Arquivo mensal: agosto 2022

Combatendo a Tristeza

…Em relação à sua inclinação para um sentimento de tristeza:

Um remédio útil para isso é ter firmemente gravado em sua mente que D’us, o Criador do mundo, cuida de todos individualmente.

Sendo Ele a Essência da Bondade, não há lugar para tristeza ou preocupação; este [conceito] foi explicado detalhadamente em várias partes do Tanya (ver Índice [no final do Tanya]).

Seria especialmente bom para você memorizar a passagem de Tanya no início do capítulo 41 (p. 56a), segunda linha a partir do final. Sempre que se sentir triste ou deprimido, reveja essa seção em sua mente ou recite-a oralmente. Isso irá ajudá-lo a eliminar essas emoções indesejáveis.

(De uma carta do Rebe, datada de 7 de Adar, 5717)

Por que Recitamos o Tehilim 27 Durante Elul?

Por Yehuda Shurpin

Salmo 27 começa com as palavras “A David: O Senhor é a minha luz e a minha salvação.”

O Midrash nos diz que “minha luz” (אוֹרִי) está associada a Rosh Hashaná e “minha salvação” (וְיִשְׁעִי) está associada a Yom Kipur.1 Também descobrimos que um versículo posterior no Salmo: “Ele me esconderá em Seu tabernáculo…” (כִּי יִצְפְּנֵנִי בְּסֻכּוֹ), está associado a Sucot.2

No entanto, o costume de recitar esse salmo a partir de Rosh Chodesh Elul até o último dia de Sucot aparece mais de mil anos depois.

A primeira menção do costume parece ser a obra Sefer Shem Tov Katan, do cabalista Rabino Binyamin Benish Cohen, publicado em 1706. Ele escreve que quem recita esse salmo em estado de santidade, pureza e grande concentração terá suas preces atendidas e que ele possui o poder de anular os decretos divinos.3

Embora essa pareça ser a mais antiga menção escrita, vale a pena notar que alguns citam uma tradição do Baal Shem Tov (1698-1760) de que foi o místico R. ‘Eliyahu Baal Shem4 do século 16 que estabeleceu o costume de recitar o Salmo 27 durante as Grandes Festas.5

Outra explicação é que esta é uma época de misericórdia Divina, semelhante a quando Moshê alcançou perdão para o povo após o pecado do bezerro de ouro. Todos os anos, é o momento em que D’us está especialmente acessível, como um rei que sai para o campo para se tornar disponível a todos os súditos que desejam cumprimentá-lo. Como pode ser visto na narrativa do tempo de Moshê sobre o grande perdão, um elemento-chave da misericórdia Divina é a frase conhecida como os “13 Atributos de Misericórdia”. Apropriadamente, o nome de D’us (o Tetragrama) é mencionado 13 vezes neste salmo.6

Quando recitá-lo
Durante quais orações esse salmo deve ser recitado?

Aqueles que seguem o costume , Nussach, Sefaradi geralmente o recitam após as orações da manhã e da tarde. O costume comum Ashkenazi é pronunciá-lo após as orações da manhã e da noite.

Existem também vários costumes sobre quando exatamente ele deve ser recitado durante as preces. O costume Chabad é no serviço da manhã imediatamente após o cântico do dia e em Minchá, antes de Aleinu.

A premissa geral é que a recitemos enquanto estamos sendo julgados para o novo ano. Assim, alguns têm o costume de pronunciá-lo até Yom Kipur (o dia em que Moshê garantiu o perdão completo). No entanto, outros continuam até Shemini Atzeret (ou Simchat Torá). O costume Chabad é recitá-lo até Hoshaná Rabá, já que é quando o julgamento é “selado”.

Como os costumes são numerosos, cada indivíduo e comunidade deve adotar suas tradições únicas, na sincera esperança de que todos sejamos inscritos e selados para um ano novo bom e doce.


NOTAS
1. Midrash Vayicra Rabá21; Midrash Shocher Tov em Tehilim 27.

2. VejaElef L’Matê em Matê Efraim 581:1.

3. Shem Tov Katan, Hanhagot V’diyunim V’tefilot Noraot V’kedoshot MeRosh Chodesh Elul.

4. De fato, havia dois místicos no século 16 que são chamados pelo mesmo nome, um é o rabino Eliyahu Baal Shem de Chelm (m. 1583), o segundo é o rabino Eliyahu Baal Shem Luentz (1555 – 1636). Não está claro a que Baal Shem Tov estava se referindo. No entanto, com base no que é explicado nas memórias do sexto Lubavitcher Rebe de que o Baal Shem Tov foi o quarto de uma linha de baal shems que começou com o rabino Eliyahu Baal Shem de Wurms, parece que ele é aquele a quem essa tradição se refere, como o rabino Eliyahu Baal Shem Luentz serviu como rabino de Wurms, onde faleceu. Outros, no entanto, afirmam que pode ter havido um terceiro rabino Eliyahu Baal Shem que viveu em Wurms ao mesmo tempo, mas isso está além do escopo deste artigo.

5. Nezer Hakodesh, Minhagei Beit Ropshitz, pág. 147-8.

6. Veja Sidur R’ Shabtai Rashkober; Likutei Torá, s.v. Ani L’dodi; Shaar Hakolel 11:28; Minhag Yisroel Torah, Orach Chaim 581:5.

