encontro espiritual e social, onde os membros podem compartilhar experiências, aprender sobre tradições e desenvolver um sentido de pertencimento.

A celebração de Rosh Hashaná, em particular, representa um momento simbólico de renovação e esperança. A tradição ensina que é o momento de avaliar o ano que passou, estabelecer metas espirituais e buscar harmonia consigo mesmo e com os outros. Para a comunidade local, a ocasião foi também uma oportunidade de transmitir esses valores às novas gerações, com a participação ativa de crianças e jovens nas atividades.

Convite à Comunidade

Os líderes da Bait de Barra dos Coqueiros enfatizam que a participação é aberta a todos: “Queremos que cada pessoa se sinta parte desta família, capaz de celebrar, aprender e crescer espiritualmente conosco”, afirmaram. A comunidade mantém uma agenda regular de encontros e celebrações, incentivando a presença de novos membros e o fortalecimento dos vínculos comunitários.

Com momentos de oração, reflexão e confraternização, o Rosh Hashaná 5786 na Beit de Barra dos Coqueiros foi mais do que um evento religioso: foi uma oportunidade de celebrar a vida, fortalecer laços e inspirar esperança para o ano que se inicia.

Parashat Noach 5786 / פָּרָשַׁת נֹחַ

1–2 minutos

Parashat Noach é a segunda porção semanal da Torá no ciclo judaico anual de leitura da Torá.

Porção da Torá: Gênesis 6:9-11:32

Noé (“Noach”) começa quando D’us decide destruir a humanidade com um dilúvio (Gênesis 6:5–7). Sob a ordem de D’us, o justo Noach constrói uma arca, onde Noach, sua família e alguns animais sobrevivem ao dilúvio (Gênesis 6:13–22; 7:1–24; 8:1–19).
Os Bnei Noach geram filhos, e várias gerações se desenvolvem (Gênesis 9:18–29; 10:1–32).D’us confunde a fala das pessoas que constroem a Torre de Babel (Gênesis 11:1–9).

Leitura Completa

  1. 6:9-22 · 14 p’sukim  
  2. 7:1-16 · 16 p’sukim  
  3. 7:17-8:14 · 22 p’sukim  
  4. 8:15-9:7 · 15 p’sukim  
  5. 9:8-17 · 10 p’sukim  
  6. 9:18-10:32 · 44 p’sukim  
  7. 11:1-32 · 32 p’sukim  
  8. maf: 11:29-32 · 4 p’sukim  
  9. Haftará: Isaías 54:1-55:5 · 22 p’sukim

POR QUE A HISTÓRIA DA CRIAÇÃO RESOLVE O DEBATE SOBRE A TERRA DE ISRAEL

Por: Rabino Moshe Bernstein em 16 de outubro de 2025

O versículo de abertura da Torá é “No princípio, D’us criou os céus e a terra” (Gênesis 1:1). Ele demonstra a profunda conexão entre o povo judeu e a Terra de Israel, enfatizando que isso está ligado à crença no Criador. A Torá é, antes de tudo, um livro de instruções para o povo judeu. Logicamente, deveria ter começado com o primeiro mandamento dado a eles: santificar o novo mês. Rashi, em seu comentário, levanta exatamente essa questão e traz a resposta para ela.

A Torá começa com a história da Criação para dar uma resposta decisiva às nações do mundo que um dia poderiam alegar aos judeus: “Vocês são ladrões! Vocês conquistaram ilegalmente a terra das sete nações.” A resposta judaica, baseada na abertura da Torá, é: Toda a terra pertence ao Santo, Bendito seja Ele. Ele a criou e a deu a quem Ele achou adequado. Por Sua vontade, Ele a deu a nós.

Quando o povo judeu recebeu a Terra de Israel, ela foi elevada a um status espiritual único, do qual jamais poderá se separar. A Terra de Israel é fundamentalmente diferente de todas as outras terras. A necessidade de abrir a Torá com a história da Criação ressalta uma verdade fundamental que é vital tanto para os judeus quanto para os Bnei Noé.

As palavras iniciais, “No princípio, D’us criou os céus e a terra”, estabelecem imediatamente que D’us é o dono absoluto de todo o universo. Ele não iniciou apenas um processo natural; Ele é a fonte de toda a existência. Ao afirmar a criação inicial de D’us, a Torá proíbe atribuir qualquer significado ou autoridade independente à “Natureza” ou ao mundo físico. Nada existe fora da vontade do Criador. A realidade física, incluindo a divisão da terra, é inteiramente subserviente ao comando Divino. A propriedade da terra, portanto, não está sujeita a leis humanas temporárias ou tratados internacionais, mas ao decreto Divino eterno.

A abertura da Torá serve como uma declaração universal para toda a humanidade de que a fé no D’us Único significa um fundamento da ordem Divina relacionada ao mundo físico. A narrativa da Criação explica o vínculo eterno entre o Criador, a Terra e o povo de Israel, todos enraizados na fé absoluta naquele que tudo criou.


Por Rabino Moshe Bernstein

Fonte: Gênesis 1:1. Likutei Sichos Vol. 5 página 1