
O fenômeno da adultização infantil tem se tornado cada vez mais visível em nossa sociedade contemporânea, especialmente através das redes sociais, da publicidade e da cultura de consumo. Crianças são expostas a padrões estéticos, comportamentais e até sexuais que pertencem ao universo adulto, perdendo a naturalidade da inocência e a liberdade da infância. A partir da perspectiva dos Bnei Noach — não judeus que seguem as Sete Leis Universais dadas por D’us a toda a humanidade — este tema ganha relevância ética e espiritual, ao envolver diretamente a dignidade humana, a justiça e a preservação da vida.
A Torá ensina que “D’us criou o homem à Sua imagem” (Bereshit/Gênesis 1:27). Isso se aplica tanto a adultos quanto a crianças. A infância, portanto, não é um estado menor ou inferior, mas um período precioso de formação do caráter e da fé. A criança deve ser cuidada, respeitada e protegida. A adultização, por outro lado, transforma a criança em objeto, antecipando responsabilidades e vaidades que não pertencem a sua fase de vida, retirando dela a pureza que D’us concedeu como dom.
As Sete Leis de Noé, que constituem a base moral universal segundo a tradição judaica, oferecem princípios claros para a reflexão sobre a adultização:
- Proibição de relações sexuais ilícitas – A sexualização precoce, implícita ou explícita, é uma forma de corromper a criança, aproximando-a de perigos que a lei divina condena.
- Proibição do roubo – Ao expor ou explorar a infância para ganhos financeiros ou vaidade social, rouba-se dela sua dignidade, inocência e tempo natural de crescimento.
- Estabelecimento de leis justas – Governos e sociedades têm o dever de criar normas que protejam crianças de abusos digitais, comerciais e sociais.
- Princípio de compaixão e bondade – A educação no espírito noachita inclui proteger os vulneráveis, e a criança é o símbolo máximo dessa vulnerabilidade.
O pensamento chassídico — especialmente no Tanya e em obras derivadas — ensina que a alma necessita de um ambiente puro para florescer. O período da infância é comparado a um campo fértil onde se planta a fé, a moralidade e a bondade. Expor a criança precocemente a conteúdos adultos é como semear espinhos em um solo que deveria dar flores. Para os Bnei Noach, preservar a inocência da infância significa colaborar com o plano divino de formar seres humanos íntegros e espiritualmente saudáveis.
A tradição noachita não se restringe ao indivíduo, mas envolve toda a coletividade. Nesse sentido:
- Pais e responsáveis são chamados a criar ambientes de simplicidade e recato, priorizando valores em vez de aparências.
- A comunidade deve promover campanhas de conscientização, apoiar legislações protetivas e vigiar contra abusos.
- Cada pessoa, mesmo não sendo pai ou mãe, tem o dever moral de se posicionar contra conteúdos que exploram a infância.
A adultização infantil, à luz da visão Bnei Noach, representa uma distorção da ordem divina. Em vez de permitir que a criança cresça em inocência e alegria, expõe-na a riscos morais e espirituais que podem comprometer sua vida futura. Por isso, a postura correta é de defesa intransigente da infância, garantindo que cada criança possa viver sua fase de crescimento de maneira digna, pura e protegida. Assim, cumprimos o propósito universal estabelecido pelo Criador: que a humanidade viva em justiça, bondade e respeito à vida em todas as suas etapas.
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