Por Yehuda Shurpin

Ser Pai

Por Rabino Jonathan Sacks z”l

Ao final de seu notável livro, “Uma Breve História do Tempo,” Stephen Hawking escreveu uma das frases mais famosas da atualidade. Se apenas pudéssemos descobrir uma teoria completa das forças que governam o Universo “seria o supremo triunfo da razão humana – pois então conheceríamos a mente de D’us.” O Professor Hawking é um cientista que dispensa apresentações. Porém, até ele poderia admitir que não é o maior teólogo do mundo.
Li recentemente uma observação muito mais profunda de uma mãe com filhos pequenos. “Desde que me tornei mãe” – disse ela – “descobri que posso entender D’us muito melhor. Agora sei o que é criar algo que você não pode controlar!” Que maravilhosa percepção, e como é verdadeira.
A maioria das pessoas sabe que a Bíblia Hebraica começa com a mais famosa narrativa da Criação que jamais foi escrita:
“No princípio D’us criou…” Mesmo atualmente, três mil anos depois, é uma passagem de poder sem igual, desde que, é claro, lembremo-nos de que é um poema, cuidadosamente construído como tal, e não uma teoria científica.
O que muitas vezes não percebemos – na verdade não consigo lembrar-me de que alguém jamais escreveu sobre isso – é que toda a história da Criação do Universo é feita com apenas 34 versículos. Daí em diante a Torá volta sua atenção à humanidade. Isso é estranho, realmente intrigante.
O antigo mundo mitológico, como a ciência de hoje, era profundamente absorvido pela cosmologia, a questão de como o universo foi criado. Fascinou os mesopotâmios, que escreveram pitorescos mitos sobre a criação onde Marduk, o jovem deus, assassinou Ti’amat, deusa do mar, e lançou os alicerces do céu e da terra sobre os despojos de seu corpo dividido. A cosmologia científica de hoje é menos dramática, mas não menos distante da vida de todos os dias.
Em contraste, a Torá menciona rapidamente a Criação em apenas um capítulo, e então volta-se para Adão e Eva, Caim, Abel, solidão, relacionamentos, a situação humana. Isso nos conta um fato muito interessante. A Torá não é um livro do homem sobre D’us. É o Livro de D’us sobre a humanidade.
Isso me leva de volta à jovem mãe que estava tão gloriosamente certa. A Torá não chama D’us de grande cientista. Chama-o de “Pai”. Isaías diz, em nome de D’us: “Assim como aquele que é confortado pela mãe, assim Eu o confortarei.”
D’us é um Pai, e aproximamo-nos de D’us quando nos tornamos pais. O milagre da Criação do ponto de vista da fé não trata de mecânica quântica. Trata de trazer vida nova a este mundo.
É difícil ser pai. Assim pensa a maioria de nós, e assim pensa D’us. Temos de estar presentes constantemente quando as crianças são pequenas, porém temos que abrir espaço para elas quando crescem. Vez por outra, elas se rebelam. Isso é parte do processo de auto-descoberta, mas magoa. Temos de lhes dar orientação, mas também temos de permitir que cometam erros.
Nossos filhos são à nossa imagem, mas também são diferentes de nós, e temos de dar-lhes espaço para que escrevam sua própria história. É assim que a Torá descreve o relacionamento de D’us com a humanidade.
O mundo de hoje valoriza o sucesso, as realizações, o trabalho, a carreira, mas tem também – mais que qualquer outra cultura nos últimos 2000 anos – desvalorizado a paternidade. Isso é um erro.
Ser pai é o maior desafio que jamais enfrentamos, estressante às vezes, mas extremamente recompensador. É também o mais perto que podemos chegar da mente de D’us.

O Mês de Elul

Em 28 de Agosto entra Elul, o último mês do ano na contagem desde a Criação.

Este mês especial é um momento de olhar para o ano passado e se preparar para o ano novo! Descubra seis coisas simples que você pode fazer:

1.O mês de Elul é uma chance de olhar para dentro, refletir sobre como foi o ano até agora e se preparar espiritualmente para as Grandes Festas. O rabino Schneur Zalman de Liadi, o fundador do movimento Chabad, compara o mês de Elul a uma época em que “o Rei está no campo” em contraste com os grandes feriados quando ele está no palácio real atrás de seus guardas. Neste momento, D’us está acessível, chamando-nos e “todos os que o desejarem têm permissão (e podem) conhecê-lo, e Ele os recebe com um semblante alegre, mostrando um rosto sorridente a todos”.

2.Com o Rei no Campo Cada dia do mês de Elul (exceto no Shabat e no último dia de Elul), Bnei Yisrael toca o shofar (chifre de carneiro) como uma chamada ao arrependimento. É como um despertador que acorda nossa alma.

3.Ao escrever uma carta ou nos encontrarmos, abençoamos uns aos outros incluindo a saudação Ketivá vechatimá tová – “Que você seja inscrito e selado para um bom ano”.

4.O Significado dos Votos Tradicionais do Ano Novo Uma pequena oração extra é poderosa agora! O capítulo 27 do livro dos Salmos se soma às orações diárias, pela manhã e a tarde.

5.O Baal Shem Tov instituiu o costume de recitar três capítulos adicionais de Tehilim todos os dias, desde o primeiro dia de Elul até Yom Kipur. (No Yom Kipur, os 36 capítulos restantes são recitados, completando assim todo o livro dos Salmos.)

6.Durante a última semana de Elul, nos dias que antecedem Rosh Hashanah, Selichot são recitadas. Na primeira noite, elas são recitados à meia-noite; e pela manhã.


Que todos sejamos inscritos e selados para um ano bom e doce!



Créditos: Chabad Brasil