É importante que cada convidado tenha sua própria Hagadá, ou sente-se ao lado de alguém que a tenha, para que possa acompanhar todo o procedimento.

Nas duas primeiras noites de Pêssach reunimos a família e amigos em torno da mesa e esperamos a recitação do kidush pelo condutor do sêder.
É importante que cada convidado tenha sua própria Hagadá, ou sente-se ao lado de alguém que a tenha, para que possa acompanhar todo o procedimento, passo a passo, o que deverá ser feito pelo condutor do sêder na língua que é comum a todos.
Os quinze pontos que serão mencionados abaixo servem de orientação para a realização do sêder e de modo algum substituem a Hagadá, que inclui todo o relato do êxodo do Egito além de outros conteúdos de extrema importância e que serão eternamente insubstituíveis.

Quando o pai, ou o condutor do sêder, chega da sinagoga na noite de Pêssach, deve encontrar a mesa posta e tudo pronto para iniciar o sêder. À sua frente deve haver uma travessa com três matsot inteiras cobertas por um pano e por cima a keará (a travessa com os seis ingredientes).
O serviço do sêder inicia-se com a recitação do kidush sobre o primeiro dos quatro copos de vinho que devem ser bebidos durante o sêder.
Os quatro copos de vinho recordam as quatro expressões de re–denção mencionadas na Torá relativas à libertação do povo judeu do Egito. Também lembram os quatro grandes méritos que os judeus tinham no exílio egípcio: não trocaram os nomes hebraicos; falavam a língua hebraica; levaram uma vida altamente moral; e permaneceram leais uns aos outros.
Após o kidush, recita-se “shehe–che–yánu”. A mulher que já fez esta bênção no acendimento das velas não deve repeti-la.
Ao beber os quatro copos e comer a matsá os homens se reclinam do lado esquerdo para acentuar a liberdade, já que antigamente apenas as pessoas livres se reclinavam enquanto comiam.
O kidush é recitado em voz alta, e cada um deve ter sua própria taça de vinho e responder “amên” para as bênçãos do kidush. Em seguida todos bebem o primeiro dos quatro copos de vinho. O seguinte kidush é recitado:
“Savrí Maranán: Baruch Atá A-do-nai E-lo-hê-nu Mêlech Haolám, Borê Peri Hagáfen.
“Baruch Atá A-do-nai E-lo-hê-nu Mêlech Haolám, Shecheyánu Vekiyemánu Vehiguiánu Lizman Hazê.”
“Atenção Senhores: Bendito és Tu, ó Senhor nosso D-us, Rei do Universo, que cria o fruto da vinha.
“Bendito és Tu, ó Senhor nosso D-us, Rei do Universo, que nos deu vida, nos manteve e nos fez chegar até a presente época.”

Todos os presentes à mesa do sêder devem abluir as mãos (vertendo água de um copo ou caneca três vezes sobre cada mão, primeiro na direita, depois na esquerda) sem pronunciar a bênção;

Um pedaço de cebola crua ou batata cozida é mergulhada na água salgada (que lembra as lágrimas derramadas pelos judeus com o trabalho pesado no Egito). Antes de ingeri-lo, a bênção dos legumes é recitada tendo em mente o maror que será ingerido mais tarde.
Nos tempos antigos somente pessoas livres usavam sal na comida. Assim, mergulhar o antepasto na água salgada é um ato que simboliza liberdade. É um dos primeiros atos do sêder destinados a despertar a curiosidade das crianças.A palavra hebraica “carpás”, lida de trás para frente, representa os 600 mil judeus (a letra hebraica sámech vale 60, e vezes 10 mil é subentendido) que foram forçados a realizar trabalhos pesados (pêrech) no Egito.
Bênção: “Baruch Atá Ado-nai Elo-hê-nu Mêlech Haolam, Borê Peri Haadamá“.
“Bendito és Tu, ó Senhor nosso D-us, Rei do Universo, que cria o fruto da terra.

A matsá do meio (das três matsot da travessa do sêder) é quebrada em duas partes desiguais; a parte maior é embrulhada e reservada para o “aficoman” (vide item 12). Isto atrai, uma vez mais, a atenção das crianças e também relembra a Divisão do Mar Vermelho.
A parte menor é recolocada na travessa.

O segundo copo é enchido (mas só se beberá dele no final da narração) e inicia-se a narração da Hagadá com as palavras “Hê lachmá anyá…”, quando se aponta à matsá central partida, ao descobrir parcialmente as matsot, cuja tradução é a que segue:
“Este é o pão da pobreza que nossos antepassados comeram na terra do Egito. Quem tem fome que venha e coma; todo o necessitado que venha e festeje o sêder de Pêssach. Este anos (estamos) aqui; no ano que vem na terra de Israel. Este ano (somos) escravos, no ano que vem homens livres.”
As crianças fazem a milenar pergunta “Má Nishtaná Halaila Hazê Micol Haleilot?”, “Por que esta noite é diferente de todas as outras noites?” cantando na íntegra:
“Má nishtaná haláyla hazê micol halelot?
Shebechol halelot ên ánu matbilín afilu páam echat?
Haláyla hazê shetê peamím.
Shebechol halelot ánu ochlín, chamêts o matsá?
Haláyla hazê culô matsá.
Shebechol halelot ánu ochlín, shear yeracot?
Halayla hazê maror.
Shebechól halelót ánu ochlín, ben yoshevín ubên messubín?
Haláyla hazê culánu messubin”.
“Em que difere esta noite de todas as outras noites? Pois em todas as noites não mergulhamos alimentos sequer uma vez; porém nesta noite, duas vezes!
“Pois em todas as noites comemos chamêts ou matsá, porém nesta noite, somente matsá!
“Pois em todas as noites comemos diversas verduras, porém nesta noite, maror!
“Pois em todas as noites comemos sentados ou reclinados, (porém) nesta noite todos nós reclinamos!”
Seguindo o texto da Hagadá chegamos à resposta para estas perguntas. A narração inclui uma breve revisão da história do povo judeu, do sofrimento na escravidão e dos milagres que o Todo-Poderoso realizou para trazer a redenção.
É importante relatar o significado de três conceitos fundamentais desta noite: Pêssach, Matsá e Maror. Pêssach significa que D-us pulou as casas dos judeus durante a praga dos primogênitos. Matsá nos lembra que não houve tempo para a massa fermentar, tal era a pressa do Todo-Poderoso para promover o Êxodo do Egito. Maror (ervas amargas) nos lembra do amargo sofrimento da escravidão da qual D-us libertou o povo judeu.
Ao recitar as dez pragas e suas iniciais, derramam-se gotas de vinho num recipiente lascado (demonstrando que nossa alegria, representada pelo vinho, não está completa quando inclui o sofrimento de seres humanos, embora se tratando de nossos inimigos). Torna-se a encher os copos logo em seguida.

Após concluir a primeira parte da Hagadá e beber o segundo copo de vinho, todos os participantes devem abluir as mãos da maneira prescrita antes das refeições .
Sem interrupção com conversas, voltam à mesa para recitar a bênção sobre a matsá e ingeri-la.

A matsá é o item mais importante do Seder, e comê-la cumpre a mitsvá central de Pessach. Temos três matsot em nossa travessa do Seder pois, além do “pedaço” de matsá sobre o qual contamos a história do Êxodo, possuímos duas matsot inteiras sobre as quais pronunciamos a bênção “Hamotsi”, louvando e agradecendo a D’us “Quem traz pão da terra”.
Pegue todas as três matsot – a de cima, a do meio quebrada e a de baixo – e levante-as um pouco.
Pronuncie a seguinte bênção:
Baruch Atá A-donay, Elo-heinu Melech HaOlam, Hamotsi lechem min haArets.”
“Bendito sejas Tu D’us, nosso D’us, Rei do Universo, que traz o pão da terra.”

Cada pessoa deve pegar cerca de 19g de maror, mergulhá-lo no charosset e recitar a seguinte bênção especial do maror antes de ingeri-lo:
Bênção: “Baruch Atá Ado-nai Elo-hê-nu Mêlech Haolam, Borê Peri Haadamá“.
“Bendito és Tu, ó Senhor nosso D-us, Rei do Universo, que cria o fruto da terra.

O sanduíche de matsá e maror lembra o costume instituído por Hilel. O maror (cerca de 19 g) é mergulhado no charosset e colocado entre dois pedaços de matsá (da matsá inferior da travessa do sêder). Antes de ingerir o sanduíche, recita-se:
“Ken assá Hilel Bizmán Shebeit Hamicdásh Haiá Caiám; Haiá Côrech Pêssach Matsá Hú Maror Vê Ochel Beiáchad. Cmô Shenehemar Al Matsot Humrorim Iochluho.”
“Assim fez Hilel na época em que o Templo Sagrado existia: ele juntava o Cordeiro Pascal, Matsá e Maror e os comia juntos conforme mencionado: ‘Eles comerão com Matsot e ervas amargas’”.

A refeição festiva é servida.
É costume ingerir o ovo duro da travessa do sêder, mergulhado na água salgada, no início da refeição.

Ao final da refeição, come-se a meia matsá reservada para aficoman (“sobremesa”). Deve-se ingerir ao menos 28,8 g antes da meia-noite, simbolizando o cordeiro pascal, saboreado antes de meia-noite, na época do Templo Sagrado. Após o aficoman, não se come nem se bebe mais, a não ser os dois copos de vinho obrigatórios.

O terceiro copo de vinho é enchido e todos recitam Bircat Hamazon (a Bênção de Graças após a Refeição) vide texto na Hagadá. Bebe-se o vinho ao terminar Bircat Hamazon. O copo do Profeta Eliyáhu deve ser enchido e também o quarto copo de todos os participantes. Abre-se a porta e recita-se a passagem que simboliza um convite para o Profeta Eliyáhu, o arauto da vinda de Mashiach, entrar.

O restante da Hagadá, que contém cânticos de louvor ao Todo-Poderoso, é recitada. Por fim, bebe-se o quarto copo de vinho terminando com a bênção posterior ao vinho “…al haguêfen veal peri haguêfen..” vide texto na Hagadá.

Após concluir adequadamente o serviço do sêder, estamos certos de que foi bem aceito pelo Todo-Poderoso. Finalizamos o sêder com a exclamação: “Leshaná Habaá Birushaláyim”, “Ano que vem em Jerusalém!”
Fonte : Chabad.org com adaptação para a Comunidade Bnei Noach Brasil
